Realizou-se, nos dias 29 e 30 de outubro, no âmbito dos trabalhos da 31ª Conferência-Geral da UNESCO, a primeira reunião do Grupo de Alto Nível sobre
Educação Para Todos (EPT). Participaram do evento minstros de Educação de 18 países: Bélgica, Brasil - representado pelo Secretário-Executivo do MEC -, Canadá, Costa Rica, Cuba, Dinamarca, Gana, Kuaite, Lituânia, Marrocos, Paquistão, Filipinas, Federação Russia, Senegal, Tunísia, Ucrânia, Vanuatu e Zimbabue), agências bilaterais e multilaterias, tais como UNICEF, UNFPA, Banco Mundial, OCDE e USAID, além de algumas organizações não-governamentais como a Associação Brasileira de ONGs (ABONG), Education International, OXFAM e outras. Delegados de vários países estiveram presentes como observadores, bem como representantes de outras organizações não-governamentais ligadas à temática da Educação para Todos.
Em seu discurso de abertura, o Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, referiu-se à importância daquela reunião para conferir ímpeto político aos compromissos assumidos em Dacar e resumidos nos 6 pontos do
"Plano de Ação" para a errradicação do anafalbetismo até 2015. Mencionou esperar que o Grupo alí reunido fizesse uma revisão das ações empreendidas até o momento, procurando identificar as experiências nacionais bem sucedidas e simultaneamente propondo novas ações no sentido de propagar e intensificar essas experiências por meio de uma agenda global.
Os debates foram organizados em quatro sessões, em torno dos seguintes temas: 1) alcançando os objetivos de EPT a nível nacional 2) construindo compromisso político e parcerias 3) mobilizando recursos em favor de EPT: o papel de agências internacionais e a função dos esquemas de "debt relief" e 4) participação da sociedade civil. Questões como a mobilização de recursos - financeiros, humanos, materiais e não-materiais - e de como melhorar a coordenação por parte dos doadores para evitar duplicidade de esforços e eventuais desperdícios, foram os pontos altos da reunião.
No segundo dia, mereceram destaque as intervenções da Senhora Maria Minna, Ministra para a Cooperação Internacional do Canadá, da Senhora Carol Bellamy, Diretora Excecutiva do Fundo das Nações Unidas para a Criança, da Senhora Claire Short, Secretária de Estado para o Desenvolvimento da Cooperação Internacional do Reino Unido (DFID), do Senhor Jo Ritzen, Vice-Presidente da Rede de Desenvolvimento Humano do Banco Mundial, e do Senhor Takao Kawakami, Presidente da Agência Internacional de Cooperação do Japão (JICA). A preocupação expressa pelos representantes do G8 é, de uma lado, de criarem-se mecanismos objetivos de avaliação para identificar os países em desenvolvimento seriamente comprometidos com o EPT a nível governamental e, do outro, de aumentar o fluxo de investimentos em EPT por parte da comunidade internacional. Nesse sentido, o Senhor Ritzen foi bastante claro ao assinalar que:
"the effort to bridge the financing gap must be matched by a commitment by countries to fill the policy gap. Without bridging one we will not be able to bridge the other".
Em sua intervenção, o Secretário-Executivo do MEC, Senhor Luciano Patrício, fez breve relato da situação do país em termos de educação, ressaltando que o Brasil já teria praticamente alcançado as metas fixadas no Plano de Ação de Dacar : 97% das crianças de 7 a 14 anos matriculadas em estabelecimentos escolares, praticamente nenhuma desigualdade entre os gêneros, e desigualdades regionais cada vez menores. Segundo ele, concorreram para esses dados positivos a adoçao da LDB em 1996 e a criação do "Fundo para Manutenção e Desenvolvimento da Educação de Base e para o Valorização da Profissão de Professores" (FUNDEP). Salientou o Senhor Patrício que, embora o quadro possa ser considerado globalmente positivo, muito ainda haveria por fazer com relação à qualidade do ensino, próxima etapa a ser superada pelos programas educacionais e de treinamento e capacitação de professores, já em execução.
A reunião foi encerrada com a adoção pelo Grupo de um "comunicado conjunto" convocando todos os parceiros do EPT a redobrarem seus esforços para alcançarem as metas da Educação para Todos. O comunicado também apela para que, anualmente, seja produzido um relatório analítico e criterioso, com base em dados nacionais, para avaliar se os compromissos assumidos em Dacar estão sendo cumpridos. Por fim, as opiniões foram unânimes quanto a necessidade da UNESCO mobilizar uma "Frente de Trabalho", composta de 15 representantes entre os parceiros do EPT, para desenvolver a estratégia de como operacionalizar o
"Plano de Ação de Dacar", antes de março de 2002.