O segundo
"Fórum da Juventude", organizado pela
Unidade de Coordenação da Juventude (UCJ) da UNESCO, realizou-se dos dias 12 a 14 de outubro, reunindo 131 participantes de 83 Estados-membros e de organizações internacionais de jovens. Pela primeira vez o Brasil participou do Fórum com três delegados brasileiros Elizeu de Oliveira Chaves Júnior, indicado pelo MEC; Beatriz Patriota Carneiro e Maria Laura Poulin, estudantes brasileiras em Paris. A Senhora Lucienne de Paula Scherman, sub-reitora da Universidade de São Marcos, compareceu à sessão inaugural.
A abertura do evento contou com a presença do Diretor-Geral que declarou esperar com muito interesse os resultados dos debates previstos nas duas sessões plenárias e nos diversos grupos de discussões em torno dos dois temas propostos: "a erradicação da pobreza, em especial a extrema pobreza" e "a contribuição das tecnologias de informação e comunicação (TCIs) para o desenvolvimento da educação", que constituem os temas transversais da "Estratégia a Médio Prazo" (EMP) da UNESCO, para 2002-2003. Acrescentou que a Conferência-Geral levaria em conta as recomendações dos jovens em suas deliberações e nas atividades da Organização referentes à juventude.
Os jovens brasileiros foram unânimes em considerar o Fórum uma excelente oportunidade para trocarem experiências com outros jovens vindos de todas as partes do mundo, refletirem sobre questões mundiais, debaterem e identificarem preocupações e problemas comuns. Notaram, por exemplo, que os jovens europeus tinham posições muito diferentes em relação a um plano de ação para a erradicação da pobreza por desconhecerem que muitos países ainda contam com grande população rural que precisa de escolas adaptadas à sua realidade. Em relação às TICs, não imaginavam que jovens de alguns países menos desenvolvidos pudessem fazer restrições ao uso da Internet, a exemplo de representantes do Usbequistão, do Casaquistão e de alguns países africanos, por julgarem, numa visão um tanto ou quanto simplista do fenômeno, que se trata de instrumento de imposição de um único idioma e cultura. De modo geral, os brasileiros ficaram agradavelmente surpresos com a simpatia que o Brasil inspira e com a facilidade que os jovens têm para estabelecerem diálogo, apesar das grandes diferenças culturais. Nesse sentido consideram que a UNESCO exerce um papel fundamental no sentido de tentar harmonizar interesses e procurar soluções para diminuir a distância entre os países mais desenvolvidos e os menos desenvolvidos.
Com relação ao relatório final produzido pelos jovens e comentado pelo DG nos debates da Sessão Plenária, alguns pontos merecem destaque por traduzirem suas preocupações e expectativas. Sobre o primeiro tema da erradicação da pobreza os jovens: 1) pedem que a UNESCO induza a uma nova prática da globalização colocando as pessoas à frente dos valores materiais; 2) afirmam que a pobreza é a negação dos Direitos Humanos básicos 3) ressaltam a importância da educação no combate à pobreza e solicitam mais acesso ao ensino, mais treinamento para professores, mais recursos financeiros e vontade política para uma "Educação para Todos"; 4) solicitam aos governantes que reduzam os gastos militares e que canalizem recursos extras destinados a um fundo internacional para a educação; 5) e principalmente, se oferecem como voluntários para participarem de ações comunitárias em favor da educação formal e não-formal.
Sobre o último ponto, assinalo que, por sugestão de representante da Delegação brasileira no grupo de redação da "Estratégia a Médio-Prazo", a resolução que aprovou o 31 C/4 contém alusão à necessidade de que a UNESCO assegure a participação ativa dos jovens na implementação de seus programas e estratégias.
Quanto ao papel das tecnologias de informação e comunicação (TICs), os delegados jovens afirmam que os projetos nesse campo são vitais para combater a pobreza e a exclusão, mas não devem se limitar ao uso da internet. Conscientes do fato de que os "meios tradicionais", tais como rádio, televisão, livros e linhas telefônicas, ainda são instrumentos importantes para a difusão da informação, os jovens solicitam que a UNESCO: 1) encoraje o desenvolvimento de fontes alternativas de energia como pré-requisito para o desenvolvimento de TICs; 2) apóie o treinamento de mão-de-obra especializada nesse campo e a criação de uma rede de estações de rádio e de tele-centros para jovens; 3) estimule maior acesso a internet; e 4) continue promovendo video-conferências para jovens, tais como a que foi organizada pela UNESCO em agosto último, e o "Global Distance Learning Network of the World Bank", realizado durante o "IV Forum Mundial para Jovens", em Dacar.