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Com
a participação das seguintes instituições
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA)
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
do Grande do Sul (FAPERGS)
Setor
das Ciências Sociais, Programa
Gestão das Transformaçoes Sociais (MOST)
da Unesco
Organizam
o seminário :
Que
planos para as cidades ?
Governança,
gestão e políticas urbanas
Segundo
Fórum Social Mundial
Porto
Alegre (Brasil) de 31 janeiro a 5 fevereiro de 2002,
Oficina
realizada no dia 1 de fevereiro 2002, 14.00 –18.00 horas
Auditorium
do Instituto Latino-Americano de Altos Estudos (UFRGS, Campus
Vale)
1. A UNESCO e o FSM
A
UNESCO, enquanto laboratório de idéias e de
troca de experiências para a elaboração
de princípios e políticas, contribui com o avanço
do saber e da cooperação intelectual e científica
no plano internacional. A Organização promove
o diálogo entre conhecimento científico, saberes
empíricos e iniciativas públicas, interagindo
com aos principais atores dos da esfera política, de
partes do setor privado e da sociedade civil. Em tal diálogo,
a UNESCO alia aos valores universais que defende a análise
de condições históricas subjacentes aos
processos de globalização atuais e uma série
de propostas políticas concretas.
Assim
sendo, é natural que a UNESCO participe do Fórum
Social Mundial: tanto a UNESCO quanto o FSM compartilham da
convicção de promover coletivamente alternativas
para uma nova ordem social. Se embasada em ações
estratégicas realistas, esta utopia, partilhada por
vários atores políticos, sociais e alguns operadores
econômicos, poderá um dia fazer com que venham
a convergir processos de globalização e o respeito
dos direitos humanos.
Por
ocasião do primeiro Fórum Social Mundial, a
UNESCO promoveu um debate sobre "Governança Democrática",
considerada como eixo estratégico que pressupõe
ampla discussão política e prospectiva. No âmbito
deste debate, as contribuições trazidas pelos
participantes africanos, asiáticos, europeus e latino-americanos
podem resumir-se, essencialmente, em quatro itens:
a)
o papel do Estado e dos movimentos sociais na consolidação
da capacidade das democracias de evitarem os efeitos nefastos
da globalização e de a administrarem em prol
dos interesses dos cidadãos em geral ;
b) as
instâncias de regulação internacional
já existentes ou a serem instituídas;
c) os
meios para instaurar uma governança do sistema mundial
que esteja fundada em princípios democráticos;
d) o papel
que cabe às Nações Unidas e aos atores
não estatais, especialmente, às ONGs - organizações
não governamentais -, nessa governança democrática
mundial.
Das
diversas publicações que cobrem o estado atual
dessa discussão (1),
ressalta a necessidade de aprofundarem-se as análises
a respeito da democracia enquanto sistema complexo de gestão
dos conflitos que dê prioridade ao político e,
não, ao econômico. Decorre daí a questão
central: como contemplar-se a democracia, frente à
crise de representação política (democracia
representativa), e ao surgimento de novas formas de cidadania?
Em
2002, a "Governança Democrática", concebida
como tema estratégico de ordem geral, orientará
os debates, que se estabelecerão em torno a questões
mais específicas, situadas historicamente, com lugar,
época e problemática determinados. O programa
proposto pela UNESCO ao FSM-2002 abrange três temas,
que se desenvolverão em três oficinas, a saber:
1) Democracia,
governança e complexidades: desafios propostos pelo
pluralismo cultural.
2)
Planos para a Cidade: governança, gestão e políticas
urbanas.
3)
Criar sociedades de aprendizagem: participação,
cidadania e gestão
Esses
seminários têm por objetivo a promoção
de um debate orientado principalmente em torno dos eixos propostos
pelo FSM, entre os quais destacam-se:
acesso
aos bens e durabilidade;
dinâmicas,
movimentos sociais e governança.
2. A Governança urbana no FSM 2002
Nossas
sociedades sáo urbanas, um fenômeno proclamado
pela Conferência das Nações Unidas sobre
Assentamentos Humanos (Habitat II) e certificado por
fatos, dados demográficos e estatísticos.
Em 1996, em Istambul, fez-se um balanço negativo
dos modos e das políticas de controle dos processos
de urbanização, levadas a cabo nas últimas
décadas, que revela um paradoxo visível: as
aglomerações urbanas, promotoras do desenvolvimento,
são, ao mesmo tempo, lugares de segregação
social, insegurança e violência. As cidades
muitas vezes não oferecem as condições
materiais mínimas de vida (alojamento, infraestruturas,
equipamentos e serviços); perdem identidade própria;
crescem informalmente. Na prática, o direito de viver
num ambiente construído em condições
de existência dignas e de qualidade para todos não
está garantido.
A
dimensão econômica da sociedade não dá
ainda sentido à totalidade dos processos urbanos e
a todos os desafios territoriais. Ao mesmo tempo, a cidade
não funciona como um instrumento técnico apenas;
a intervenção na cidade -forma complexa no entrecruzamento
de numerosas forças- e a prática do urbanismo
exigem uma abordagem diferente, adequada à complexidade
do problema, das necessidades sociais, culturais e políticas,
bem como dos conflitos que não são levados em
conta pelas tendências atuais.
Os
processos de urbanização apresentam uma dimensão
programática, antigamente chamada "planificação",
depois, "plano estratégico", e hoje em dia,
"gestão". Em termos de objetivos, os primeiros
privilegiam soluções com visão de futuro,
enquanto os últimos, soluções para o
presente. Entre a planificação -cuja natureza
é predominantemente de caráter técnico-
e a gestão -cujo caráter é predominantemente
administrativo-, os planos estratégicos proclamam ajustes
constantes e o desenvolvimento de abordagens ditos "sociais".
Todos levam em conta a interação entre os atores,
entre os quais, principalmente, os que tomam decisões.
Dessa maneira, e ao longo dos últimos anos de urbanismo,
passou-se das abordagens tecnicistas ou burocratizantes aos
paradigmas de integração e sustentabilidade.
Vive-se,
atualmente, um período da história onde a mundialização
é uma manifestação fundamental. Com isso,
os espaços urbanos assumem funções essencialmente
financeiras e econômicas e o seu gerenciamento obedece,
ele também, a essas prioridades.
O
seminário aqui proposto situa-se no âmbito desses
problemas e dos elementos que o constituem. Propõe
contribuir para o debate contemporâneo que tem por objetivo
compreender e estruturar mudanças relativas à
gestão, à governança e às políticas
urbanas, a fim de dar uma resposta à questão
que dá o título ao seminário: que
planos para a cidade ?
O
caminho para tal resposta passa pela implementação
de modos mais eficazes de entendimento entre atores, instâncias
e mediações, compreendidos esses no âmbito
de sua dimensão política justa. Nossa proposta
é um convite para que se abordem essas interações
enquanto relações sociais e se dê ao problema
das políticas urbanas, uma nova dimensão, considerando-o
no quadro da política lato sensu. Nos sugerimos
de atingir este objetivo atraves de um tendo por fim um debate
fundado em uma massa crítica entre participantes constituída
pela reflexão e pela prática dos participantes
provenientes de regiões da África, da América
Latina e da Europa. A meta é melhorar as práticas
técnicas e a tomada de decisões, tendo em vista
um desenvolvimento mais justo e um funcionamento mais democrático
da governança urbana (2).
Pelo
menos cinco condições são necessárias
à consecução de um ordenamento do espaço
público que possa responder de forma democrática
a imperativos tais como a diminuição da desigualdade
e a consolidação da coesão social nas
cidades:
- A consolidação
da cidadania, tanto na vida quotidiana, quanto nas instituicões.
- A modificação
dos princípios orientadores do urbanismo.
- A revisão
crítica dos chamados "paradigmas do desenvolvimento
urbano".
- A renovação
dos métodos e técnicas referentes ao controle
espacial dos processos urbanos.
- O aperfeiçoamento
dos procedimentos relativos às normas do urbanismo
operacional.
Solicita-se
aos participantes do seminário que situem suas exposições
no quadro da referida problemática, vista a partir
de sua área específica, de seu respectivo campo
analítico e de suas experiências profissionais.
Dado que se trata de contribuir para a definição
de critérios e políticas, mas também,
de encontrar os meios para traduzi-las na prática,
apela-se para que se desenvolvam critérios que relacionem
análises críticas, praxis e experiência
profissional.
Algumas
questões para orientar a discussão (a título
de sugestão)
- Que
alcance operacional, político e social pode ter o
paradigma internacional do "desenvolvimento urbano integrado"
e/ou do "desenvolvimento urbano sustentável"?
- Que
conteúdos empíricos e ideológicos e
que conseqüências poderá ter a aproximação
entre gestão urbana e planificação
urbana? (balanço crítico).
- De
que forma estruturar a participação e a responsabilidade
dos habitantes das cidades no conjunto das condições
dos sistemas de gestão e de planificação
urbana?
- Como
contribuir para que os habitantes da cidade passem da condição
de citadinos à de cidadãos?
- Que
urbanismo convém à consecução
de uma governança urbana democrática?
- Quais
são os componentes da sociedade política e
da sociedade civil quando participam da gestão e
do desenvolvimento urbanos ?
3.
Programa (3)
Data:
1 de fevereiro de 2002
Línguas
de trabalho: francês, espanhol, inglês
e português. (com tradução simultânea).
Abertura
14h00 - 14h10: Palavras de boas-vindas Paulo VIZENTINI (UFRGS/Brasil),
Pierre SANE (UNESCO)
Primeira
parte
14h10 - 14h20: Pierre SANE
14h20 - 14h40: Davinder
LAMBA (Mazingira Institute/Kenya)
14h40
- 15h00: Yves CABANNES
(PGU, América latina)
15h00
- 15h40: Primeiro debate plenário. Introdução
ao debate: Guy HERMET
(CERI-CNRS/IEP, France)
Intervalo
(cafezinho) : 15h40 - 16h00
Segunda
parte
16h00
- 16h10: Introdução à segunda parte pelo
presidente Paulo VIZENTINI
16h10 - 16h30: Enrique
ORTIZ (HIC - América latina, Mexico)
16h30
- 16h50 Annik OSMONT
(Institut d’Urbanisme, Paris VIII, França)
16h50
- 17h50: Segundo debate plenário. Introdução
ao debate : Guy HERMET (CERI)
17h50
– 18h00: Encerramento pelos relatores: Germán
SOLINIS e Carlos MILANI, (UNESCO/MOST).
4. Contatos:
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Germán
Solinís, UNESCO/ MOST
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Carlos
S. Milani, UNESCO/MOST
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Tel.
(331) 45.68.38.37
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Fax
(331) 45.68.57.28
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g.solinis@unesco.org
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1.
V. o sítio web da UNESCO www.unesco.org/most/wsunescopt.htm
2.
Definida como o processo que orienta e toma em conta as relações
entre os diferentes atores que intervêm no processo
do desenvolvimento urbano: tomadores de decisões, as
autoridades e os cidadãos que constituem a sociedade
política e a sociedade civil. Complementa a diretividade
centralizadora com procedimentos participativos, para tentar
assegurar a contribuição de todas as comunidades
envolvidas, a negociação dos conflitos entre
os referidos atores, a transparência na tomada de decisões.
Isto supõe a inovação das estratégias
e métodos de intervenção no desenvolvimento
urbano.
3.
A discussão será coordenada por um(a) presidente.
Os relatores farão o relatório dos debates,
que serão publicados no sítio da UNESCO na Internet.
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