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Co-organizado pela UNESCO e CEAAL/CCONG/EPT (1)
Criar sociedades de aprendizagem
:
participaçã o, cidadania e
governança
Forum Social Mundial
31 de janeiro a 05 de fevereiro de 2001, Porto Alegre, Brasil
Officina realizada no dia 2 de fevereiro de 2002, das
14h às 18h
1. Introdução
No forum mundial sobre a educação
(Dakar, Senegal, 2000), a comunidade internacional comprometeu-se
a:
a) fazer com que a sociedade civil se implique ativamente
na formulação, na execução e no
acompanhamento de estratégias de desenvolvimento da
educação, são esses os aspectos centrais
do acompanhamento de Dakar;
b) implantar sistemas de gestão e de governança
educativas que sejam reativos, participativos e avaliáveis.
Essa promessa salienta o novo consenso que
reconhece nas organizações não-governamentais
e nas da sociedade civil um papel não somente de atuantes
ou prestadores de serviços, inovadores e fontes de
novas reflexões, agentes críticos e informados,
fazendo discursos defensivos, mas também de parceiro
no diálogo político. A educação
aparece então, mais do que nunca, como uma questão
de sociedade que alerta a cada cidadão e cuja visão,
cujos objetivos, processos e cujas modalidades deveriam ser
amplamente discutidos e negociados. O Estado reconhece que
já não pode mais enfrentar sozinho essa questão
e manter o monopólio do saber sobre o que deve ser
o bem das populações. Voltar-se para a sociedade
civil como fonte de inspiração é uma
abertura para assegurar a todos as necessidades de aprendizagem
e para consultar as comunidades e as sociedades.
Mas de que visão da educação
estamos falando dentro de um contexto de globalização
e mudanças, como expressa muito bem a dita sociedade
civil? Quem são os atores desse grupo complexo de indivíduos,
de agremiações, de associações,
de organizações, de iniciativas e de redes?
Eles possuem uma visão comum da educação
para o futuro?
Tendo em vista que o Fórum Social
Mundial se compromete a desenvolver uma visão de um
outro mundo, esse seminário concentrar-se-á
sobre a capacidade de transformação da participação
da sociedade civil na educação:de que maneira
a sociedade civil contribui para a transformação
da(I) visão, do objetivo e dos conteúdos da
educação, (II) das modalidades e dos processos,
identificando e questionando as necessidades de aprendizagem
e (III) da participação comunitária na
governança educativa local e especificamente os mecânismos
e as dinâmicas de tomada de decisão?
Essas problemáticas são o cerne
dos discursos e das práticas relativas à criação
de sociedades de aprendizagem. Há uma década,
as discussões sobre os efeitos da globalização
sobre a educação e a necessidade de novas formas
de aprendizagem ao longo da vida geraram outras idéias
cuja aprendizagem comunitária ou da sociedade são
testemunhas. Shikshantar, Instituto para repensar a aprendizagem
e o desenvolvimento, sediado na Índia, relacionou há
quatro anos todos os escritos e as inovações
nesta área (Boletim Vimukt Shiksha sobre "Unfolding
Learning Societies: Deepening the Dialogues", 2000 e 2001).
A Unesco também participou desse movimento com, entre
outros, os trabalhos da Comissão de educação
no século XXI, de onde provém ."L’Education.
Un trésor est caché dedans"/ "A Educação,
um tesouro está escondido por dentro". Relatório
à Unesco da Comissão internacional sobre a educação
para o século XXI (Delors, 1996 ); o programa
"Apprendre sans frontières"/ Aprender sem fornteiras"
e o projeto de criação de comunidades abertas
de aprendizagem (Jain 1997; Schnuttgen 1997) . O papel
do Instituto da Unesco para a educação de Hamburgo
foi igualmente fundamental para o desenvolvimento do conceito
de aprendizagem ao longo da vida e das sociedades de aprendizagem,
notoriamente para o acompanhamento da V Conferência
internacional sobre a educação de adultos "Apprendre
– la clé du 21e siècle" / "Aprender
– a chave do séc. XXI" ( 1997). Esse movimento
faz referência às pedagogias críticas
e radicais que associamos comumente aos nomes de John Dewy
(Dewy, 1933), Ivan Illich (1976), Paulo Freire (Freire
,1970) Mahatma Ghandi (1951) e outros ainda. A educação
popular, as novas ciências, a pesquisa sobre as culturas
locais, as teorias sobre a inteligência multiforme e
outros pensamentos e práticas inovadoras.
Apesar desses esforços, numerosas
questões sobre a participação da sociedade
civil na educação não encontram respostas.
A experiência nos países em via de desenvolvimento
nos informa sobre a força que as comunidades locais
representam para derrubar os padrões decadentes por
uma gestão de educação ativa. Elas são
muito eficazes para levar uma mudança em profundidade
nas escolas e nos centros de aprendizagem (Sergiovanni
in Hargreaves e colaboradores, 1998). No entanto, nós
pouco sabemos sobre a maneira com a qual a sociedade civil
participa na educação e quais são os
resultados da sua contribuição. Há grandes
variações entre quem participa e como ele participa,
seja qual for o contexto, tornando assim muito difícil
a identificação dos esquemas ou das tendências
sistemáticas. São frequentemente os membros
das comunidades ricas e educadas como, por exemplo, o "chefe
tradicional", que participam concretamente. Aqueles que são
pobres ou menos educados tornam-se excluídos/marginalizados
e atuam em segundo plano, tendo dificuldades para expressarem
suas necessidades ou de serem compreendidos. Apesar das mulheres
desempenharem um papel ativo, em vários contextos,
elas são sub-representadas ou atuam aqui novamente
em segundo plano. Uma outra questão chave é:
quais são as decisões que os membros da sociedade
civil tomam no planejamento da educação e da
governança? Na maior parte do tempo, eles decidem questões
de administração ou manutenção
da escola. No que concerne à pedagogia na sala de aula
ou aos currículos, esses ficam de domínio reservado
ao Ministro da Educação e a seus representantes
locais, apesar de haver certas tentativas legais ou de
políticas de atribuir essas decisões
às escolas (King e colaboradores, The World Bank,
1998).
Três forças servem de alavanca
para a mudança e permitem à sociedade civil
participar da gestão da educação. Primeiramente,
as políticas integradoras e a autonomia conferida pelas
reformas de descentralização permitem a transferência
do poder decisório às comunidades locais. O
reforço das capacitações e a formação
de todas as partes envolvidas são também uma
garantia de autonomia e de responsabilidade para todos os
membros da comunidade. Finalmente, as organizações
da sociedade civil (OCS) mobilizam as comunidades, especificamente
e as populações pobres, para uma participação
mais ativa na educação (Khan, Faryal 2001).
No contexto de mudança global, a questão
da participação da sociedade civil na educação
pode mudar a maneira de pensar ou de repensar os objetivos
e os fins da educação que, desde a emergência
do Estado-nação e das economias de mercado,
foi associada às noções de cidadania,
individualismo, democracia, identidade nacional, de produtividade
e de desenvolvimento - conceitos atualmente sendo redefinidos.
Como a sociedade civil vem nutrir nossa compreensão
de aprendizagem hoje em dia – em termos local e mundial –
e como podemos melhor facilitar esses processos? Em que medida
a sociedade civil contribui para definir e desenvolver as
novas idéias e práticas sobre a aprendizagem
ao longo da vida, a aprendizagem coletiva e a aprendizagem
em geral como um processo dinâmico (mais que linear
ou sequencial)? É suficiente estender e melhorar os
sistemas educativos, tendo como principal interesse a aprendizagem
institucionalizada e a escolarização, uma vez
que as necessidades educativas do nosso tempo requerem formas
diferentes de aprendizagem?
Afim de responder a essas perguntas, o seminário
tem por objetivo explorar as formas e as práticas atuais
da participação da sociedade civil para a criação
de sociedades de aprendizagem, a partir da análise
de experiências na África, na Ásia e na
América Latina.
2. O seminário
O seminário insere-se no quadro do tema III do Fórum
Social Mundial: Afirmação da sociedade civil
e dos espaços públicos/ 1- igualdade e diversidade
O seminário visa a explorar as formas e as práticas
atuais da participação da sociedade civil na
transformação dos conteúdos, dos processos
e dos sistemas de educação, afim de promover
o diálogo sobre as políticas e isso na perspectiva
de uma cidadania renovada. O seminário suscitará
a produção do saber e permitirá identificar
etapas necessárias ao reforço da participação
e da cidadania na área da educação. Os
resultados dos debates virão enriquecer as reflexões
da Unesco e seus programas, em particular a Consultoria coletiva
das ONGs em educação para todos representada
pela CEAAL, ponto referencial regional para as ONGs na América
Latina e no Caribe, e fortalecer a parceria com a sociedade
civil, suas reflexões, suas redes e sua organização
.
A partir da apresentação de três estudos
de caso da África, da Ásia e da América
Latina, as análises e discussões permitirão
aos participantes refletirem e se pronunciarem sobre questões
tais como: quais são as tendências atuais da
participação da sociedade civil na educação?
De que maneira a governança local atua como agente
de mudança para promover uma cidadania participativa
e democrática? Quais são as lições
que podemos tirar das práticas atuais? Baseando-se
nesses dados, quais são as implicações
sobre a formulação e execução
das políticas? Uma especialista em educação
da Unesco intervirá após as apresentações,
as analisará dentro do contexto da criação
de sociedades de aprendizagem e das novas tendências
de participação da sociedade civil. Ela salientará
os ensinamentos que pudemos tirar dos três estudos de
caso e destacará algumas questões importanrtes.
Todos os participantes estão convidados a tomarem a
palavra.
A mesa redonda será composta como se segue:
Moderadora: Faryal Khan, especialista do programa
de governança educativa em nível local (UNESCO)
Apresentação 1: Promover a educação
e a aprendizagem através da participação
da sociedade civil: experiência da Tanzânia pelo
representante do Ministro da educação da Tanzânia,
Mwatumu Malale
Apresentação 2: Transformar a educação
através da governança da comunidade.
Uma experiência no Paquistão por Baela Raza
Jamil, Presidente, Idara-e-taleem-o-Aagahi, organização
da sociedade civil em Lahore, Paquistão
Apresentação 3: Transformar o mundo da aprendizagem
através da educação popular: as experiências
da sociedade civil no Cuba por Nydia Gonzalez, Associacion
de Pedagogos de Cuba
Debate Reflexões sobre o conteúdo e os ensinamentos
dos estudos de casos apresentados no contexto dos debates
e o envolvimento da sociedade civil na criação
de sociedades de aprendizagem por Susanne Schnuttgen,
especialista do programa em educação e participação
da sociedade civil (UNESCO).
3. Programa
Data : 2 de fevereiro,
à tarde
Interpretação:
Português, Inglês, Francês e Espanhol
14 h 00 Abertura do Seminário
14 h10 Apresentação 1: Promover a
educação e a aprendizagem através da
participação da sociedade civil: experiência
da Tânzania
14 h 30 Apresentação 2: Transformar
a educação através da gestão comunitária.
Uma experiência no Paquistão
14 h 50 Apresentação 3: Transformar o
mundo da aprendizagem através da educação
popular: as experiências da sociedade civil no Cuba
15 h 05 Debate: Reflexão sobre os conteúdos
e os ensinamentos dos estudos de casos apresentados dentro
do contexto dos debates sobre o envolvimento da sociedade
civil na criação de sociedades de aprendizagem
15 h 15 Debate geral em grupos
4. Contatos
UNESCO – Equipe de Educação
Karine
Brun
Correio eletrônico: karinebrun@hotmail.com
UNESCO – Ponto referencial para o seminário
Faryal
Khan
7, place de Fontenoy
75007 Paris, France
Tel: 00 33 1 45 68 10 18
Fax: 00 33 1 45 69 56 26
Correio eletrônico : f.khan@unesco.org
Ponto referencial para as ONGs da Consultoria coletiva
das ONGs para a América Latina e o Caribe (a ser
confirmado)
Carlos
Zarco Mera
Conselho de educação de Adultos da América
Latina (CEEAL)
Toledo No. 46
Colonia Juarez
CP 06600
México DF
Tel: 52 55 33 17 55 / 03 49
Tel: 52 55 14 06 10
Fax: 52 55 14 06 10
Correio eletrônico : czarco@laneta.apc.org
/ ceeal@laneta.apc.org
Site Internet : www.ceaal.org
UNESCO - Ponto referencial para as ONGs da Consultoria
coletiva das ONGs em educação para todos
Susanne
Schnuttgen
Divisão de educação de base, Seção
de alfabetização e educação não-formal
UNESCO
7, place de Fontenoy
75007 Paris, France
Tel: 00 33 1 45 68 21 41
Fax: 00 33 1 45 69 56 26/27
Correio eletrônico : s.schnuttgen@unesco.org
1. Consejo de Educacion de Adultos de América Latina
/ Consultation collective des ONG en éducation pour
tous
Bibliografia
Delors,
J (1996): L’Education. Un trésor est caché dedans.
Rapport à l’UNESCO de la Commission internationale
sur l’éducation pour le vint et unième siècle.
UNESCO.
Dewey,
John. (1933) How We Think. A restatement of the relation
of reflective thinking to the educative process (Revised
edn.), Boston: D. C. Heath.
Freire
Paulo (1970): Pedagogy of the Oppressed. New York:
Continuum.
Hargreaves
et al. (1998) : International Handbook of Educational
Change. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers.
Illich,
Ivan (1976): Deschooling society. Harmondsworth : Penguin,
Pelican books.
Jain,
Manish (1997) Towards
Open Learning Communities: One Vision Under Construction
(also available as PDF
document), a paper presented in the panel "Constructing
Open Learning Communities to Inspire a Changing World" during
Comparative and International Education Society (CIES) Conference
on Education, Democracy and Development at the Turn of
the Century, Mexico City. (March 18-23, 1997).
Khan,
F. (2001): Community Participation in School Management Councils
in Developing Countries: Who Participates and How? Cambridge,
MA: Harvard Graduate School of Education.
King,
E. and B. Ozler (1998) What's Decentralization Got to do with
Learning? The Case of Nicaragua's School Autonomy Reform.
Washington, D.C.: The World Bank.
Schnuttgen,
Susanne (1997). 'Open
Learning Communities Under Construction: Are NGOs Contributing
to the Process?', a paper presented in the panel "Constructing
Open Learning Communities to Inspire a Changing World" during
Comparative and International Education Society (CIES) Conference
on Education, Democracy and Development at the Turn of
the Century, Mexico City. (March 18-23, 1997).
Selected
Writings of Mahatma Gandhi (1951): Selected and Introduced
by Donald Duncan by Gandhi, Mahatma, Hardcover. Beacon Press,
Boston.
Simulation
Game "Constructing Open Learning Communities to Inspire a
Changing World" (A PDF file). A game designed by LWF and
played during the Global Knowledge Conference in June 1997.
This file contains all material you need to play the game:
from facilitator instructions, a radio broadcast and basic
indicators for the the countries of Hoth and Milarepa to role
descriptions and worksheets for participants.
Numéro
spécial de Vimukt Shiksha sur ‘ Unfolding Learning
Societies: Challenges and Opportunities’, March 2000. A Bulletin
of Shikshantar, The People's Institute for Rethinking Education
and Development India. Web Site: http://www.swaraj.org/shikshantar
Numéro
spécial de Vimukt Shiksha on Unfolding Learning Societies:
Deepening the Dialogues, April 2001. A Bulletin of Shikshantar,
The People's Institute for Rethinking Education and Development
India. Web Site: http://www.swaraj.org/shikshantar
Zimmer,
Jurgen, Faltin, Gunter Faltin, Becker, David et al. (1997)
'Transforming Community Schools into Open Learning Communities:
A Resource Paper', prepared by the International Community
Education Association - International Academy (INA/ICEA) for
UNESCO.
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