01.10.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Oficina Brasil-Cabo Verde combina comunicação comunitária e educação em sexualidade

© UNESCO\Vinícus Carvalho

Começou, em Brasília, a Oficina Brasil-Cabo Verde: Educomunicação e Educação em Sexualidade. Durante seis dias, jovens e educadores dos dois países realizarão oficinas de educomunicação, visitarão escolas que desenvolvem ações de prevenção e participarão de debates com jovens brasileiros que vivem com AIDS. O encontro é uma realização da UNESCO no Brasil e do Programa Jovem de Expressão, uma iniciativa da Caixa Seguros.

Durante a abertura, a oficial de educação da UNESCO no Brasil, Mariana Braga, destacou a importância da promoção dos direitos sexuais e reprodutivos nas escolas. Segundo ela, a gravidez juvenil aumentou 15% entre 1980 e 2000 e já é a principal causa de evasão escolar de meninas no Brasil (10,8% do total). São também 181 mil jovens entre 10 e 24 anos portadores do HIV, sendo que mais da metade dos novos casos registrados no Brasil em 2012 ocorreu nessa faixa etária. A primeira relação sexual também ocorre cada vez mais cedo. No caso brasileiro, aos 15,3 anos de idade. “A escola é a instituição preferencial para tratar esse tema. E falar de sexualidade não é só falar de sexo. É falar do corpo, de tolerância, cultura de paz e direitos humanos”, destacou.

Coordenadora de Marketing Social da Caixa Seguros, Alice Scartezini apresentou a experiência do Jovem de Expressão, um programa social que promove a saúde e o empreendedorismo de jovens entre 18 e 29 anos para diminuir sua exposição à violência, às drogas e DST/Aids. Ela citou pesquisa realizada pelo programa em parceria com o Ministério da Saúde para destacar a importância da educação em sexualidade no Brasil. Segundo a pesquisa, quatro em cada dez jovens brasileiros não consideram o uso de camisinha um método eficaz na prevenção de gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis (DST) e 36% disseram que não usaram preservativo na última relação sexual. A pesquisa ouviu 1.208 jovens entre 18 e 29 anos em 15 Estados e no Distrito Federal. “Como falamos destes temas que tantos não gostam de falar: violência, estupro, DSTs? Temos muitos problemas, mas também muitas soluções. A importância deste encontro é conhecê-las e compartilhá-las”, disse.

Cabo Verde – Arquipélago de dez ilhas situado no oceano Atlântico – a 640 km da costa senegalesa – Cabo Verde é um país africano de língua portuguesa. São 500 mil habitantes, dos quais um terço é formado por jovens de 10 a 24 anos. Ao contrário de muitos países africanos, a prevalência de HIV/Aids é considerada baixa: 0,52%, contra até 20% em países que apresentam as maiores incidências da doença.

A experiência do país em educação preventiva foi apresentada pela Técnica da Direção Geral de Ensino Básico e Secundário do Ministério da Educação de Cabo Verde, Suzana Delgado. Segundo ela, o país aposta no modelo do Espaço de Informação e Orientação (EIO). Seguindo a abordagem de educação pelos pares, o EIO é um espaço dentro da escola gerido pelos próprios alunos com apoio de pais, professores e psicólogos. Já estão instalados em 16 unidades de ensino. A meta é universalizá-los até 2016, abrangendo todas as 44 escolas de ensino secundário do país. “Os espaços são geridos pelos próprios estudantes, que participam de todas as fases do planejamento. A educação pelos pares é uma das estratégias de aprendizagem com maior sucesso em Cabo Verde”, explica.

Coordenador de Direitos Humanos da Secretaria de Diversidade do Ministério da Educação do Brasil (Secadi-MEC), Fábio Meireles também participou dos debates. Além de desafios como a superação do analfabetismo, a elevação da escolaridade da população de 15 anos ou mais e a promoção do jovem como sujeito de direitos, Meireles destacou a necessidade de agilizar a implementação da educação em direitos humanos, gênero e diversidade sexual.

Intercâmbio - A Oficina Brasil-Cabo Verde: Educomunicação e Educação em Sexualidade ocorre até o próximo dia 02, quando será apresentado um plano de atividades para aprofundar a troca de experiências entre os dois países. O encontro reúne jovens de Cabo Verde protagonistas de boas práticas em educação sexual nas escolas e jovens de Ceilândia e de Sobradinho 2 premiados por ações em comunicação comunitária, promoção da saúde e redução da violência juvenil.




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