25.03.2014 - UNESCOPRESS

Banda larga pode solucionar a lacuna do desenvolvimento mundial

© ITU/M.Jacobson-Gonzalez -UNESCO Director-General, Irina Bokova, during her intervention at the 9th Broadband Commission Meeting in Dublin, Ireland

A banda larga deve ser reconhecida como um capacitador essencial para o desenvolvimento, no marco de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas pós-2015, afirma a Comissão de Banda Larga da ONU, em reunião em Dublin.

O acesso à banda larga poderá ser o catalisador universal para retirar da pobreza países em desenvolvimento e proporcionar acesso à assistência médica, à educação e a serviços sociais básicos, de forma a alcançar a todos, de acordo com a Comissão de Banda Larga da ONU para o Desenvolvimento Digital (UN Broadband Commission for Digital Development), que se reuniu no final de semana passado.

A Comissão reiterou seu apelo à comunidade internacional para reconhecer o potencial transformador das redes de alta velocidade e garantir que a penetração da banda larga em alvos específicos seja incluída nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas pós-2015. 

A Comissão também instou os governos e organismos internacionais financiadores a trabalharem para a remoção das atuais barreiras aos investimentos. Mundialmente, cerca de 95% das infraestruturas de telecomunicações são financiadas pelo setor privado, mas melhores incentivos são necessários com urgência, se os investimentos forem destinados à expansão alinhada com o aguardado crescimento exponencial de usuários conectados e dos chamados fluxos de dados da “internet das coisas”.

Nas 200 maiores cidades do mundo, prevê-se que o número de aparelhos de conexão aumentará de uma média de 400 aparelhos por quilômetro quadrado, para mais de 13 mil aparelhos por quilômetro quadrado, até 2016. 

A Comissão, que inclui alguns dos principais líderes mundiais do setor de tecnologia, bem como de governos, academia e agências das Nações Unidas, se reuniu em Dublin, a convite de Denis O’Brien, presidente do Digicel Group e um dos membros fundadores do grupo. 

Criada em 2010, a Comissão é um órgão de alto-nível de advocacy, cujas estratégias têm como foco tornar a banda larga mais disponível e acessível em todo o mundo, com ênfase em acelerar o progresso em direção aos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas.

A Comissão é presidida por Paul Kagame, presidente de Ruanda, e Carlos Slim Helú, empresário do México, e tem como vice-presidentes o secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), dr. Hamadoun I. Touré, e a diretora-geral da NESCO, Irina Bokova.

“A panaceia há muito procurada para a pobreza humana pode finalmente estar ao nosso alcance, na forma de redes de banda larga que empoderam todos os países a tomar o seu lugar na economia global, superando barreiras tradicionais como geografia, língua e limitações de recursos”, disse O’Brien, cujas empresas fornecem serviços móveis em alguns dos ambientes e países mais desfavorecidos do mundo, como o Haiti e a Papua Nova Guiné.

Para implementar a banda larga com mais rapidez, O'Brien pediu aos governos a redução das taxas de licença e defendeu a criação de um índice “Liga dos Campeões”, que rastreia as melhores práticas de investimento e de implementação de banda larga.

Em seu discurso de abertura, o presidente de Ruanda, Kagame, lembrou que a banda larga e as TIC podem promover mais eficiência na educação, na saúde, no sistema financeiro, no sistema bancário e em outros setores. “Em Ruanda, o modelo de banda larga que adotamos é baseado na parceria efetiva entre os setores público e privado, guiada pelo que funciona de fato”, disse ele. “Isso permitiu que a banda larga e as TIC continuassem a exercer um papel importante no progresso que temos realizado para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”. Atualmente, Ruanda está quase totalmente ligada em rede de banda larga móvel 4G, por meio de uma parceria entre os setores público e privado.

Kagame pediu que os membros da Comissão fossem além das infraestruturas e que trabalhassem para garantir o uso da banda larga: “Nosso foco inicial estava na conectividade – implementar infraestruturas e ferramentas para conectar cidadãos à era digital. Mais adiante, os nossos esforços devem se concentrar em desencadear o uso inteligente da banda larga para ajudar as pessoas a usar os serviços de maneiras que melhorem significativamente as suas vidas”.

A adoção das TIC está aumentando de forma acelerada em todo o mundo, com a banda larga móvel sendo reconhecida como a tecnologia que mais rapidamente cresce na história da humanidade. Atualmente, o número de assinaturas de telefones móveis é quase igual ao número total da população mundial – girando em torno de 7 bilhões –, e mais de 2,7 bilhões de pessoas estão online. As assinaturas ativas de banda larga móvel agora ultrapassam 2,1 bilhões – três vezes mais do que os 700 milhões de conexões de banda larga por fio existentes no mundo.

O mais encorajador é que a maior parte desse progresso tem ocorrido nos países em desenvolvimento, que foram responsáveis pelo aumento de 90% das redes de celulares móveis e por 82% dos novos usuários de internet em todo o mundo, desde o início de 2010, quanto a Comissão foi criada.

“Isso se traduz em 820 milhões de novos usuários de internet e 2 bilhões de novos assinantes de banda larga móvel em países em desenvolvimento, em apenas quatro anos”, disse o secretário-geral da UIT, dr. Hamadoun I. Touré, que pediu que os membros da Comissão considerassem a definição de um Marco de Ação para a Aceleração da Banda Larga para os ODM. Esse Marco de Ação poderá ser apresentado para aprovação do secretário-geral da ONU na próxima reunião da Comissão, em setembro, em Nova York, antes da Assembleia Geral da ONU. “Pela primeira vez na história, a banda larga nos dá o poder de acabar com a pobreza extrema e colocar o nosso planeta em um curso novo de desenvolvimento sustentável”, disse ele.

Em 2011, a Comissão estabeleceu quatro ambiciosas políticas de banda larga e de metas de acesso. Na sétima reunião da Comissão, ocorrida na Cidade do México, em março de 2013, adicionou uma quinta meta, relativa à “igualdade de gênero no acesso à banda larga até 2020”, visando a corrigir as disparidades de gênero no acesso às tecnologias de informação e comunicação.

“A banda larga pode ser um acelerador para o crescimento inclusivo e sustentável, ao abrir novos caminhos para criar e compartilhar conhecimento, ao aumentar as oportunidades de aprendizagem e ao ampliar a liberdade de expressão”, disse Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO. “Porém, isso não acontece por si só: requer boa vontade e liderança, e é por isso que a Comissão é importante”.

Além da banda larga e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a agenda da reunião de Dublin abordou o papel cambiante dos operadores de telecom e dos provedores de conteúdo, assim como soluções inovadoras para implementação da banda larga em áreas rurais. O evento também incluiu a reunião do novo Grupo de Trabalho em Finanças e Investimento, que aconteceu no domingo, dia 22 de março.

Nessa reunião, os membros da Comissão discutiram a necessidade urgente de novas estratégias para financiar novos investimentos massivos em redes de telecom, necessários para lidar com um grande aumento na previsão do volume de dados móveis. 

“Os ODM constituem a garantia dos direitos humanos básicos para bilhões de pessoas ao redor do mundo”, afirmou Carlos M. Jarque, que participou da reunião como representante do copresidente Carlos Slim. “Os ODM e os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são os fundamentos para eliminar a pobreza extrema na terceira década deste novo século. É fato que a banda larga pode contribuir grandemente para se alcançar esses objetivos. Porém, atualmente, em muitos países, a infraestrutura de telecomunicação precisa ser duplicada a cada ano. Nenhum outro setor enfrenta um desafio semelhante de investimento capex (investimento em bens de capital). Devemos identificar modelos operacionais e financeiros novos e viáveis”.

Em setembro passado, na oitava reunião da Comissão, em Nova York, o grupo publicou a segunda edição da sua brochura sobre a implementação da banda larga no mundo, intitulada The State of Broadband 2013 Universalizing Broadband, que mostra os rankings por país baseados no acesso e na disponibilidade de banda larga. Nesse breve relatório, a Irlanda ficou em 35º lugar, entre as 183 economias com acesso a banda larga fixa, em 19º entre as 170 economias com acesso a banda larga móvel, e em 31º entre as 192 economias em termos de porcentagem de habitantes que usam internet (79%).

Ainda nesse relatório, o Brasil ficou em 72º lugar entre as 183 economias com acesso a banda larga fixa, em 44º lugar entre as 170 economias com acesso a banda larga móvel, e em 72º. entre as 192 economias em termos de porcentagem de habitantes que usam internet (49,8%). Entre os 128 países em desenvolvimento, o Brasil ficou em 25º lugar em termos de porcentagem de casas com internet (45,4%), e em 28º em termos de porcentagem de habitantes que usam internet (49,9%).

Assista à entrevista em vídeo com Denis O’Brien:
https://www.youtube.com/watch?v=BtUMA-hlvkk
Jornalistas podem solicitar cópia em HD dessa entrevista. Para isso, entre em contato com Sarah Parkes, pelo telefone: +41 79 599 1439.

Leia a edição de 2013 do State of Broadband Report da UIT, que mostra o ranking de mais de 160 países baseado no acesso e na disponibilidade de banda larga.

Fotos da reunião da Comissão podem ser baixadas pelo Flickr: http://bit.ly/ND4YAk

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A UIT é a agência líder das Nações Unidas para a tecnologia de informação e comunicação. Por quase 150 anos, a UIT tem coordenado e compartilhado mundialmente o uso das transmissões de rádio, promovido a cooperação internacional no lançamento de satélites em órbita, trabalhado para melhorar a infraestrutura das comunicações no mundo em desenvolvimento e estabelecido padrões mundiais que promovam a interconexão perfeita de uma vasta gama de sistemas de comunicação. Das redes de banda larga à nova geração de tecnologias sem fio, navegação aeronáutica e marítima, radioastronomia, meteorologia baseada em satélites, tecnologias de telefonia convergentes fixo-móvel, tecnologias de internet e radiodifusão, a UIT está comprometida em conectar o mundo. www.itu.int

Sobre a UNESCO

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura trabalha para aproveitar o poder do conhecimento e da informação, especialmente por meio das tecnologias de informação e comunicação (TIC), transformar as economias, criar sociedades do conhecimento inclusivas, além de capacitar as comunidades locais, aumentando o acesso, a preservação e o compartilhamento de informação e conhecimento em todas as suas áreas de mandato. Para a UNESCO, essas sociedades do conhecimento devem ser construídas sobre quatro pilares: liberdade de expressão, acesso universal à informação e ao conhecimento, respeito pela diversidade cultural e linguística, e educação de qualidade para todos. Saiba mais em: www.unesco.org




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