10.05.2019 - UNESCO Office in Brasilia

Desafios de megacidades relacionados à água e à mudança climática são discutidos em evento em São Paulo

Mais de 100 representantes de megacidades latino-americanas (Bogotá, Buenos Aires, Cidade do México, Rio de Janeiro, São Paulo, Lima e Santiago), de operadores das áreas de água e saneamento, e de universidades se encontraram em São Paulo, nesta semana, para discutir desafios e soluções relacionados à gestão da água diante da mudança climática, assim como para debater a criação e a implantação de uma Aliança Regional de Megacidades para a Água e o Clima. A Conferência América Latina: Megacidades, Água e Mudança Climática aconteceu na Prefeitura de São Paulo, no auditório do Ed. Matarazzo (Viaduto do Chá, 15 – Centro, São Paulo – SP), nos dias 07 e 08/05/2019.

A conferência foi realizada pela Sede da UNESCO, pelo Escritório Regional da UNESCO para Ciências na América Latina e Caribe (UNESCO em Montevidéu) e pelo Escritório da UNESCO no Brasil, no âmbito do Programa Hidrológico Internacional da UNESCO (IHP, na sigla em inglês). O evento contou com a parceria da organização Governos Locais para a Sustentabilidade (ICLEI), da Associação de Pesquisa e Governos Locais sobre Água (ARCEAU Île-de-France) e do Sindicato Interdepartamental de Saneamento da Região Metropolitana de Paris (SIAAP, na sigla em francês). A conferência também teve o apoio da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Prefeitura de São Paulo.

“Estamos aqui hoje para estabelecermos uma plataforma de cooperação entre as megacidades para que elas encontrem juntas as soluções para a gestão dos recursos hídricos e o fornecimento de serviços relacionados, que estão enfrentando desafios que são exacerbados devido à mudança climática. A ideia é que as megacidades produzam e troquem conhecimentos para solucionar seus problemas em relação a sua mais básica segurança hídrica”, explica o especialista do Programa Hidrológico Internacional da UNESCO, Alexandros Makarigakis.

O diretor-geral da SIAAP, Joakim Giacomoni-Vincent, concorda e alerta que “todos os países têm problemas similares quando falamos sobre água e mudança climática. Há dez anos estamos falando sobre isso como um problema futuro, e agora estamos tendo que resolvê-lo”.

No primeiro dia de evento, participantes discutiram os desafios atuais e futuros da mudança climática que impactam a segurança hídrica na região da América Latina e Caribe, os riscos para suas atividades econômicas e estabilidade social, e as possíveis soluções para essas questões. As megacidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Santiago e Bogotá apresentaram os seus sistemas de água e saneamento, desafios atuais, questões emergentes e formas de planejar e gerir a água no futuro.

Para o diretor da ARCEAU Île-de-France, Jean-Claude Deutsch, “para além das especificidades de cada megacidade, existem alguns pontos macros em comum, e a preocupação com os recursos hídricos é um desses pontos”.  Os representantes das cidades concordaram que embora tenham características específicas, as soluções para garantir segurança hídrica nas megacidades podem ser compartilhadas. Em São Paulo, por exemplo, “por estar longe do mar, de lagos e de rios caudalosos, a cidade acaba se tornando um grande laboratório de ideias para fornecer água segura para a população”, explicou o secretário executivo de Relações Internacionais do município, Luiz Álvaro.

O diretor de Regulação da ANA, Oscar Cordeiro Netto, acredita que “a distribuição dos recursos hídricos é um desafio em todo o Brasil, pois apesar de termos abundância de água doce, grande parte da população sofre com a escassez de água”. Para ele, esse fato ainda pode gerar e agravar conflitos, pois “a demanda por água deve aumentar 30% nos próximos 20 anos no país”.

No segundo dia, um grupo restrito de especialistas conheceu melhor o funcionamento da Aliança de Megacidades para a Água e o Clima (MAWAC, na sigla em inglês) e discutiram o Termo de Referência para uma aliança regional na América Latina e Caribe. Eles concordaram com a criação desta aliança e a ideia é que, daqui para frente, ela melhore a Cooperação Sul-Sul entre as megacidades latino-americanas e caribenhas, nos campos relacionados a pesquisa, soluções técnicas, educação, informação e políticas públicas relacionadas à gestão hídrica.

Para o presidente da Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Benedito Braga, “os grandes impactos das mudanças climáticas se fazem sentir no setor dos recursos hídricos. Seja pelas enchentes mais intensas e frequentes, seja pelas secas mais prolongadas e frequentes. A agenda da adaptação é fundamental e, nesse contexto, uma aliança para tratar do tema mudanças climáticas e água é extremamente importante”.

“Soluções criativas e inovadoras, capazes de aglutinar meios e recursos para melhorar a vida nas megacidades devem estar nas nossas mesas de discussão. A aliança das megacidades se torna uma ferramenta inteligente para a gestão hídrica em cenários de mudanças climáticas”, avalia o secretário executivo do Comitê Gestor dos Serviços de Água e Esgoto da Capital Paulista, Marco Palermo. O secretário-executivo do ICLEI, Rodrigo de Oliveira Perpétuo, complementa dizendo que “a cooperação multinível e multi-atores é o caminho para o fortalecimento de uma aliança regional para a gestão das águas nas megacidades”. 

A conferência forneceu uma oportunidade de diálogo entre os envolvidos com questões relacionadas à gestão da água e à mudança climática na região da América Latina e Caribe, e de preparação para a 2ª Conferência Internacional sobre Megacidades, Água e Mudança Climática (EauMega 2020), que acontecerá na Sede da UNESCO, em Paris (França), no próximo ano.

Informações para a imprensa:

• Sede da UNESCO

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Alexander Otte, a.otte@unesco.org, +33145680418

• UNESCO no Brasil

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