27.02.2014 - UNESCO Office in Brasilia

Patrimônios Culturais devem ser salvos das novas “guerras do século XXI”

Organizada pela Universidade das Nações Unidas (UNU), a Conferência Guerras do Século XXI – 2000-2014, que ocorreu na UNESCO em 27 de fevereiro, examinou como a comunidade internacional deve responder às “novas guerras” do nosso tempo.

Para a UNESCO, a paz não é o resultado de um tratado, mas, sim, parte de uma cultura mundial, fundamentada no respeito mútuo, no entendimento e no diálogo. Escrita em 1945, a Constituição da UNESCO se inicia com palavras que nada perderam do seu impacto: “Uma vez que as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é nas mentes dos homens que devem ser construídas as defesas da paz”. Atingir o progresso verdadeiro no desenvolvimento e na paz requer um avanço verdadeiro no conhecimento e nas capacidades humanas. Isso significa desenvolver totalmente os talentos de cada pessoa, começando com a educação, a ciência, a cultura, a comunicação e a informação.

Uma das questões mais difíceis diz respeito ao papel das intervenções internacionais em resgatar populações ameaçadas. Mesmo que a Cúpula Mundial das Nações Unidas de 2005 tenha estabelecido a responsabilidade de proteger, o uso da força ainda permanece uma questão sensível.

Os líderes que participaram da conferência da UNU "21st Century Wars – 2000-2014" são personalidades que vêm exercendo papéis proeminentes na resolução de várias crises da década passada, incluindo Bernard Kouchner (ex-ministro das Relações Exteriores e Europeias da França, e criador da teoria do “dever de intervir”), Fatou Bensouda (promotor da Corte Penal Internacional), Igor Ivanov (ex-ministro das Relações Exteriores da Rússia), Mohamed El Baradei (ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica e laureado com o Prêmio Nobel da Paz), Dominique de Villepin (ex-primeiro-ministro da França), Sergio de Queiroz Duarte (ex-alto representante das Nações Unidas para o Desarmamento), e outros.

Durante o painel de discussões, eles debateram se seria possível “combater o mal”, a responsabilidade de proteger e questões de soberania, assim como novos desafios que a comunidade internacional deve solucionar.

Para a UNESCO, a educação é vital para proteger a dignidade de todos, sem distinção de cor, gênero, nacionalidade, ou identidade étnica ou religiosa. Ela auxilia a conter os extremismos violentos, ao ensinar o respeito à diversidade. Culturas de exclusão não podem mais ser permitidas. Nos conflitos de hoje, a cultura se tornou uma questão de segurança internacional. Quando surge um conflito, a cultura é sempre o alvo escolhido para incentivar o ódio e impedir a reconciliação. Por exemplo, em Sarajevo, entre 1992 e 1995, beligerantes atacaram livros, bibliotecas e placas de rua, com o objetivo de desestruturar as bases da vida que uniam pessoas de diferentes culturas. “Destruir a cultura prejudica as sociedades no longo prazo. Isso as priva dos bancos de memória coletiva, bem como de preciosos ativos sociais e econômicos”, escreveu a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova

Como uma resposta imediata aos danos causados pelo incêndio ocorrido em 7 de fevereiro, a UNESCO enviou especialistas para recuperar as coleções dos Arquivos da Bósnia e Herzegovina.

Hoje, três Sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO na Síria – Palmira (Tadmor), o Krak dos Cavaleiros e Alepo, incluindo a Cidadela de Alepo – estão sendo usados para fins militares, o que os coloca em risco de destruição iminente e irreversível. “O dano ao patrimônio cultural é um golpe contra a identidade e a história do povo da Síria – é um golpe contra o patrimônio universal da humanidade… Eu apelo a todas as partes do conflito da Síria para se absterem de usar propriedades culturais ou seus arredores para quaisquer propósitos militares. Tudo isso deve ser parte de um esforço maior para acabar com a violência, proteger a vida humana e buscar a paz”, disse a diretora-geral em 20 de fevereiro. Dois dias depois, o Conselho de Segurança das Nações Unidas publicou uma resolução, convocando “todas as partes para acabar imediatamente com toda a violência que tem causado sofrimento humano na Síria, salvar o rico mosaico social e o patrimônio cultual sírios, além de tomar medidas adequadas para garantir a proteção dos Sítios do Patrimônio Mundial do país”. A melhor forma de proteger o patrimônio cultural em situações de conflito é fazer o máximo para evitar tais conflitos e tornar esse patrimônio um pilar para a construção da paz.




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