13.06.2013 - Culture Sector

Cultura é crucial para a agenda internacional de desenvolvimento, conclui debate da ONU

© UNESCO/Eliot Minchenberg -UNESCO Director-General, Irina Bokova, speaking at the UN General Assembly High-Level Thematic Debate on Culture and Development, June 2013.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a administradora do PNUD, Helen Clark, e ministros de Relações Exteriores e de Educação de vários países pediram que a cultura tivesse prioridade máxima na agenda global para o desenvolvimento pós-2015. O apoio irresistível à cultura como pilar central de Desenvolvimento surgiu durante um debate temático sobre o assunto iniciado pelo presidente da 67a sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Vuk Jeremić, na sede das Nações Unidas em Nova York.

“Precisamos agradecer ao poder da cultura ao formarmos uma nova agenda global em seguimento a 2015”, disse o diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, em seu discurso para cerca de 250 participantes. “Nenhuma sociedade pode brilhar sem a cultura e não há desenvolvimento sustentável sem ela”.

Irina Bokova lembrou que a cultura foi amplamente esquecida nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em 2000. Vários palestrantes que discursaram em seguida afirmaram que muito mudou desde então e forneceram evidências de seus próprios países para mostrar como a cultura está promovendo crescimento econômico, inclusão social, igualdade e desenvolvimento sustentável.

Eles também destacaram a necessidade de se desenvolver dados estatísticos para informar à política mundial sobre o impacto da cultura no desenvolvimento humano. “Atualmente, a informação não é regularmente coletada, não é padronizada e, portanto, não é comparativa. Sem a informação adequada, o público continuará desvalorizando as contribuições da cultura. Se vamos fazer uma mudança de paradigma, precisaremos da atenção global na cultura com estatísticas relevantes”, disse Frank Anthony, ministro de Cultura, Juventude e Esportes da Guiana.

As experiências compartilhadas pelos ministros abrangeram as indústrias culturais, infraestrutura, turismo, patrimônio cultural, tradições orais sustentáveis, preservação das línguas, prevenção de violência entre jovens, desenvolvimento e inovação da educação artística, pensamento crítico e criativo sustentável, promoção de coexistência pacífica em crescentes sociedades multiculturais e em processos de unidade nacional. 

Os participantes destacaram que, apesar da crise econômica e financeira, a cultura se mantém como um setor forte e viável economicamente, gerando rendas e empregos, além de estar contribuindo com a redução da pobreza em vários países, e de contribuir com uma porção do crescimento do PIB em economias emergentes. Por exemplo, em 2012, a produção cultural contribuiu com 3,8 % do PIB da Argentina; gerando $56 milhões a cada ano, portanto, este setor excede bastante a contribuição das indústrias pesqueira e de recursos naturais.

O alto-representante da Aliança das Civilizações, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, e o presidente da Assembleia Geral da ONU, Vuk Jeremić, ambos levantaram a forte ligação entre a cultura e a construção da paz, enfatizando que a cultura proporciona às pessoas e às comunidades um forte senso de identidade e pertencimento, e por isso a necessidade de garantir que ela seja integrada aos currículos educacionais. Vários outros ministros manifestaram a necessidade por estratégias e políticas de desenvolvimento para a construção de identidade multiétnica, multilíngue e multicultural como uma característica determinante de muitos países, e expressaram a intrínseca ligação entre cultura, equidade e justiça social. 

O G-77 e a China, a União Europeia e a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) pediram uma referência explícita à cultura como um fator capaz de viabilizar e conduzir ações rumo ao desenvolvimento na agenda pós-2015, enfatizando que ela tem papel central na aceleração dos ODM, assim como destaca a Declaração de Hangzhou (maio de 2013).
O debate na Assembleia Geral da ONU foi seguido por uma sessão ministerial informal visando áreas específicas para reportar às futuras deliberações de alto nível para definir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

No mesmo dia, Irina Bokova foi convidada a interagir com o Grupo de Trabalho Aberto (Open Working Group – OWG) para os ODS durante um café da manhã de trabalho organizado pela Representação Permanente da Hungria na ONU, co-presidente da OWG nos ODS, para discutir alvos-chave na educação e na cultura. Os Estados-membros referiram-se a um plano de aceleração dos ODM do PNUD em relação à Educação para Todos, enquanto traçam a necessidade de integrar a qualidade da educação e dedicam atenção adequada aos resultados de aprendizagem. Os Estados-membros também concordaram em determinar um grupo de ações encarregado a definir maneiras e meio de refletir a cultura como um fator capaz de viabilizar a sustentabilidade na agenda global de desenvolvimento.

“Ao darmos este último empurrão, e ao definirmos os contornos da agenda de desenvolvimento pós-2015, não é suficiente determinar alvos globais para todos – precisamos adaptá-los a cada contexto”, concluiu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em seu discurso na Assembleia Geral. “Muitos programas de desenvolvimento bem-intencionados têm fracassado por que não levaram em consideração os fatores culturais. Precisamos identificar novos modelos de participação. A cultura está no topo dessa agenda”.

Contato para a imprensa:

Petra van Vucht Tijssen
p.van-vucht-tijssen(at)unesco.org
Setor de Cultura
UNESCO
Paris




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