22.10.2014 - UNESCO Office in Brasilia

Para Mulheres na Ciência 2014 premia jovens cientistas brasileiras

Cerimônia realizada no dia 21 de outubro, no Copacabana Palace, Rio de Janeiro, reuniu jovens cientistas brasileiras premiadas com bolsa de 20 mil dólares. Mesa-redonda com vencedoras das edições anteriores e premiadas internacionais discutiu o papel da mulher no mercado científico.

Nesta terça-feira, dia 21 de outubro, o Copacabana Palace foi palco da cerimônia de entrega do prêmio Para Mulheres na Ciência, uma parceria da L’Oréal com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Em sua nona edição, o programa segue fiel ao seu princípio de que a ciência é a chave para solucionar os enormes desafios do mundo atual e mudá-lo para melhor.

A premiação reconhece e promove as cientistas brasileiras e garante visibilidade ao trabalho das sete pesquisadoras contempladas, além de oferecer condições favoráveis para a continuidade dos seus projetos através de um auxílio financeiro. Cada pesquisadora recebeu uma bolsa-auxílio no valor equivalente, em reais, a US$ 20 mil.

As sete cientistas vencedoras deste ano foram: Manuella Pinto Kaster e Patrícia de Souza Brocardo, de Santa Catarina; Maria Carolina de Oliveira Rodrigues e Ludhmila Abrahão Hajjar, de São Paulo; Letícia Faria Domingues Palhares, do Rio de Janeiro; Ana Shirley Ferreira da Silva, do Ceará; e Carolina Horta Andrade, de Goiás. Nesta edição, foram inscritos mais de 300 trabalhos.

“Nada é mais fascinante para uma empresa de beleza inovadora do que contribuir para que a Ciência ganhe força pelas mãos das mulheres. As vencedoras desta edição são merecedoras de todo nosso reconhecimento e admiração. Seus relevantes estudos nas mais diferentes áreas de pesquisa propõem grandes avanços em prol da ciência”, explica Didier Tisserand, presidente da L’Oréal Brasil.

A UNESCO estava representada pelo Coordenador do Setor de Ciências Naturais da UNESCO no Brasil, Ary Mergulhão. E a Academia Brasileira de Ciências (ABC), pelo seu presidente, Jacob Palis.

“Diante do número equilibrado de homens e de mulheres pesquisadores no Brasil hoje, e também considerando que há aproximadamente 10 anos o Brasil forma mais doutoras do que doutores, alguns desafios ainda se impõem: 1º a continuidade da crescente qualidade do trabalho desenvolvido pelas cientistas; o 2º o reconhecimento da sociedade por esse trabalho, e 3º. a conquista de maior espaço institucional pelas mulheres cientistas nos fóruns estratégicos e de gestão da ciência no Brasil”, afirma Ary Mergulhão, coordenador de Ciências Naturais da UNESCO no Brasil.

“O Prêmio é um dos mais importantes do mundo no incentivo à participação das mulheres na ciência, que é essencial. A ABC também procura estimular cada vez mais a entrada delas no meio científico, por isso, cerca de 15% dos nossos membros titulares são mulheres – índice mais alto do que o de algumas das principais Academias de Ciências do mundo.”, explica o presidente da ABC, Jacob Palis.

Além da solenidade, este ano a L’Oréal trouxe uma novidade para aquecer a discussão em torno da Ciência e da presença das mulheres neste mercado. Na terça-feira (21/10), além da cerimônia de entrega dos prêmios, foi promovida uma mesa-redonda para a troca de informações e experiências entre cientistas em diferentes níveis de carreira e de vida. Estiveram presentes vencedoras de todas as edições do Para Mulheres na Ciência, estudantes, representantes da UNESCO e da ABC e jornalistas especializados.

Para mais informações sobre as cientistas e sobre o prêmio, acesse o site http://loreal.abc.org.br/fellows2014.asp.

Programa já beneficiou mais de 60 cientistas brasileiras

Desde 2006, cientistas são escolhidas pela qualidade e pelo potencial de suas pesquisas desenvolvidas em instituições brasileiras. São projetos que ajudam a mudar o mundo, colocando as mulheres na linha de frente do conhecimento e fomentando sua participação no tão concorrido cenário científico. O Para Mulheres na Ciência já beneficiou 61 jovens cientistas no país (incluindo as sete vencedoras de 2014), distribuindo US$ 1,2 milhão em bolsas-auxílio (aproximadamente R$ 3 milhões).

O júri do Programa L’Oréal-UNESCO For Women in Science é presidido pelo Prof. Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e composto por membros da ABC, UNESCO no Brasil e L’Oréal Brasil. As inscrições para o prêmio aconteceram de março a maio e a revelação dos projetos selecionados, em agosto.

O Mundo Precisa da Ciência, A Ciência Precisa das Mulheres - menos de 1 pesquisador em 3 é mulher

Grandes passos foram dados nas últimas décadas, mas ainda hoje há bem menos mulheres que homens obtendo doutorado em ciências e ocupando cargos de liderança em laboratórios, universidades e instituições de pesquisa. Na contramão do cenário científico global, onde as mulheres são desencorajadas a seguir na ciência e são sub-representadas no alto escalão das profissões científicas, o Grupo L’Oréal tem as mulheres como grande maioria no seu time de Pesquisa: elas são 70%.

É o que confirma o relatório internacional encomendado pela Fundação L’Oréal para a Boston Consulting Group que mostra que, desde o final dos anos 90, a porcentagem de mulheres na pesquisa científica aumentou apenas 12%. A pesquisa concluiu também que menos que de 1 pesquisador em 3 é mulher. A inevitável conclusão é que a equivalência entre homens e mulheres pesquisadoras pouco melhorou.

Olhando ao longo da carreira, podemos observar que apenas 32% das bachareladas em Ciências são mulheres. Essa proporção cai para 30% em mestrados e 25% para doutorados.

Sobre o For Women in Science

Lançado em 1998, o For Women in Science, fruto de uma parceria entre a Fundação L’Oréal e a UNESCO, foi o primeiro prêmio dedicado às cientistas mulheres em todo o mundo. A cada ano, cinco notáveis pesquisadoras, uma por continente, são laureadas no programa. Ao longo dos últimos 16 anos, 82 cientistas de diferentes continentes, incluindo duas que foram depois vencedoras do Prêmio Nobel, foram premiadas em cerimônias que acontecem anualmente, na França. Cinco brasileiras foram premiadas na edição Internacional: Mayana Zatz, geneticista da USP; Belita Koiller, física da UFRJ; Lucia Previato, biomédica da UFRJ, a astrofísica Beatriz Barbuy, da USP, e a física Marcia Barbosa, da UFGRS, vencedora do prêmio em 2013.
Além do reconhecimento às grandes cientistas mundiais, o programa, em seus desdobramentos internacional e regionais, já incentivou mais de 2.000 mulheres de 115 diferentes países a darem continuidade às suas carreiras e seus importantes projetos de pesquisa. (Fonte: L’Oréal Brasil)

Fotos do evento no Twitter: @mulhernaciencia

Conheça os projetos das sete cientistas premiadas este ano

O programa For Women in Science contempla estudos de diversas linhas de pesquisa, segundo as categorias de Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde; Ciências Físicas; Ciências Matemáticas; e Ciências Químicas. Conheça aqui os projetos das cientistas vencedoras da edição 2014:

- Manuella Pinto Kaster - “Marcadores moleculares e bioquímicos em saúde mental: foco na manifestação e severidade dos sintomas e comportamentos observáveis em pacientes com depressão”.

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Doutora em Neurociências pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pela Universidade de Coimbra (PT), e pós-Doutora pela Universidade de Coimbra (PT) e no McGovern Institute for Brain Research (Massachusetts Institute of Technology, MIT, Cambrigde), é professora do departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Manuella desenvolveu seu estudo na área de Ciências Biomédicas, com foco no envolvimento de marcadores moleculares e bioquímicos, mecanismos que ajudam na identificação e no tratamento de doenças psiquiátricas, como a depressão.

- Patrícia de Souza Brocardo - “Efeitos do consumo de álcool durante a gestação na neuroplasticidade hipocampal adulta: Busca de Novos alvos Terapêuticos”.

Formada em Fisioterapia pela Fundação Universidade de Blumenau (FURB), Mestre e Doutora em Neurociências pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pela Universidade de Coimbra (PT), e pós-Doutora pela Universidade de Victoria, no Canadá, é professora adjunta do departamento de Ciências Morfológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Patrícia desenvolveu um projeto na área de Ciências Biológicas que busca evidenciar os efeitos benéficos da atividade física para estimular a produção de neurônios de maneira a minimizar as sequelas do álcool no cérebro.

- Maria Carolina de Oliveira Rodrigues - “Pesquisa de Anticorpos Anti-HLA em Pacientes com Diabetes do Tipo 1 Tratados com Células Mesenquimais”.

Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), Mestre e Doutora em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo e pós-Doutora pela University of South Florida, nos Estados Unidos, é Professora Doutora da Divisão de Imunologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). Maria Carolina desenvolveu um trabalho na área de Terapia Celular e investiga o desenvolvimento de anticorpos, em pacientes diabéticos, contra as células mesenquimais (um tipo de célula-tronco) de doadores e, ainda, se os pacientes pós-transplante de medula óssea e com o sistema imunológico deprimido são capazes de produzir tais anticorpos.

- Ludhmila Abrahão Hajjar - “Balão de contrapulsão intraaortico eletivo em pacientes de alto risco submetidos à cirurgia cardíaca: Estudo prospectivo e randomizado”.

Doutora pela Faculdade de Medicina da USP, atualmente trabalha no Departamento de Cardiopneumologia do Instituto do Coração (Incor). Ludhmila Maria Carolina desenvolveu um estudo sobre o uso do balão intraaórtico — dispositivo usado para aumentar o fluxo de sangue que chega até as artérias, melhorando a irrigação e o desempenho cardíaco — para reduzir as complicações clínicas e a mortalidade dos pacientes graves submetidos à cirurgia cardíaca.

- Letícia Faria Domingues Palhares – “Da Cromodinâmica Quântica à Natureza: caminhos em construção”.

Formada em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre e Doutora em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Institut de Physiqye Théorique do CEA-Saclay, na França; e pós-Doutora pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é bolsista do programa de Atração de Jovens Talentos (Nível A) na UERJ. Letícia produziu um trabalho para desvendar as propriedades mais íntimas da matéria e quais formas ela pode adquirir se exposta a condições extremas e variadas (como as existentes logo após a grande explosão que deu origem ao universo). Experimentos neste sentido também vêm sendo realizados em laboratórios dos Estados Unidos e da Suíça, e em breve devem ser realizados na Alemanha e na Rússia. O esforço conjunto da comunidade científica permitiu a descoberta de um novo estado da matéria e pode, a longo prazo, dar origem a materiais com propriedades extraordinárias, possivelmente revolucionando a tecnologia de gerações futuras.

- Ana Shirley Ferreira da Silva – “A Conjectura de Erdos-Faber-Lovász e a b-coloração de grafos com cintura alta”.

Formada em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Mestre em Ciências da Computação pela Université Joseph Fourier, na França, Ana Shirley é especialista em combinatória, área da matemática com ênfase na computação e que agora ganha destaque na matemática pura. Produziu um trabalho focado na coloração de grafos — estruturas que podem modelar desde o mapa de estrada de um país, até um sistema de empacotamento ou de escalonamento de tarefas — e na verificação da validade da Conjectura de Erdos-Faber-Lovász, proposta há mais de três décadas e ainda não demonstrada.

- Carolina Horta Andrade - “Planejamento e identificação de novos candidatos a fármacos e metalofármacos multialvo para Leishmaniose utilizando estratégias integradas em Química”.

Formada em Farmácia pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e Doutora em Fármacos e Medicamentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e pela University of New Mexico, nos Estados Unidos, é professora adjunta da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Carolina desenvolveu um estudo na área de Ciências Químicas sobre novos medicamentos, mais eficazes e de baixo custo à população, para tratamento da Leishimaniose, doença tropical causada por parasitas, que se manifesta na pele e afeta mais de 12 milhões de pessoas, principalmente de baixa condição socioeconômica.

 




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