14.03.2012 - UNESCO Office in Brasilia

A alta demanda e a mudança climática ameaçam os recursos hídricos em âmbito mundial

Paris, 28 de fevereiro – Um aumento sem precedentes na demanda

mundial de água ameaça os principais objetivos de desenvolvimento, adverte a última edição do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos (WWDR4), intitulado “A gestão da água em um contexto de incerteza e de risco.

 

A maior demanda de alimentos, a rápida urbanização e a mudança climática exercem uma crescente pressão sobre este recurso. Frente a esta situação, é necessário repensar por completo sua gestão, conclui o relatório, lançado em 12 de março no Fórum Mundial da Água de Marselha pelo presidente do ONU‐Água, Michel Jarraud, e pela diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova.

A água doce não está sendo usada de maneira sustentável, de acordo com as necessidade e demandas, assegura Irina Bokova no prefácio do relatório. “Informações exatas continuam discrepantes e a gestão da água é feita de forma fragmentada. Neste contexto, o futuro é cada vez mais incerto e é bastante possível que os riscos venham a ser maiores”.

“Os desafios, os riscos e as incertezas que surgem frente ao desenvolvimento sustentável e aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas exigem a resposta coletiva da comunidade internacional”, declara Michel Jarraud. “O ONU‐Água levará as mensagens mais importantes deste Relatório à Conferência Rio+20, que acontece em junho de 2012”.

Segundo o relatório, pessoas em diferentes do mundo têm acesso à água potável – 86% da população dos países em desenvolvimento o terão até 2015. Todavia, hoje, um bilhão de pessoas não têm esse acesso nas cidades, e esta cifra está aumentando. As infraestruturas sanitárias não seguem o ritmo da avaliação urbana mundial, cuja população, segundo as previsões, quase se duplicará até 2050 para alcançar 6.300 milhões de pessoas. Além disso, atualmente, mais de 80% das águas fornecidas não é se coletada e nem é tratada.

Ao mesmo tempo, o Relatório estima que o mundo necessitará de 70% a mais de alimentos até a metade do século, com uma demanda crescente de produtos de origem animal. Este aumento na demanda alimentar poderá traduzir-se em um aumento de 19% de água utilizada pelo setor agrícola, que já representa 70% do consumo mundial. Os autores do relatório alertam que estas cifras poderão aumentar ainda mais se nos próximos anos não houver melhora significativa no rendimento agrícola.

Para responder ao aumento contínuo na demanda, recorre-se cada vez mais às águas subterrâneas. O resultado desta “revolução silenciosa” é que as extrações desta água têm triplicado nos últimos 50 anos. Algumas destas fontes subterrâneas, não renováveis, já alcançam níveis críticos. Frente ao aumento das necessidades agrícolas, muitos países já começaram a comprar terras férteis fora de sua jurisdição, em particular na África. A compra de terras transnacionais já passou de 15‐20 milhões de hectares em 2009 para mais de 70 milhões atualmente. E o abastecimento de água nunca aparece mencionado de maneira explícita nos acordos firmados entre países.

Os riscos relacionados à água já representam 90% das catástrofes naturais, e sua frequência e intensidade continuam aumentando. Os autores do Relatório estimam que a produção agrícola do sul da Ásia e da África austral serão as mais afetadas pela mudança climática até 2030. Prevê-se, por último, que o estresse hídrico do centro e do sul da Europa continuem acentuando-se até 2070 para afetar um total de 44 milhões de pessoas.

O Relatório prevê que estas pressões exacerbem as disparidades entre países, e também entre diferentes setores e regiões dentro dos países. Muito deste ônus, diz o relatório, recairá sobre os mais pobres. A falta crônica de financiamento não tem permitido aos gestores de recursos hídricos fazerem as adaptações necessárias. Caso não se dê à água uma atenção central nos projetos de desenvolvimento, bilhões de pessoas, em especial nos países em desenvolvimento, poderão ver-se confrontadas a menos meios de subsistência e menores oportunidades de vida. Portanto, faz-se necessária uma melhor governança dos recursos hídricos, incluindo investimentos dos setores público e privado em infraestruturas.

O Relatório é fruto do esforço coletivo dos organismos membros do ONU‐Água e seus associados, implementado por meio do Programa Mundial de Avaliação Recursos Hídricos.

Está prevista para o dia 12 de março às 17hs uma coletiva de imprensa sobre o Relatório no Fórum Mundial de Água (Jardín 1, Palacio de Congressos) com a presença de Irina Bokova e Michel Jarraud.

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Informações detalhadas

Contatos para a imprensa:

Agnès Bardon, serviço de imprensa da UNESCO. Tel: +33 (0) 1 4568 1764. E-mail: a.bardon(at)unesco.org
Hannah Edwards, Programa de Avaliação dos Recursos Hídricos. Tel: +39 075 591 1009. E-mail: h.edwards(at)unesco.org
Simona Gallese, Programa de Avaliação dos Recursos Hídricos. Tel: + 39 075 591 1026. E-mail: s.gallese(at)unesco.org




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