10.10.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Dia Internacional para a Redução de Desastres - um lembrete constante acerca da nossa vulnerabilidade diante de perigos naturais

Mensagem de Irina Bokona, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional para a Redução de Desastres: viver com deficiência e desastres, 13 de outubro de 2013.

Sabemos que o número de desastres naturais tem crescido em frequência, complexidade, escopo e capacidade de destruição. Também sabemos que, uma vez que não podemos impedir a ocorrência desses desastres, podemos fazer mais para prevenir e mitigar seus impactos.

Isso significa pensar no longo prazo. Sistemas de alertas e esforços humanitários continuam sendo essenciais – mas também precisamos focar nas vulnerabilidades e nos riscos subjacentes, a fim de intensificar a resiliência. A redução de riscos de desastres naturais deve ser integrada em planos de desenvolvimento e em estratégias de intervenção, e deve ser dada maior atenção à educação e à capacitação, as quais podem salvar e manter vidas durante e após emergências.

Todos os nossos esforços devem incluir pessoas com deficiência. Representando cerca de dez por cento da população mundial, por volta de 650 milhões de pessoas, essas mulheres e homens são, muitas vezes, negligenciados durante todo o ciclo de gestão de catástrofes, especialmente na fase de resposta, e muito raramente são considerados atores importantes – mesmo que frequentemente sejam os mais expostos. Para seguir adiante, devemos continuar a ter como guia a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que determina que pessoas com deficiência sejam beneficiadas pelas estratégias de socorro, resposta emergencial e redução de riscos de desastres e participem delas. 

Desastres naturais devem ser uma oportunidade para desafiar o preconceito e a discriminação e para "reconstruir melhor", assegurando a inclusão de todas as mulheres e os homens. Adultos e crianças que convivem com deficiências têm papel essencial no reforço da resiliência, antes e após a ocorrência de desastres.

Isso deve incluir apoio ao patrimônio e às expressões culturais. A experiência da UNESCO no apoio ao Carnaval de Jacmel, no Haiti, após o terremoto, demonstra o poder do patrimônio cultural imaterial como uma fonte de força no auxílio à recuperação de comunidades. A ciência, a tecnologia e a engenharia também são importantes para mobilizar o conhecimento necessário para melhor proteger as pessoas com deficiência. A mídia é essencial para facilitar o fluxo de informações entre pessoas com deficiências e atores humanitários em situações de desastre. No Quênia, a UNESCO organizou um Fórum Nacional de Rádios Comunitárias, por ocasião deste Dia Internacional, a fim de possibilitar que os profissionais de mídia e os atores da comunidade troquem conhecimento e experiências.

A educação deve ser uma prioridade estratégica. Esse é o motivo pelo qual a UNESCO está desenvolvendo iniciativas para redução inclusiva de riscos de desastres em escolas no mundo inteiro. Também criamos um portal na internet para possibilitar que pessoas com deficiência possam exercer seu direito de acesso ao melhor conhecimento possível, a fim de se protegerem. No Paquistão, por exemplo, a UNESCO desenvolveu, em escolas, planos de ação específicos em cada província, abrangendo as necessidades de pessoas com deficiência com novos arranjos institucionais para integrar a Redução de Riscos de Desastres ao setor de educação.

As sociedades não podem ser resilientes, se não são inclusivas. Neste Dia Internacional de Redução de Desastres , faço um apelo a todos os governos e atores relevantes para que juntem forças, a fim de integrar as preocupações de pessoas com deficiência a todos os esforços para reduzir os riscos de desastres.




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