25.01.2019 - UNESCO Office in Brasilia

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Mensagem de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, 27 de janeiro de 2019

Hoje, a UNESCO comemora a descoberta, realizada por tropas soviéticas, do campo de concentração e extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

O maior complexo de campos de concentração na Europa ocupada, Auschwitz-Birkenau é um sítio de memória para muitos dos grupos perseguidos pela Alemanha nazista. Auschwitz-Birkenau também foi o maior centro de assassinatos em escala industrial, construído para implementar o genocídio dos judeus da Europa. Dos cerca de 1,1 milhão de indivíduos que foram assassinados lá, quase 1 milhão eram judeus, mortos simplesmente porque nasceram judeus.

O Holocausto foi o produto de uma ideologia de racismo biológico, do qual um elemento central era o ódio aos judeus. Ele também foi resultado de políticas de conquista e perseguição que assolaram a Europa e o mundo na guerra mais mortífera de toda a história da humanidade.

Paradoxalmente, mesmo com o avanço das pesquisas a respeito desse fatídico episódio histórico, ainda existem aqueles que insistem em contestar a verdade. As pessoas que negam o Holocausto em todo o mundo continuam a espalhar a desinformação nas mídias sociais. Na Europa, há até quem se envolva em uma retórica ofensiva que contesta a participação de populações e autoridades locais no massacre, desafiando fatos incontroversos. Outros acusam “os judeus” de explorar o Holocausto visando a ganhos financeiros e políticos, em benefício do Estado de Israel, por exemplo. Após três gerações, preservar a memória do Holocausto significa continuar a luta contra o antissemitismo, cujos proponentes mancham, de forma consistente, a memória dos mortos com o objetivo de atacar os judeus no presente.

A preservação dessa memória exige o apoio da pesquisa histórica. Também requer educação sobre a história do Holocausto, assim como de outros genocídios e crimes em massa. As questões levantadas por essa educação são atuais, considerando a propaganda extremista que existe hoje, as teorias da conspiração desprezíveis que são disseminadas nas redes sociais, a erosão das instituições democráticas e o enfraquecimento do diálogo internacional.

Em conjunto com líderes educacionais em todo o mundo, a UNESCO realiza esse trabalho diariamente, por meio da pesquisa e da formação educacional e também por meio das cátedras universitárias da UNESCO, como parte dos programas da Organização de educação para a cidadania global. O Programa Memória do Mundo, que desde 2017 inclui os arquivos do Processo de Frankfurt – ou Segundo Processo de Auschwitz – também faz parte desses esforços.

Entre os documentos protegidos pela UNESCO estão os Arquivos do Gueto de Varsóvia, que foram compilados de forma clandestina pelo Oneg Shabbat, um grupo liderado pelo historiador Emanuel Ringelblum. Este ano, com a exibição mundial do filme “Who Will Write Our History” (“Quem irá escrever a nossa história”, em tradução livre), a UNESCO vai prestar homenagem a esses combatentes da resistência que, das profundezas do inferno, combateram o ódio e a violência com o conhecimento e a cultura. A mensagem de humanidade deles, que perdura muito tempo depois de sua morte violenta, é a razão de ser da UNESCO.
Neste dia de lembrança, eu convido todos os atores nos campos da educação, da cultura e da ciência a redobrar seus esforços no combate a ideologias do ódio e a contribuir para uma cultura de paz.




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