22.11.2016 - UNESCO Office in Brasilia

Seminário internacional incentiva a valorização da prática de jogos e esportes tradicionais

Evento reúne pesquisadores nacionais e internacionais, graduandos e pós-graduandos em Educação Física e representantes de comunidades tradicionais.

Jogos e esportes praticados por nossos antepassados ou por populações tradicionais –  como indígenas, quilombolas, caiçaras e ribeirinhas – fazem parte do vasto patrimônio de cultura imaterial e correm o risco de ser esquecidos se os devidos cuidados não forem tomados. No Brasil, eles são ainda pouco estudados nos cursos superiores de áreas como Educação Física e Ciências Humanas, ainda que tragam bases sólidas para se pensar o esporte de alto rendimento. Eles também permeiam temas como inclusão, cultura, resistência, meio ambiente e lazer. 

Para debater e difundir o assunto, a Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP) realiza – em parceria com a UNESCO, o SESC e a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP –  o II Seminário Internacional de Jogos Tradicionais e Lazer, na própria EEFE, de 23 a 26/11/2016. O Seminário conta com conferência de abertura, mesas-redondas, reunião de trabalho, painel, intervenções culturais, oficina, exposição e Festival de Jogos. A programação e demais informações sobre o evento podem ser acessadas nos seguintes links: http://www.eefe.usp.br/?pagina/mostrar/id/1102 ou https://www.facebook.com/seminariojogostradicionais/.

“Os jogos tradicionais são importantes referências para a educação de um povo. Graças à sua transversalidade, é possível trabalharmos aspectos ligados à cultura, à educação e à identidade de uma nação”, ressalta Fábio Eon, oficial de projeto da área de Ciências Humanas e Sociais da UNESCO no Brasil. 

Ele explica também a importância cultural de jogos, que muitas vezes são reconhecidos como patrimônio imaterial, como é o caso da Capoeira, no Brasil. Para o oficial de projeto da UNESCO no Brasil, o esporte é um veículo poderoso para a inclusão social, a igualdade de gênero e o empoderamento da juventude.

O Seminário busca ampliar a internacionalização em torno do tema e fortalecer o debate na América Latina sobre jogos tradicionais e autóctones. Essa é uma recomendação prevista pela UNESCO na Declaração de Punta del Este (1999, em inglês) e na Carta Internacional da Educação Física, da Atividade Física e do Esporte (2015), que enfatizam a importância tanto da promoção de eventos internacionais sobre o tema quanto da organização de um registro internacional sobre jogos tradicionais em risco de extinção. 

Além de profissionais e estudantes da área de esportes e representantes de comunidades tradicionais, o Seminário também conta com a participação de dois professores colombianos, que irão compartilhar as experiências de seu país. A Colômbia tem apresentado um trabalho significativo na salvaguarda e na valorização dos jogos tradicionais, promovendo festivais em torno do tema.  

Recentemente, outro exemplo de país bem-sucedido na valorização dos jogos tradicionais e modos de vida dos povos autóctones também foi apresentado no Brasil: o México, onde o ensino dos jogos tradicionais se tornou obrigatório no currículo da Educação Física escolar de todo o país.

No evento, a UNESCO também apresenta a Biblioteca Digital Aberta (Open Digital Library – ODL), projeto internacional que visa a utilizar novas tecnologias de comunicação e informação (TICs) para salvaguardar jogos e esportes tradicionais.  As recomendações do II Seminário Internacional de Jogos Tradicionais e Lazer serão levadas ao seminário internacional de especialistas em jogos tradicionais organizado pela UNESCO em Beijing, nos dias 06 e 07/12/2016, com vistas à consolidação de uma plataforma virtual de acesso aberto que servirá como repositório e mecanismo de salvaguarda de jogos e esportes tradicionais.  

Eventos de jogos tradicionais no Brasil

O Seminário a ser realizado nesta semana, em São Paulo, dá continuação às discussões iniciadas durante o I Seminário Internacional de Jogos Tradicionais, realizado em 2012. A primeira edição do Seminário congregou pesquisadores brasileiros, asiáticos, europeus e americanos e gerou duas publicações.

De lá para cá, outros eventos sobre o tema foram realizados no país. Os principais deles foram os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, realizados no ano passado, e o III Encontro Panamericano de Jogos e Esportes Autóctones e Tradicionais (III EPJEAT). Este último contou com a participação de representantes de 10 países do continente americano (Brasil, México, Haiti, Guadalupe, Panamá, Colômbia, Chile, Honduras, Peru e Argentina), nove associações de jogos tradicionais, sete museus de brinquedos e 16 grupos de pesquisa de 21 estados brasileiros.

 

Mais informações:

  • UNESCO

Ana Lúcia Guimarães, a.guimaraes(at)unesco.org, (+55-61) 2106-3536, (+55-61) 99966-3287

Fabiana Pullen, f.sousa(at)unesco.org, (+55-61) 2106-3596




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