21.10.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Itaú Cultural e UNESCO lançam livro "Sociabilidades subterrâneas: identidade, cultura e resistência em favelas do Rio de Janeiro" em São Paulo

Como as comunidades de favelas do Rio de Janeiro estão encontrando formas alternativas de integração, socialização e regeneração social capazes de romper as barreiras da exclusão e da marginalização? A obra é o resultado da pesquisa lançada em 13/09/2012, no Rio de Janeiro, durante o Seminário Internacional Sociabilidades Subterrâneas: Identidade, cultura e resistência em comunidades marginalizadas, cujo objetivo foi de desvendar essas formas de sociabilidades. O lançamento é seguido de debates com as autoras do estudo, e de membros das instituições parceiras Central Única das Favelas – CUFA – e AfroReggae, com mediação de Zeca Carmago

No dia 22 de outubro, próxima terça-feira, às 19h30, o Itaú Cultural e a UNESCO promove o evento de lançamento da publicação "Sociabilidades subterrâneas: identidade, cultura e resistência em favelas do Rio de Janeiro". O livro é resultado de pesquisa realizada pela London School of Economics and Political Science (LSE) – com apoio da representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em parceria com AfroReggae e a Central Única das Favelas (CUFA). O trabalho envolveu interlocutores em universidades, movimentos sociais, governo e iniciativa privada e proporciona um mergulho nas favelas cariocas.

Foram entrevistados 204 moradores das comunidades do Cantagalo, Cidade de Deus, Madureira e Vigário Geral. Também envolveu um estudo sobre as organizações AfroReggae e CUFA, com a análise de 130 projetos de desenvolvimento social e entrevistas com suas lideranças, além de uma avaliação com especialistas, observadores e parceiros das duas entidades no Rio de Janeiro,  entre eles, a polícia.

O trabalho revela as formas de vida social que fazem parte do cotidiano da sociedade brasileira, mas permanecem invisíveis devido a barreiras geográficas, econômicas, simbólicas, comportamentais e culturais. O estudo foi viabilizado pelo Itaú Cultural e a Fundação Itaú Social, os quais, no próprio dia do lançamento, promovem um debate sobre o tema.

As formas alternativas de integração, socialização e regeneração social capazes de romper as barreiras da exclusão e da marginalização encontradas pelas comunidades de favelas do Rio de Janeiro dão o tom à conversa aberta ao público com a coordenadora do estudo Sandra Jovchelovitch, que é pesquisadora chefe e diretora do Mestrado em Psicologia Social da London School of Economics and Political Science (LSE); Jaqueline Priego Hernandez, coautora do estudo; Silvia Ramos, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Celso Athayde, fundador da CUFA; e Washington Luís de Oliveira Rimas, conhecido como “Feijão”, representando o Afroreggae, onde atua como agente de projetos nas comunidades de Vigário Geral e Parada de Lucas.  A mediação é do jornalista Zeca Camargo.

A pesquisa e alguns resultados

O estudo foi lançado no ano passado no Rio de Janeiro durante o Seminário Internacional Sociabilidades Subterrâneas: Identidade, cultura e resistência em comunidades marginalizadas. Ele dá luz às chamadas sociabilidades subterrâneas das favelas, as formas de vida social que fazem parte do cotidiano da sociedade brasileira, mas permanecem invisíveis devido a barreiras geográficas, econômicas, simbólicas, comportamentais e culturais. A pesquisa descobriu que essas sociabilidades subterrâneas são caracterizadas por um quadro institucional complexo, marcado pela família, pelo narcotráfico, pela ausência do Estado, com a polícia sendo sua única face e relacionada ao tráfico de drogas, as igrejas e as ONGs, como o AfroReggae e a CUFA. Entre os resultados, o estudo destaca que:

  • A partir dos anos 1990 novos atores sociais – jovens, negros, moradores em favelas – começam a se fazer presentes na esfera pública com respostas organizadas à pobreza, violência e segregação, desafiando modelos tradicionais de organizações não governamentais e reposicionando a favela na agenda da sociedade brasileira.
  • A família é central para os moradores da favela apesar de ser uma realidade instável em suas vidas. Quase 70% de jovens entre 12 e 17 anos relatam o pai ausente, mais de 25% relatam a mãe ausente e quase 20% relatam pai e mãe ausentes. Avós e mães têm um papel central na estabilização de trajetórias de vida.
  • A centralidade do tráfico de drogas é marca fundamental: durante anos o tráfico foi provedor, legislador e organizador da vida cotidiana na favela, oferecendo um sistema paralelo de códigos comportamentais e uma rota de sobrevivência econômica e profissionalização e definindo o direito à cidade.
  • A polícia é a principal face do Estado, vista pelos moradores da favela como força persecutória e agressiva, uma instituição que não diferencia o residente do traficante de drogas e do criminoso.
  • A segurança é uma questão central no mundo da vida da favela e nas vias de socialização. Existem complexas relações entre os moradores, a polícia e as facções do tráfico.
  • Os moradores da favela vivem em meio a duas leis de segurança: a do tráfico de drogas e a da polícia. Para sobreviver, eles aprendem a reconhecê-las e as adotam dependendo das diferentes situações da vida cotidiana.
  • Os moradores temem mais a vida fora da favela do que dentro dela. O lado de fora é desconhecido, a discriminação e o preconceito estão muito presentes e as regras da cidade são vistas como estranhas e duvidosas.
  • O morador da favela evita cruzar a fronteira morro/asfalto porque a divisão da cidade é vivida pelo indivíduo como fonte de estigma e discriminação.
  • Os residentes da favela falam pouco de direito à segurança. Relatam abusos frequentes da polícia e sabem que muitas vezes são vistos como criminosos.
  • Há pouca referência ao conceito de cidadania e ao fato de que é uma obrigação do Estado oferecer ambientes seguros para os cidadãos.
  • As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) representam uma mudança nas relações entre os moradores de favelas e a polícia. Há um novo diálogo entre a polícia e a comunidade, gerando uma nova sensação de segurança.
  • 93% dos participantes gostam de morar no Rio de Janeiro, mas o vínculo afetivo que liga a favela e a cidade é marcado por representações ambivalentes que veem o Rio como cidade maravilhosa/cidade violenta.
  • Moradores de favelas lidam com a cidade partida desenvolvendo dois conjuntos de representações: a cidade é percebida como um lugar regulado por leis ambíguas onde se é visto como um ‘individuo’ desconhecido; a favela, pelo contrário, tem regras claras onde se é visto como pessoa conhecida, com uma rede de apoio formada pela família e amigos.
  • O residente da favela habita um mundo à parte, com instituições frágeis e a presença de um empreendimento ilegal (o tráfico de drogas) que até recentemente oferecia uma ordem pública paralela ao Estado.
  • A maioria esmagadora da população da favela trabalha, luta para manter-se dentro da legalidade e demonstra determinação para escapar ao apelo do narcotráfico.
  • Resultados mostram que a resistência a atividades criminosas é possível e disseminada no mundo da favela. Essa resistência se apoia sobre andaimes psicossociais que ajudam indivíduos a construir uma identidade positiva e enfrentar as dificuldades do contexto favela, construindo alternativas para suas próprias vidas.

Entre as conclusões e recomendações do estudo estão: a necessidade de investimentos na educação de meninas, na criação de programas de apoio a mulheres e no desenvolvimento de modelos masculinos de identificação, fortalecendo a posição do pai ou outros cuidadores homens na rota da socialização. O estudo sugere ainda o aumento do alcance e da qualidade dos serviços nas favelas, em particular a educação, e que o desenho e a implementação de políticas sociais sejam feitos junto com as organizações da favela. Recomenda-se também que o setor privado entenda a economia da favela e a ética de desenvolver negócios em territórios de exclusão social.

SERVIÇO
Lançamento do livro "
Sociabilidades subterrâneas: identidade, cultura e resistência em favelas do Rio de Janeiro"
Seguido de debate com Sandra Jovchelovitch, Jaqueline Priego Hernandez , Silvia Ramos, Celso Athayde , Washington Luís de Oliveira Rimas (“Feijão”) e mediação de Zeca Camargo
Dia 22 de outubro (terça-feira)
19h às 19h30 : café de boas vindas
19h30: debate
21h: coquetel e autógrafo de livro
Sala Itaú Cultural (219 lugares)
Entrada franca (ingressos distribuídos com 30 minutos de antecedência)
Estacionamento com manobrista: R$ 14 uma hora; R$ 6 a segunda hora; e mais R$ 4 p/ hora adicional
Estacionamento gratuito para bicicletas
Acesso para deficientes físicos
Ar condicionado

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