20.02.2014 - UNESCO Office in Brasilia

Línguas locais para cidadania global: destaque para a ciência - Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional da Língua Materna

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna, 21 de fevereiro de 2014 - Línguas locais para cidadania global: destaque para a ciência.

Há 14 anos, a UNESCO e os seus parceiros celebram o Dia Internacional da Língua Materna. Organizamos atividades, conferências, concertos e seminários em todo o mundo para salientar a importância da diversidade linguística e do multilinguismo.

A proteção e a promoção das línguas maternas são chaves para a cidadania global e o entendimento mútuo autêntico. Entender e falar mais de uma língua leva ao maior entendimento da riqueza das interações culturais em nosso mundo. Reconhecer línguas maternas permite que mais pessoas tenham suas vozes ouvidas e participação ativa em seu destino coletivo. Esse é o motivo pelo qual a UNESCO realiza todos os esforços para promover a coexistência harmoniosa entre 7.000 línguas faladas pela humanidade.

Neste ano, estamos dando ênfase especial nas "Línguas locais para cidadania global: destaque para a ciência", demonstrando como línguas garantem o acesso ao conhecimento, a sua transmissão e a sua pluralidade.

Ao contrário da sabedoria popular, línguas maternas são perfeitamente capazes de transmitir o conhecimento científico mais moderno em matemática, física, tecnologia e assim por diante. Reconhecer essas línguas também significa abrir a porta para uma grande quantidade do muitas vezes negligenciado conhecimento científico tradicional, a fim de enriquecer nossa base global de conhecimento.

Línguas locais constituem a maioria das línguas faladas no mundo no campo das ciências. Elas também são as mais ameaçadas. Excluir línguas significa excluir aqueles que as falam com base no direito humano fundamental ao conhecimento científico.

Apesar disso, a aproximação de povos na "aldeia global" torna o trabalho para o entendimento intercultural e o diálogo ainda mais vital. No mundo de hoje, a regra é fazer uso de, ao menos, três línguas, incluindo a língua materna, uma língua de ampla comunicação e uma língua internacional para comunicação em âmbitos local e global. Essa diversidade linguística e cultural talvez seja nossa melhor chance para o futuro: para a criatividade, a inovação e a inclusão. Não devemos desperdiçá-la.

O Dia Internacional da Língua Materna tem contribuído, por mais de uma década, para destacar os inúmeros papéis desempenhados pelas línguas no desenvolvimento mental, em sentido amplo, e na construção de uma cidadania global na qual nós todos temos os meios para contribuir para as vidas e os desafios das sociedades. Clamo a todos os Estados-membros da UNESCO, à Organização Internacional da Francofonia – que é associada ao Dia em 2014 – àqueles que têm papel ativo na sociedade civil, educadores, associações culturais e mídia, para tirar o máximo dessa promessa de diversidade linguística em prol da paz e do desenvolvimento sustentável.




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