19.12.2017 - UNESCO Office in Brasilia

Nova campanha ajuda cidadãos a reivindicar direito à educação

O Relatório de Monitoramento Global de Educação (GEM) da UNESCO lançou a campanha #QueméResponsável, voltada para o público jovem e que tem como objetivo apoiar que o direito das pessoas à educação seja respeitado.

O Relatório de Monitoramento Global de Educação (GEM) da UNESCO lançou a campanha #QueméResponsável, voltada para o público jovem e que tem como objetivo  apoiar que o direito das pessoas à educação seja respeitado. 

Atualmente, cidadãos de quase metade dos países do mundo são incapazes de levar seus governos à justiça se violado o direito à educação, embora todos os países tenham ratificado pelo menos um tratado de direitos humanos que garante algum aspecto do direito à educação. Este direito também é garantido por 82% das constituições nacionais do mundo, mas apenas 55% dos países permitem que cidadãos levem seus governos aos tribunais por violar o direito à educação. Os cidadãos recorreram a ações legais em apenas 41% dos países até a presente data.

"Os jovens desempenham um papel vital na responsabilização dos governos por uma educação equitativa de qualidade ", disse a Dra. Koumbou Boly Barry, Relatora Especial das Nações Unidas sobre o Direito à Educação. "O Relatório GEM mostra que podemos trabalhar juntos para melhorar os sistemas educacionais e desempenhar nosso papel em atingir nosso objetivo de educação. Junte-se a nós para ajudar a pedir aos governos para que eles assegurem que o direito à educação seja cumprido".

Ação legal contra governos, nos países onde ela é possível, provocou mudanças em leis e políticas injustas. Dessa maneira, o judiciário levou a Colômbia a estabelecer ensino primário e secundário gratuito. Na Argentina, obteve-se um aumento nos gastos com educação pré-primária. Na Índia, foi permitida a inclusão na educação de crianças com HIV/AIDS, enquanto nos tribunais da África do Sul foram obtidas melhorias na infraestrutura escolar.

"Os governos são responsáveis pelo direito à educação", disse Manos Antoninis, diretor do Relatório GEM. "Se os governos não estão fazendo como prometeram, deveríamos ser capazes de reivindicar legalmente nosso direito à educação. Sem isso, os tratados de direito internacional não valem mais do que o papel no qual estão escritos".

A campanha é lançada em conjunto com uma versão do Relatório GEM 2017/8 voltada para o público jovem (link em inglês) sobre Responsabilização, que demonstra o poder da juventude na responsabilização de seus governos pela educação equitativa e de qualidade.

No Chile, os estudantes começaram a protestar contra a privatização e a segregação socioeconômica da educação em 2006. Como resultado, o novo governo introduziu as maiores reformas educacionais em 30 anos, visando a combater algumas das piores consequências da privatização. Em 2016, a isenção da mensalidade foi estendida aos alunos mais pobres que frequentam alguns tipos de instituições de ensino superior.

"Para aqueles estudantes que estão pensando em defender seu direito à educação, não há receita única", disse Camila Cocina, que participou do movimento estudantil no Chile. "A única maneira de desencadear a transformação profunda é organizar-se, pensar coletivamente, identificar as demandas fundamentais e criar impulso por diferentes meios: ocupar as ruas, negociar com as partes interessadas, discutir, convencer e aprender. Em um empreendimento coletivo como esse, todos são necessários, mas ninguém é indispensável".

Os protestos #FeesMustFall (em tradução livre: #TaxasDevemCair) que ocorreram em 2015 na África do Sul foram a maior rebelião nacional de estudantes desde 1976 e denunciaram o fato de que os mais pobres estavam sendo excluídos da ajuda financeira para o ensino superior. Os protestos levaram a um congelamento das mensalidades escolares e a um inquérito sobre possíveis soluções. Um conjunto de recomendações publicado em novembro de 2017 prevê a criação de empréstimos estudantis que só seriam reembolsados quando a renda do graduado atingisse um certo nível.

“O progresso nunca está tão longe quanto se pensa", disse Dylan Barry, que liderou a equipe de pesquisa econômica do protesto estudantil #FeesMustFall (em tradução livre: #TaxasDevemCair) na Universidade da Witwatersrand, na África do Sul, em 2016. "A luta para consertar nosso sistema de ensino superior continua, mas os protestos #FeesMustFall ilustram o poder que os estudantes ainda têm".

Os governos devem garantir que o direito à educação seja respeitado. Pelo menos três condições são necessárias para aumentar a probabilidade de isso acontecer: conscientização pública sobre o direito à educação, apoio legal de organizações da sociedade civil e ação para obter proteção complementar de direitos humanos para pessoas com deficiências e outros grupos vulneráveis.

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O Relatório de Monitoramento Global da Educação (Relatório GEM) é desenvolvido por uma equipe independente e publicado pela UNESCO.  World Education Blog (link em inglês)/ Educación Mundial Blog (link em espanhol)




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