23.09.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Novas estatísticas da UNESCO comprovam que a educação transforma o desenvolvimento

• Se todas as crianças tivessem acesso igualitário à educação, nos próximos 40 anos, a renda per capita aumentaria 23%

 

• Se todas as mulheres tivessem acesso à educação básica, os casamentos precoces e a mortalidade infantil poderiam diminuir em um sexto, e a mortalidade materna em dois terços

 

A educação tem o poder inigualável de reduzir a pobreza extrema e aumentar a abrangência das metas de desenvolvimento, de acordo com os destaques do pré-lançamento do próximo Relatório de Monitoramento Mundial da Educação para Todos da UNESCO. A análise é lançada à frente das discussões da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015. Os destaques fornecem novas evidências de que investir em educação, principalmente para meninas, reduz a pobreza extrema ao garantir benefícios substanciais para a saúde e a produtividade, bem como a participação democrática e o empoderamento das mulheres. Entretanto, para colocar em prática o poder transformador da educação, os novos objetivos de desenvolvimento devem ir mais longe, para garantir que todas as crianças sejam igualmente beneficiadas não apenas no ensino básico, mas também no ensino secundário de qualidade.

“Os resultados divulgados hoje confirmam, mais claramente do que nunca, que a educação pode transformar vidas e sociedades para melhor”, disse Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO. “No entanto, as metas da educação no mundo constituem uma agenda inacabada. Essas novas evidências devem renovar nossas energias para completar o que nos propusemos a fazer”.

A nova análise da UNESCO prova que:

A educação empodera as mulheres. Meninas e jovens educadas têm maior probabilidade de conhecer seus direitos e ter confiança para exigi-los.

  • Na África Subsaariana e no Sul e Oeste da Ásia, cerca de 3 milhões de meninas se casam antes dos 15 anos – abaixo da idade legal para o casamento na maioria dos países. Se todas as mulheres jovens completassem a educação básica, o número de “noivas crianças” seria reduzido em quase meio milhão. Se concluíssem o ensino secundário, esse número seria reduzido em 2 milhões.
  • Nessas regiões, 3,4 milhões de mulheres jovens dão à luz antes dos 17 anos. Se todas elas concluíssem o ensino básico, o número de nascimentos precoces diminuiria em 340 mil, e se todas ccompletassem o ensino secundário, o total de nascimentos se reduziria em 2 milhões.

A educação promove a tolerância. A educação promove a tolerância e a confiança, ajuda as pessoas a entenderem a democracia, e as motiva a participarem da vida política de suas sociedades. Em 18 países da África Subsaariana, as pessoas em idade para votar e que têm educação básica são 1,5 vez mais propensas a manifestar apoio à democracia do que aquelas que não têm nenhum estudo, e o número dobra entre aquelas que concluíram o ensino secundário. Os resultados também mostram que o ensino secundário, mais que o primário, aumenta a tolerância em relação a pessoas de diferentes religiões e a quem fala outra língua.

A igualdade na educação melhora as oportunidades de trabalho e aumenta o crescimento econômico. Se todas as crianças, independentemente de sua origem e situação econômica, tivessem acesso igualitário à educação, os ganhos da produtividade impulsionariam o crescimento econômico. Nos próximos 40 anos, a renda per capita seria 23% maior em países com condições igualitárias de educação.

A educação faz parte das soluções para os problemas ambientais. Pessoas com maior nível de escolaridade têm maior probabilidade de usar energia e água de formas mais eficientes e reciclar o lixo doméstico. Em 29 países, em sua maioria desenvolvidos, 25% das pessoas com nível educacional menor do que o secundário expressaram preocupação com o meio ambiente, em comparação aos 37% das pessoas com ensino secundário e 46% com ensino superior. Essa preocupação se traduz em ações positivas para o meio ambiente: na Alemanha, 46% das pessoas com ensino superior assinaram petições ou participaram de manifestações sobre o meio ambiente nos últimos cinco anos, em comparação com 12% das pessoas com nível educacional menor do que o secundário. 

A educação salva a vida das mães. Em alguns países, muitas mulheres ainda morrem por causa de complicações durante a gravidez e o parto. A educação pode prevenir essas mortes, ao fazer com que as mulheres reconheçam sinais de perigo, procurem cuidados e certifiquem-se da presença de profissionais de saúde treinados nos partos. Se todas as mulheres fossem preparadas somente com a educação básica, as mortes maternas seriam reduzidas em dois terços, salvando 189 mil mães a cada ano.

Algumas doenças infantis são evitáveis, mas não sem educação. Soluções simples, como mosquiteiros e água potável, podem evitar algumas das piores doenças infantis, mas somente se as mães forem ensinadas a usá-las. A pneumonia, causa de morte mais frequente em crianças, poderia ser reduzida em 14% se as mulheres tivessem apenas mais um ano de educação. A terceira causa mais frequente, a diarreia, seria reduzida em 8% se todas as mães completassem o ensino básico, ou em 30% se elas tivessem ensino secundário.

A educação salva a vida de crianças. A educação ajuda as mulheres a reconhecerem os primeiros sintomas de doenças, a procurarem aconselhamento e a agirem sobre elas. Nos países pobres, se todas as mulheres completassem o ensino básico, a mortalidade infantil seria reduzida em um sexto, salvando quase um milhão de vidas a cada ano. Se todas elas tivessem o ensino secundário, a mortalidade seria reduzida pela metade, salvando três milhões de vidas.

A educação combate a fome. O impacto devastador da desnutrição na vida das crianças é evitável por meio da educação. Se todas as mulheres completassem o ensino secundário, elas conheceriam os nutrientes de que uma criança precisa, as regras de higiene que devem seguir e também teriam mais poder, em casa, para garantir os cuidados devidos. Essa mudança poderia evitar a atrofia em mais de 12 milhões de crianças, um sinal da desnutrição na primeira infância.

Pauline Rose, diretora do Relatório de Monitoramento Mundial da Educação para Todos, disse: “Os grandes benefícios de uma educação de qualidade são, algumas vezes, invisíveis para os doadores e para os formuladores de políticas públicas. Então, a educação frequentemente escapa da agenda global. A análise atual apresenta uma prova inegável de que isso deve mudar. Se a reunião dos líderes mundiais em Nova York, na semana que vem, quer que os objetivos de desenvolvimento pós-2015 sejam alcançados, eles devem reconhecer o papel central da educação”.

O lançamento é acompanhado por uma campanha que pede que os líderes mundiais priorizem a educação igualitária e de qualidade na nova agenda de desenvolvimento pós-2015. A análise completa estará disponível quando o Relatório de Monitoramento Mundial da Educação para Todos for lançado em janeiro de 2014.




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