14.01.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Poluição marinha: lidando com as principais causas do excesso de nutrientes

As atividades humanas, em especial a produção de alimentos, a queima de combustíveis fósseis e as águas residuais de pessoas e indústrias, levaram, nas últimas décadas, a aumentos significativos da quantidade de nutrientes no meio ambiente – como o nitrogênio e o fósforo – principalmente no meio ambiente marinho. No caso das águas costeiras, esse processo causa o acúmulo excessivo de nutrientes, que por sua vez produz eutrofização e hipóxia, prejudicando a qualidade das águas e causando impactos à saúde humana, danos à biodiversidade – como a vegetação marinha e as barreiras de coral – e a morte de peixes.

Áreas com baixas taxas de oxigenação (hipóxia), conhecidas como “zonas mortas”, onde a maior parte da vida marinha não consegue sobreviver, podem levar ao colapso de alguns ecossistemas. Atualmente, existem cerca de 500 dessas zonas mortas, que totalizam uma área de 245.000km² de superfície global, o que equivale aproximadamente à área do Reino Unido. O efeito geral disso é a redução da resiliência de ecossistemas marinhos e costeiros, o que afeta, por sua vez, sua capacidade de manutenção de meios de subsistência costeiros como a pesca e o turismo, assim como seu papel potencial na atenuação e na adaptação às mudanças climáticas.

Para os países, o custo do excesso de nutrientes causado pela degradação de sua base de recursos naturais marinhos e costeiros, assim como dos serviços e meios de subsistência que eles mantêm, vai aumentar caso não haja melhores respostas políticas. Um projeto do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (FMAM), intitulado Global Foundations for Reducing Nutrient Enrichment and Oxygen Depletion from Land Based Pollution in Support of Global Nutrient Cycle (Fundamentos Mundiais para a Redução do Excesso de Nutrientes e da Redução do Oxigênio Causados pela Poluição Produzida em Terra para o Apoio do Ciclo Mundial de Nutrientes), tem como objetivo fornecer as bases para que os governos e outras partes interessadas iniciem programas abrangentes, eficazes e sustentáveis contra o excesso de nutrientes e a redução do oxigênio causados pela poluição, produzida ainda em terra, de águas costeiras em Grandes Ecossistemas Marinhos. Um artigo publicado recentemente dentro do escopo do projeto propõe uma abordagem-modelo nova e integrada.

Nas bacias hidrográficas, os solos, os lençóis freáticos, as zonas ribeirinhas, os córregos, os rios, os lagos e os reservatórios funcionam como filtros sucessivos, nos quais a hidrologia, a ecologia e os processos biogeoquímicos estão fortemente interligados e agem, em conjunto, para reter uma parcela significativa dos nutrientes transportados. O artigo compara conceitos existentes de ecologia fluvial com abordagens atuais para descrever a biogeoquímica fluvial, e avalia o valor desses conceitos e abordagens para o entendimento dos impactos dos distúrbios provocados por mudanças globais na biogeoquímica dos rios. Agregando perspectivas, conceitos e técnicas de desenvolvimento de modelos, o artigo propõe abordagens-modelo integradas que englobem os componentes aquáticos e terrestres em paisagens heterogêneas. Nessa estrutura-modelo, conceitos existentes de ecologia e biogeoquímica são ampliados por uma abordagem equilibrada que avalia, por um lado, a liberação de nutrientes e sedimentos, e, por outro, a retenção do fluxo de nutrientes.

O artigo “Nutrient dynamics, transfer and retention along the aquatic continuum from land to ocean: towards integration of ecological and biogeochemical models” (“Dinâmica, transferência e retenção dos nutrientes ao longo do continuum aquático da terra para o oceano: rumo à integração dos modelos ecológicos e biogeoquímicos”) foi publicado na Biogeosciences, um periódico interativo e aberto da European Geosciences Union (Associação Europeia de Geociências), no dia 2 de janeiro de 2013. A Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI/UNESCO) é um parceiro executivo desse projeto do FMAM, coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

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