01.03.2018 - UNESCO Office in Brasilia

No mundo, um em cada cinco crianças, adolescentes e jovens está fora da escola

Novos dados sobre o número de crianças fora da escola em todo o mundo revelam que, apesar de décadas de esforços para se levar todas as crianças à sala de aula, o progresso está estagnado. De acordo com dados do Instituto de Estatística da UNESCO (UIS), cerca de 263 milhões de crianças, adolescentes e jovens de todo o mundo – um em cada cinco – estão fora da escola, um número que quase não mudou nos últimos cinco anos.

Os novos números são publicados no mesmo momento em que acontece, em Paris, a quarta reunião do Comitê de Direção do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS)-Educação 2030.  O Comitê é um organismo único que fornece orientação estratégica sobre o avanço da Agenda de Educação 2030.  O ODS 4 inclui um compromisso concreto para garantir que todas as meninas e todos meninos possam completar a educação primária e secundária de boa qualidade até 2030.

A taxa de progresso, ou falta dele, varia por grupo de idade, de acordo com o estudo do Instituto de Estatística da UNESCO - UIS (link em inglês). No nível primário, a taxa de evasão escolar quase não sofreu modificações durante toda a década passada, com 9%, ou 63 milhões de crianças entre 6 e 11 anos fora da escola. 

Além disso, 61 milhões de adolescentes entre 12 e 14 anos e 139 milhões de jovens de 15 a 17 anos – o que resulta no total em 1 em  cada 3 – não estão matriculados em nenhuma escola. Os jovens do último grupo têm uma probabilidade quatro vezes maior do que crianças do primário de estarem fora da escola. Em comparação aos jovens de 12 a 14 anos, os adolescente mais velhos possuem o dobro de chances de não estarem matriculados.

“Esses novos dados mostram o tamanho da lacuna que precisa ser preenchida para garantir o acesso universal à educação”, diz a Diretora-Geral da UNESCO, Audrey Azoulay. “Precisamos de abordagens mais compreensivas e focadas somadas a mais recursos para alcançar crianças e jovens que têm o direito à educação negado, com ênfase social nas meninas e em melhorar a qualidade da educação para todos. Essa é a maior urgência para desestagnar o progresso em direção ao ODS 4”.

Os números do estudo do UIS confirmam que, em toda a África subsaariana, um em cada três crianças, adolescentes e jovens está fora da escola - com meninas mais propensas à exclusão que meninos. Para cada 100 meninos de 6 a 11 anos fora da escola, há 123 garotas sem direito à educação.

Os novos dados também destacam grande disparidade entre as taxas de evasão escolar nos países mais pobres e mais ricos do mundo. Nos países de baixa renda, a taxa de evasão de estudantes de 15 a 17 anos é de 59%, enquanto nos países ricos é de apenas 6%.

De acordo com Silvia Montoya, diretora do UIS, "o acesso à educação é apenas uma parte do cenário. Temos também uma crise de aprendizagem (link em inglês), com um em seis crianças e adolescentes que não atinge níveis mínimos de proficiência em leitura ou matemática. A educação oferecida deve ser de qualidade para todos, o que requer um monitoramento eficaz para garantir que todas as crianças estejam na escola e que estejam aprendendo o que precisam saber. É por isso que o UIS, que é a fonte oficial de dados sobre o ODS 4, está desenvolvendo novos indicadores sobre equidade na educação e resultados de aprendizagem".

Os novos números reforçam a necessidade de investimentos globais bem maiores em todos os níveis da educação para assegurar o progresso em direção ao ODS 4, incluindo mais recursos para coleta e análise de dados que permitam acompanhar o ritmo e a equidade desse progresso.

Essas questões estarão na agenda da reunião do Comitê de Direção dos ODS - Educação 2030, o principal mecanismo global de consulta e coordenação para a educação na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O Comitê se reúne uma ou duas vezes por ano para fornecer conselhos estratégicos sobre políticas, financiamento, monitoramento, relatórios e advocacy. Ele é composto por 38 membros que representam em sua maioria os Estados-membros, juntamente com oito agências das Nações Unidas, a Parceria Global para a Educação, a OCDE, organizações regionais, organizações de professores, redes da sociedade civil, além de representantes do setor privado, fundações, jovens e organizações estudantis.

 

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