04.10.2019 - UNESCO Office in Brasilia

Iniciativa pioneira em São Paulo de Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) leva case de sucesso para a Suécia

Alunos produzem seu próprio conteúdo em meios de comunicação para engajamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP) e a UNESCO no Brasil levaram uma experiência de sucesso para Gotemburgo, na Suécia, durante a Global MIL Week 2019 Feature Conference, na última semana de setembro. Representantes de 55 países puderam conhecer o modelo pedagógico desenvolvido pela Secretaria sobre a temática da Alfabetização Midiática e Informacional (AMI, MIL em inglês), que reforça o movimento pela educação para a cidadania, incorporando professores e estudantes como agentes de mudança. A experiência é desenvolvida nas escolas municipais de São Paulo a partir do Projeto Currículo da Cidade, elaborado pela SME-SP, em parceria com a UNESCO no Brasil, pioneiro no mundo ao ter os seus objetivos de aprendizagem relacionados a cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O encontro na Suécia, organizado pela UNESCO, iniciou uma série de eventos sobre a temática AMI. O principal deles é o MIL Week 2019 (Global Media and Information Literacy; Semana Mundial de Alfabetização Midiática e Informacional 2019, em português), que acontece de 24 a 31 de outubro, e que dá a largada para debates sobre o assunto em várias cidades do mundo.

A iniciativa da SME-SP, coordenada pelo chamado Núcleo de Educomunicação, é resultado de uma política pública que virou lei municipal e é desenvolvida há 18 anos. Ela já capacitou mais de 25 mil professores e 60 mil alunos em projetos multimídia e de rádio pela educomunicação, voltados para o engajamento em uma cultura de paz e cidadania. As práticas curriculares incluem, por exemplo, a investigação de linguagens midiáticas para a expressão de experiências cotidianas; o desenvolvimento de um olhar crítico sobre a mídia; e o fortalecimento de um pensamento científico, capaz de ajudar na formulação de hipóteses e respostas para problemas cotidianos.

A diversidade abrangida pelo Currículo da Cidade é ampla. Por meio do Imprensa Jovem, uma agência de notícias pensada e desenvolvida pelos próprios estudantes, as atividades incluem a criação de jornais, programas de rádio, histórias em quadrinhos, fanzines, blogs e pesquisas seguidas de ações práticas sobre cinema, fotojornalismo e telejornalismo. O ensino de novas plataformas, como podcasts, também faz parte da jornada escolar.

O Imprensa Jovem é desenvolvido nas escolas municipais de São Paulo na educação infantil, ensinos fundamental e médio, incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA), com ativa participação de estudantes indígenas, crianças migrantes e estudantes com necessidades especiais. “Estamos criando momentos de autonomia e de empoderamento para os estudantes, que passam a ter voz em suas comunidades por meio de uma mídia que eles mesmos produzem”, afirma Carlos Lima, coordenador do Núcleo de Educomunicação da SME-SP. “É uma proposta que vai além da grade curricular. Ela é focada no desenvolvimento humano”, explica.

Além disso, um novo curso mostra como a linha de ensino se mantém atualizada à Alfabetização Midiática e Informacional. De forma inovadora, a SME-SP iniciou em 2019 um curso voltado ao “Combate às Fake News”, com 400 professores matriculados e seis mil alunos. Ele propõe uma reflexão crítica sobre a mídia consumida atualmente pelos estudantes. Esta experiência também foi apresentada no encontro na Suécia.

O Núcleo de Educomunicação da SME-SP oferece um aplicativo que permite acesso dos professores aos materiais de ensino e que facilita o agendamento de visitas técnicas de formadores da SME-SP especializados nas temáticas relacionadas à AMI para o desenvolvimento dos projetos nas escolas.

“O fortalecimento da AMI entre os alunos requer que os próprios professores tenham este aprendizado para se alcançar um efeito multiplicador. O engajamento dos estudantes com estes canais de informação mostra que iniciativas como essa, quando integradas a um modelo pedagógico, trazem resultados benéficos para a sociedade”, afirma Rebeca Otero, Coordenadora de Educação da UNESCO no Brasil.

Com a cooperação da UNESCO, o Currículo da Cidade e o Imprensa Jovem têm avançado, resultando em um grande envolvimento de estudantes e professores com os ODS. 

Em toda a cidade de São Paulo, cerca de 12 mil alunos de 417 escolas são atendidos pelo Núcleo de Educomunicação e suas iniciativas que valorizam o diálogo entre aprendizado e os ODS. Propostas interessantes têm saído da sala de aula. Um dos cases apresentados pela SME-SP na Suécia foi o de uma escola municipal, a EMEF Laerte Ramos de Carvalho, que se inspirou em um dos pontos turísticos da cidade para desenvolver a criatividade em suas áreas interna e externa. 

Para dar voz a um mural grafitado com os ODS na parede do pátio da escola, imaginado como uma réplica do Beco do Batman em São Paulo, os alunos produziram QR Codes. Por eles, os visitantes e a comunidade escolar podem ouvir o áudio com conteúdo feito pelas crianças que explica e apresenta uma reflexão sobre os ODS.

“Avançamos na criação de novas estratégias, como por exemplo educação à distância combinada com a presencial. O curso online de Imprensa Jovem já tem 4 anos. São projetos que ajudam a diminuir a evasão escolar e a promover oportunidades de aprendizagem para todos”, afirma Carlos Lima.

Os projetos Currículo da Cidade e Imprensa Jovem estão conectados ao ODS 4 – Educação de qualidade, que se traduz por assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos.

 

Informações para a imprensa:

Ana Lúcia Guimarães, a.guimaraes(at)unesco.org, (61) 2106-3536 ou (61) 99966-3287

Pedro Barreto, p.barreto(at)unesco.org, (61) 2106-3532

 




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