27.11.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Recomendações do Fórum Mundial de Ciências são ambiciosas, porém viáveis, diz ABC

Embora “muito ambiciosas”, as recomendações aprovadas pelo 6º Fórum Mundial de Ciência (FMC) são factíveis. A avaliação é do presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, que afirmou: “Creio firmemente que teremos progresso nos próximos anos”.

Ele ressaltou que é a primeira vez que o fórum dedica tanta ênfase à evolução da ciência de forma inclusiva. “A mensagem é: temos que olhar muito o desenvolvimento global sustentável sem deixar muita gente de fora, do contrário não será sustentável”, resume. Ele identifica uma “cara mais brasileira” na visão expressa no documento.

Divulgada como um anexo da declaração do FMC, a lista de recomendações se divide em cinco eixos:

  • Cooperação científica internacional e ações nacionais coordenadas para o desenvolvimento sustentável global
  • Educação para reduzir desigualdades e promover ciência e inovação globais e sustentáveis
  • Conduta ética e responsável de pesquisa e inovação
  • Diálogo aprimorado com governos, sociedade, indústria e mídia nas questões ligadas a sustentabilidade
  • Mecanismos sustentáveis para o financiamento da ciência

Para o presidente da Academia Húngara de Ciências, Jószef Pálinkás, a opção por limitar o número de palestrantes e permitir maior participação do público foi bem-sucedida. “Os participantes realmente formaram uma comunidade”, afirmou. “Essa ativa participação se refletiu na declaração e nas recomendações.”

A importância de uma melhor comunicação entre os que fazem e os que consomem ciência é destacada pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), Glaucius Oliva. “Esse entendimento esteve presente em todas as sessões”, observa. Para Oliva, o processo dos sete encontros preparatórios permitiu que o Brasil encaminhasse uma contribuição relevante. “É um documento muito sólido, que teve impacto importante nas conclusões do fórum.”

Na solenidade, o dirigente foi aplaudido ao propor que outros países lancem iniciativas de mobilidade acadêmica para os jovens nos moldes do programa Ciência sem Fronteiras. “Se cada país da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] fizesse isso, seriam 3 milhões de jovens cientistas com visão global, com o poder da diplomacia científica, um conhecendo ao outro, trabalhando pela paz”, comentou.

Família

Em sua participação na cerimônia, a princesa Sumaya bint El Hassan, presidente da Sociedade Científica Real da Jordânia, disse que o atual modelo de desenvolvimento não beneficia a ninguém. “Precisamos nos ver como uma família global e globalizada”, defendeu. “Temos que nos assegurar que a ciência e a tecnologia não contribuam para a divisão do mundo entre os que têm e os que não têm. Colocar a tecnologia a serviço de todos, provendo água limpa, ar saudável e comida acessível.” O país do Oriente Médio receberá a oitava edição do fórum, em 2017.

A diretora-geral assistente para as Ciências Naturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Gretchen Kalonji, destacou a centralidade conferida à igualdade nas discussões. “O evento e o documento expressam uma visão mais holística da ciência na sociedade”, avaliou. (Fonte: Pedro Biondi-ASCOM do MCTI)




<- Back to: Visão Exclusiva do Conteúdo Dinâmico
Voltar ao topo da página