21.05.2012 - UNESCO Office in Brasilia

"Rio+20 é oportunidade extraordinária que não deve ser desperdiçada", afirma Lidia Brito.

Artigo publicado pela Folha de S.Paulo no dia 05 de maio de 2012

 

Otimismo e confiança de que é possível assumir um compromisso mundial pela sustentabilidade do planeta são fundamentais nos tempos atuais. A pouco mais de um mês da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o mundo todo está em busca de respostas a este desafio crucial para a humanidade. Aproveitar este espaço de diálogo global é, sem dúvida alguma, uma oportunidade única, que não pode ser perdida.

Por que acreditar no sucesso da Rio+20 é tão importante neste momento? Primeiro porque existe uma conjugação de forças de todas as partes do mundo, em torno de objetivos comuns, para se encontrar caminhos mais sustentáveis, e qualquer mudança só ocorrerá se começar pela mente positiva das pessoas e pelo diálogo entre os vários intervenientes no processo de desenvolvimento. Segundo, e muito importante, porque temos que agir rápido. Hoje, o recurso mais escasso no planeta é o tempo.

Só o fato de nós perguntarmos, 20 anos depois da Rio-92, aonde chegamos e para onde queremos ir agora, já é muito importante. E por isso não devemos encarar esta Conferência como um evento isolado, que acontecerá em junho no Rio de Janeiro. Estamos falando de um processo que teve início duas décadas atrás e que não se encerrará em 2012. Assim, esperar que um dos resultados palpáveis  do encontro seja clarificar os processos de diálogo, de tomada de decisão e de ação necessários para que a humanidade possa ter uma resposta conjunta aos seus desafios, é aceitar que a Rio+20 terá sido um sucesso.

O ‘processo Rio+20’ vem surtindo efeitos mesmo antes do evento propriamente dito. Em março, em Londres, durante a Conferência Planet under Pressure (Planeta sob Pressão), cientistas, representantes de governos, do setor privado e da sociedade civil chamaram atenção para pontos importantes que devem influenciar os negociadores que estarão no Rio, entre eles o estado do planeta e possíveis riscos associados a mudanças a nível planetário, a necessidade de se olhar para o desenvolvimento sustentável integrando as questões econômicas com as sociais e ambientais, sugerindo desta forma que, por exemplo, se valorize o capital natural, quando se mede o progresso de uma nação, além de outros indicadores como o PIB.

Outro exemplo do otimismo em relação  à Rio+20 é o espaço que se cria para organizar outros eventos como o Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, que será realizado em junho no Rio. Este Forum reunirá vários parceiros da UNESCO, como o Conselho Internacional para a Ciência (ICSU), a Federação Mundial de Organizações de Engenharia, o Conselho Internacional de Ciencias Sociais(ICSS), o Ministério brasileiro da Ciência, Tecnologia e Inovação e a Academia Brasileira de Ciências. Este é mais um passo para o diálogo construtivo entre  a comunidade científica, os governos, a sociedade civil e o setor privado, todos eles atores cruciais nas mudanças que se devem operar. 

Eu acredito que a participação e a integração de todos em torno da Rio+20 – em especial dos jovens, que estão conectados e fazem parte de uma geração multicultural, sem barreiras linguísticas, culturais nem tecnológicas – é fundamental.  A Rio+20 será um ponto de convergência destes jovens em torno do  objetivo comum e global da sustentabilidade, reforçando os valores da generosidade, do respeito pela diversidade e das responsabilidades partilhadas quando se enfrentam desafios tão complexos. Esse movimento universal da juventude nos ajuda a reforçar ainda mais nossa visão positiva em relação ao  futuro.


* Lidia Brito é diretora da Divisão de Políticas de Ciências da UNESCO e ex-ministra de Educação Superior, Ciência e Tecnologia de Moçambique.





<- Back to: Visão Exclusiva do Conteúdo Dinâmico
Voltar ao topo da página