16.10.2012 - UNESCO Office in Brasilia

20% dos jovens nos países em desenvolvimento não completam o ensino primário e não têm qualificações profissionais

Paris, 16 de outubro – O 10º Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, Putting Education to Work, revela a necessidade urgente de se investir em habilidades para a juventude.

Nos países em desenvolvimento, 200 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos nem mesmo completaram a escola primária e precisam de caminhos alternativos para adquirir habilidades básicas para o emprego e a prosperidade. A população jovem do mundo é hoje maior do que jamais foi; um entre oito jovens está desempregado e mais de um quarto está preso em trabalhos que os deixam na linha da pobreza ou abaixo dela. Enquanto os efeitos da crise econômica continuam a sufocar as sociedades no mundo todo, a profunda falta de qualificação da juventude é mais nociva do que nunca.

Apesar do progresso significativo em algumas regiões, poucas estão no caminho para atingir os seis objetivos de Educação para Todos (EPT), que foram escolhidos no ano 2000, e algumas estão ainda muito longe. O relatório lança um olhar profundo sobre as capacidades da juventude, um dos objetivos de EPT menos analisados. Ele mostra que a aquisição de educação secundária é hoje um mínimo entre os jovens para que ganhem as habilidades fundamentais de que precisam para conseguir empregos decentes. No entanto, hoje em dia existem 250 milhões de crianças em idade escolar primária que não sabem ler ou escrever, frequentando ou não a escola, e 71 milhões de adolescentes estão fora da escola secundária, perdendo a oportunidade de adquirir habilidades vitais para um emprego futuro.

Populações jovens pobres, urbanas e rurais, são as mais necessitadas de capacitação. Em áreas urbanas, a população jovem está maior do que jamais esteve e continua crescendo. Em um quinto dos países analisados, jovens urbanos pobres têm menos escolaridade do que nas zonas rurais. Acima de um quarto ganha menos do que US$1,25 por dia.

A vasta maioria dos pobres e desprovidos de educação no mundo mora em áreas rurais. Muitos jovens fazendeiros com problemas de escassez de terras e efeitos da mudança climática não têm sequer as habilidades básicas necessárias para se proteger e se sustentar. As mulheres são as mais necessitadas. Elas precisam de treinamento em negócios e marketing para encontrar oportunidades além do trabalho na fazenda, e reduzir a obrigação de migrar para as cidades em busca de emprego.

“Estamos testemunhando uma geração jovem frustrada pela disparidade crônica entre habilidades e emprego. A melhor resposta à crise econômica e ao desemprego de jovens é assegurar a capacitação básica e relevante de que precisam para entrarem no universo do trabalho com confiança”, disse Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO. “Muitos jovens, moças em particular, precisam ter caminhos alternativos para a educação, para que possam ganhar as habilidades necessárias para sua sobrevivência, para viver com dignidade e contribuir com suas comunidades e sociedades”.

Investir nas habilidades dos jovens é uma jogada esperta para países que buscam aumentar seu crescimento econômico. O Relatório estima que cada dólar gasto com a educação de uma pessoa gera 10 a 15 dólares em crescimento econômico ao longo do tempo de trabalho dela. Não investir nas habilidades dos jovens faz com que aumentem as estatísticas de desemprego nos países ricos ou fiquem presos em empregos com baixos salários, que os deixam à mercê da linha da pobreza nos países em desenvolvimento.

Ignorar as habilidades dos jovens causa efeitos em longo prazo em países de todo o mundo. Usando dados da OCDE, o Relatório estima que 160 milhões de adultos em nações desenvolvidas não têm as habilidades necessárias para candidatar-se a um emprego ou ler um jornal.

Há uma necessidade urgente de se aumentar subsídios para corrigir esse déficit de habilidades. O Relatório de Monitoramento Global do Educação para Todos calcula que, além dos US$16 bilhões necessários para alcançar a educação primária universal até 2015, a matrícula universal na escola secundária custaria US$8 bilhões. A oferta de programas que oferecem caminhos alternativos para a capacitação também precisa aumentar drasticamente para alcançar os jovens que ficaram para trás.

 “Existem sinais preocupantes de que a ajuda à educação esteja minguando justamente agora quando crianças e jovens mais precisam”, disse Pauline Rose, diretora do Relatório de Monitoramento Global de EPT. “Governos e doadores precisam encontrar o dinheiro e a energia para ajudar os jovens que necessitam adquirir habilidades e as economias de seus países, que também estão precisando de ajuda. O setor privado será o primeiro a se beneficiar de uma mão-de-obra qualificada e também deve aumentar seu apoio financeiro”.

A realocação de recursos poderia ajudar a preencher a lacuna do financiamento. US$3.1 bilhões em fundos para a educação secundária não alcançam os sistemas educacionais dos países em desenvolvimento, pois são usados para financiar estudantes estrangeiros nos países doadores. Esse fundo poderia ser melhor gasto com a capacitação de jovens desfavorecidos em países pobres. O custo da bolsa de um estudante nepalês em um país desenvolvido poderia dar acesso a 229 estudantes ao ensino secundário em seu próprio país.

Um dos maiores beneficiários de uma força de trabalho qualificada, o setor privado, atualmente contribui com o equivalente a 5% do total de ajuda oficial à educação. A maior parte desse dinheiro é doada por apenas cinco empresas. No entanto, as contribuições privadas nem sempre refletem as prioridades de educação do governo, e com frequência, são mais próximas das prioridades do mundo dos negócios. Grandes somas de fundos vão para a educação terciária, por exemplo, embora apenas a minoria das crianças alcance esse estágio e a maioria ainda não tenha as habilidades básicas. A maior parte do apoio do setor de TI é canalizada aos países emergentes – Brazil, Índia e China – ao invés dos países em desenvolvimento que mais necessitam de assistência.


O Relatório enumera várias recomendações para enfrentar esses problemas e apoiar a capacitação dos jovens:


1.    Caminhos alternativos para adquirir habilidades básicas e fundamentais devem ser oferecidos para cerca de 200 milhões de jovens.
2.    Todos os jovens precisam de capacitação de qualidade em habilidades fundamentais relevantes na educação secundária.
3.    Os currículos de educação secundária devem ser equilibrados entre habilidades técnicas e vocacionais (incluindo TI) e habilidades transferíveis, tais como confiança e comunicação, que são indispensáveis ao ambiente de trabalho.
4.    Estratégias de capacitação devem contemplar os desfavorecidos, principalmente mulheres jovens urbanas e pessoas pobres em zonas rurais.
5.    $US8 bilhões serão necessários para assegurar que todos os jovens tenham educação secundária nos países em desenvolvimento. Os governos, assim como doadores e o setor privado, devem ajudar a preencher a lacuna do financiamento.

A edição 2012 do Relatório segue o lançamento em 26 de setembro da iniciativa Educação em Primeiro Lugar, dirigida pelo secretário-geral da ONU Ban Ki moon que ressaltou a importância de reunir todas as partes interessadas para superar os obstáculos ao alcance da “educação de qualidade, relevante e transformativa”. 

“Nossos objetivos em comum são simples”, disse o secretário-geral na ocasião. “Queremos que todas as crianças frequentem a escola primária e prossigam na escola secundária e na relevante educação superior, para que os ajude a suceder na vida e a viver como cidadãos engajados e produtivos”.


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Para entrevistas, fotos, estudos de caso, vídeos, citações tiradas de grupos focais no Egito, na Etiópia, na Índia, no México, no Reino Unido, no Vietnam ou para saber mais sobre o relatório, por favor contatar (em inglês):

Kate Redman (Paris) k.redman@unesco.org no telefone +33(0)602049345
-    Marisol Sanjines (New York) m.sanjines@unesco.org  + 1 646 201 8036
-    Ou visitar o site da GMR press page

  • Twitter:  #YouthSkillsWork. Haverá um tweetchat no dia 16 de outubro para discutir os resultados do Relatório.


NOTA AOS EDITORES:

O Relatório de Monitoramento Global de EPT é desenvolvido anualmente por uma equipe independente e publicado pela UNESCO.





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