10.03.2017 - UNESCO Office in Brasilia

Desigualdades não controladas podem ameaçar os ODS, segundo Relatório da UNESCO

O “Relatório Mundial de Ciências Sociais 2016: o desafio das desigualdades: caminhos para um mundo justo” alerta que as desigualdades não controladas podem comprometer a sustentabilidade das economias, das sociedades e das comunidades, de modo a enfraquecer os esforços para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030.

O Resumo do Relatório acaba de ser publicado em português no site da UNESCO. Originalmente em inglês, o estudo foi lançado no dia 22/09/2016, na Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo.

São destacadas lacunas significativas nos dados relativos a desigualdades em diferentes partes do mundo e, para apoiar o progresso em direção a sociedades mais inclusivas, o Relatório pede para que sejam realizadas pesquisas mais consistentes sobre os vínculos entre desigualdades e disparidades econômicas em áreas como gênero, educação e saúde.

O Relatório Mundial de Ciências Sociais apresenta contribuições de mais de 100 especialistas. Foi supervisionado por um comitê científico consultivo formado por acadêmicos de destaque de todas as regiões, incluindo o Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz. O Relatório foi elaborado pelo Conselho Internacional de Ciências Sociais (International Social Science Council – ISSC) em cooperação com o Instituto de Estudos do Desenvolvimento (Institute of Development Studies – IDS, do Reino Unido), e é copublicado pela UNESCO.

“As questões relativas ao aumento da desigualdade e ao que fazer a respeito adquirem importância na mente dos governos, do setor privado, dos líderes da sociedade civil e dos cidadãos de todo o mundo. Reduzir a desigualdade é, em primeiro lugar, uma questão de equidade e de justiça social. Também é fundamental para erradicar a pobreza extrema, estimular transformações em direção à sustentabilidade, promover o progresso social, reduzir os conflitos e a violência, e desenvolver uma governança inclusiva”, diz o Relatório.

Ao mesmo tempo em que ocorreu um aumento de cinco vezes da quantidade de estudos sobre desigualdades e justiça social em publicações acadêmicas entre 1992 e 2013, muitos deles conferem pouca atenção a desigualdades que vão além da renda e da riqueza, tais como as que são vistas nas áreas de saúde, educação e gênero. O Relatório identifica ainda sete dimensões inter-relacionadas da desigualdade: econômica, política, social, cultural, ambiental, espacial* e com base no conhecimento*. Intimamente ligadas, elas criam círculos viciosos de desigualdade, os quais são transmitidos de uma geração para outra.

“Este relatório faz um alerta. Preencher a lacuna nas pesquisas em ciências sociais sobre as desigualdades é essencial para se alcançar a ambição transversal da Agenda 2030 por transformações para 'não deixar ninguém para trás'”, disse a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova.

O Relatório também pede por mais cooperação entre disciplinas, fronteiras geográficas e campos de pesquisa, para auxiliar os governos no desenvolvimento de políticas mais efetivas para sociedades mais inclusivas. Redes internacionais, fontes abertas de dados, acesso aberto a publicações e softwares são fundamentais para alcançar esse objetivo.

“Precisamos de mais pesquisas sólidas e de longo-prazo, no campo das ciências sociais, sobre as desigualdades que continuam a enfraquecer a nossa capacidade de abordar outras prioridades mundiais. Precisamos verificar uma mudança gradual em direção a uma agenda de pesquisa que seja interdisciplinar, de múltiplas escalas e globalmente inclusiva”, disse Mathieu Denis, diretor-executivo do ISSC.

O Relatório destaca que o foco das pesquisas sobre desigualdades na área de ciências sociais tende a ocorrer em países desenvolvidos nos quais existem dados confiáveis, ao passo que os países em desenvolvimento não têm dados igualmente confiáveis. Entre 1992 e 2013, a América do Norte e a Europa Ocidental responderam por mais de 90% das publicações na área de ciências sociais e humanas sobre desigualdades e justiça social (incluindo as pesquisas de economistas, psicólogos e sociólogos). A África Subsaariana e a América Latina contribuíram com 3% e 2%, respectivamente, de acordo com o Relatório.

Pesquisas sobre as crescentes desigualdades mostraram que quase a metade da riqueza mundial das famílias pertence a 1% da população, assim como que as 62 pessoas mais ricas detêm a mesma quantidade de riqueza da metade mais pobre da humanidade.

Os 193 Estados-membros das Nações Unidas aprovaram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em setembro de 2015, uma ambiciosa iniciativa mundial para acabar com a pobreza, tratar das desigualdades e combater a mudança climática nos próximos 15 anos. Os ODS, que substituíram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), visam a melhorar a vida, com o compromisso de países ricos e pobres de alcançar uma série de objetivos inter-relacionados, incluindo a redução da desigualdade.

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Contato para a imprensa:

  • Roni Amelan, r.amelan@unesco.org, Tel.: 00 33 1 45 68 16 50

Download

 

Cópias impressas do Relatório em inglês estão disponíveis por Edições UNESCO:

http://publishing.unesco.org/details.aspx?&Code_Livre=5160&change=E

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* desigualdade espacial: disparidades espaciais e regionais entre centros e periferias, áreas urbanas e rurais, e regiões com recursos mais ou menos diversificados.

* desigualdade com base no conhecimento: diferenças de acesso e contribuição a diferentes fontes e tipos de conhecimento, assim como as consequências dessas disparidades.

* O Relatório Mundial de Ciências Sociais 2016 foi financiado com contribuições da Agência de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento da Suécia (Sida), da UNESCO, da Agência para o Desenvolvimento e a Cooperação da Suíça (SDC), da Fundação Europeia de Ciência (ESF), da Organização para a Pesquisa Científica dos Países Baixos (NWO), do Conselho de Pesquisa da Noruega, do Riksbankens Jubileumsfond (Suécia) e do Conselho Sueco de Pesquisa.




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