03.10.2018 - UNESCO Office in Brasilia

Geoparques Mundiais da UNESCO vão doar amostras de importância científica ao Museu Nacional do Brasil

Cada um dos Geoparques da UNESCO vai doar uma amostra representativa de seu patrimônio geológico para o Museu Nacional do Brasil e, com isso, apoiar a sua recuperação após a perda trágica de muitas de suas coleções exclusivas no incêndio de 02/09/2018. A decisão foi adotada por unanimidade durante a 8ª Conferência Internacional sobre os Geoparques Mundiais da UNESCO, realizada entre 11 e 14/09 no Geoparque da UNESCO Adamello Brenta, na Itália

A proposta foi submetida à Associação da Rede Mundial de Geoparques por Artur Abreu Sá, presidente da Cátedra da UNESCO de Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustentável e Estilos de Vida Saudáveis da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Portugal). Cada um dos 140 Geoparques Mundiais da UNESCO irá coletar e doar um artefato lítico, fóssil ou de importância cultural científica.

O Museu Nacional é o mais importante museu de história natural da América Latina, com coleções relacionadas a arqueologia, botânica, etnologia, etnografia, geologia, linguística, paleontologia e zoologia. Muitas das coleções perdidas são insubstituíveis, incluindo os restos mortais de Luzia, um dos mais antigos ancestrais conhecidos na América Latina, gravações de línguas indígenas que não são mais faladas, assim como coleções de fósseis e holótipos – espécimes que servem como base para descrever e nomear uma nova espécie. Artefatos do antigo Egito e do Mediterrâneo também foram perdidos. As equipes científicas do Museu estão empregando todos os esforços para identificar e conservar quaisquer elementos das coleções originais que possam ser recuperados, em um processo que pode levar anos. A UNESCO está dando apoio nesse longo processo de restauração e reconstrução.

“Nossa humilde iniciativa pretende servir de exemplo para outras instituições, como universidades e museus, mas também associações e indivíduos, de todas as partes do mundo, para que ajudem o Museu Nacional”, explica o Prof. Artur Abreu Sá. “Esperamos que muitos outros façam o mesmo. Isso também mostra que os membros da Rede têm a responsabilidade de proteger o patrimônio natural e cultural do mundo”. A iniciativa será coordenada pela Cátedra da UNESCO de Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustentável e Estilos de Vida Saudáveis, o Geoparque Mundial da UNESCO de Arouca e o Geoparque Mundial da UNESCO do Araripe, sob a supervisão da Associação da Rede Mundial de Geoparques.

Paralelamente, a UNESCO concluiu recentemente uma missão de emergência para auxiliar as autoridades brasileiras na árdua tarefa de avaliar a magnitude dos danos causados ao edifício do Museu e ao seu vasto repositório de objetos culturalmente significativos, além de propor intervenções urgentes e medidas de salvaguarda.

 




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