19.02.2014 - UNESCO Office in Brasilia

UNESCO lança manual para jornalistas investigativos

© UNESCO

“A Investigação a partir de histórias: um manual para jornalistas investigativos”, por Mark Lee Hunter, é um guia já reconhecido por jornalistas investigativos de várias partes do mundo e publicado pela primeira vez pela UNESCO em 2009, em diversas línguas. Cinco anos mais tarde, devido à grande demanda, a UNESCO no Uruguai lança a publicação em espanhol e em português. As versões já estão disponíveis para download gratuito e se somam às outras cinco línguas previamente publicadas.

O valor e a importância da precisão, do cuidado e  da busca detalhada de informações pelo jornalismo investigativo em uma democracia são cada vez mais reconhecidos. Suas contribuições são essenciais para a governabilidade democrática. A existência de um watchdog público que expõe e informa os cidadãos e cidadãs sobre as eventuais más práticas dos membros supostamente confiáveis da sociedade ou do governo é fundamental para uma democracia que funciona de forma saudável.

No entanto, Mark Lee Hunter sugere que o jornalismo investigativo envolve não somente cobrir o que não funciona bem. Ao longo da publicação, ele reforça: “Por fim, não busque apenas coisas que envolvam transgressões. É frequentemente mais difícil realizar um bom trabalho de reportamento sobre algo que está dando certo – entender um novo talento, ou um projeto de desenvolvimento que alcançou as suas metas, ou uma empresa que está gerando riqueza e empregos. Identificar os elementos replicáveis do sucesso, ou as ´melhores práticas´, é um valioso serviço aos seus expectadores.”

A publicação centra-se na abordagem baseada na investigação por hipótese. Todas as etapas do processo investigativo, desde a concepção, passando pela pesquisa, controle de qualidade, escrita e divulgação foram aplicadas e exaustivamente analisadas e bem ilustradas por estudos de caso reais em cada capítulo.  

Devido à natureza do seu trabalho, jornalistas investigativos enfrentam, com frequência, muitos desafios inesperados, especialmente em países onde o Estado de Direito ainda não está consolidado. Na última década, mais de 600 jornalistas foram mortos e muitos mais sofreram ataques não-fatais. Além disso, tem havido um reduzido índice de condenação dos autores desses crimes.

Promover a segurança dos jornalistas faz parte dos compromissos de longo prazo da organização, por isso a UNESCO esteve envolvida, desde o início, com o Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade, que foi aprovado pelo Conselho dos Chefes Executivos das Nações Unidas, em 12 de abril de 2012. A UNESCO também salienta a importância da liberdade de informação para o jornalismo investigativo.

A UNESCO reconhece não apenas a importância do jornalismo investigativo, como também promove frequentemente debates sobre a responsabilidade da mídia e os padrões profissionais e éticos, além de sublinhar as ameaças a que estão sujeitos os jornalistas durante o exercício de seu trabalho. Assim, fornece aos jornalistas informações, treinamento e sugestão sobre materiais que lhes permitam exercer melhor sua profissão. É o caso neste manual.

A UNESCO encoraja e apoia os jovens que estão interessados no jornalismo investigativo como uma vibrante carreira profissional e, portanto, a Organização está especialmente entusiasmada em oferecer esta ferramenta de trabalho ao público que fala português e espanhol. De acordo com o autor Mark Lee Hunter, “há uma série de reportagens investigativas importantes produzidas em espanhol e português, em países como Brasil, México e outros países latino-americanos, bem como na Europa, África e, em particular, em Moçambique”.

Baixe aqui a publicação (PDF):

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