24.01.2018 - UNESCO Office in Brasilia

Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Mensagem de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, 27 de janeiro de 2018

“Não aconteceu nada desde Auschwitz que poderia reverter ou refutar Auschwitz. Nos meus escritos, o Holocausto nunca poderia estar presente no passado”. Essas são palavras terríveis do grande escritor húngaro Imre Kertész, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Mais de 70 após o horror nazista, a transmissão dessa história é mais relevante do que nunca.

É por isso que, com a criação do Conselho da Europa, as Nações Unidas estabeleceram um Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, em 27 de janeiro, a data em que os soldados soviéticos entraram no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, em 1945. Com essa decisão, as Nações Unidas afirmam tanto o caráter específico da Shoá, o genocídio do povo judeu, quanto seu alcance universal. A transmissão dessa história e a lembrança de todas as vítimas dos crimes nazistas são um chamado para fortalecer o compromisso dos países com a paz.

Enquanto a Shoá inspira uma reflexão ilimitada sobre a espécie humana, lembrando a possibilidade de acontecer o pior, ela também carrega uma memória que deve ser voltada para o futuro. Esta é a mensagem que Samuel Pisar, sobrevivente de Auschwitz e ex-enviado especial da UNESCO para a Educação sobre o Holocausto e Genocídio, tem defendido ao longo de sua vida: “Nós temos um dever solene de compartilhar com nossos irmãos a memória do que sofremos e do que aprendemos, no corpo e na alma. Nós devemos alertar nossos filhos, judeus ou não, para o fato de que o fanatismo e a violência que estão se espalhando novamente em nosso mundo conflagrado podem destruir o universo deles, assim como destruíram o meu”.

Este é o tema do Dia Internacional de 2018: “Lembrança do Holocausto e educação: nossa responsabilidade compartilhada”. Nós todos temos um papel a desempenhar – atores políticos, especialistas, historiadores, artistas, a comunidade educacional e cidadãos. Nós podemos desenvolver a conscientização contra o esquecimento, a negação, o revisionismo histórico, a relativização de crimes e o retorno dos estereótipos que alimentam o ódio. Nós podemos nos opor à manipulação dos fatos falando a verdade. O combate ao antissemitismo, em todas as suas formas, está no cerne dessa luta. Esse é o espírito do programa mundial da UNESCO em educação sobre o Holocausto e genocídio, assim como dos eventos organizados este ano na Sede da UNESCO: a exposição sobre a Noite dos Cristais do Shoah Memorial; a exposição #Stolen Memory apresentada pelo Bad Arolsen International Tracing Service (ITS); a exibição do filme “The Four Sisters” (“As quatro irmãs”) de Claude Lanzmann; e várias mesas-redondas para transmitir e retirar lições da história. 




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