08.08.2019 - UNESCO Office in Brasilia

Mensagem da UNESCO para o Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo

Mensagem de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo, 9 de agosto de 2019

Desde 1982, o Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo nos proporcionou uma oportunidade única para aumentar a conscientização global sobre as contribuições feitas pelos povos indígenas para a construção da paz e para o desenvolvimento de sociedades sustentáveis e resilientes.

Neste dia, avançamos em direção ao reconhecimento dos povos indígenas como detentores do conhecimento que contribuiu para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade e dos ecossistemas do mundo. Isto foi recentemente destacado no marco do Relatório de Avaliação Global sobre Biodiversidade, produzido pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) e lançado na Sede da UNESCO em maio deste ano.

Os povos indígenas representam 5% da população mundial, mas encontram-se entre os 15% mais pobres do mundo. Mundialmente, eles enfrentam uma série de desafios consideráveis, incluindo migração crescente, desvantagem educacional, pressão para assimilar culturalmente, realocação forçada, violência baseada em gênero e outras formas de discriminação, pobreza, bem como acesso limitado a serviços de saúde, emprego, serviços de informação e conectividade de banda larga.

As Nações Unidas e a UNESCO estão empenhadas em proteger os direitos dos povos indígenas e em permitir que eles participem plena e igualmente nos âmbitos nacional e internacional. Em consonância com a Agenda 2030, que reconhece os povos indígenas como um grupo distinto e reconhece o papel que devem desempenhar nos esforços globais para construir um futuro melhor para todos, a política de engajamento com os povos indígenas da UNESCO em 2018 orienta o trabalho da Organização e assegura que suas políticas, planejamento, programação e implementação sustentam a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

As culturas indígenas possuem uma riqueza de conhecimentos essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e, particularmente, para preservar o meio ambiente e a biodiversidade mundial. A UNESCO tem trabalhado para preservar o patrimônio intangível de habilidades e know-how tradicionais, bem como para aumentar a conscientização sobre sua importância, por meio de programas como Sistemas de Conhecimento Locais e Indígena (Links) que apoiam governos a criar interfaces essenciais entre cientistas e comunidades indígenas. Isso foi respaldado por meio de uma nota na publicação “Indigenous    and    Local    Knowledge(s)    and    Science(s)    for    Sustainable Development”, publicado pelo The Scientific Advisory Board (SAB) do Secretário-Geral das Nações Unidas. Além disso, o foco central do Programa o Homem e a Biosfera da UNESCO (MAB) é o envolvimento de comunidades locais e indígenas na gestão de biosferas, bem como esforços colaborativos para encontrar soluções para a conservação e as questões ambientais.

O desaparecimento de línguas indígenas é uma grande ameaça para as comunidades indígenas e sua singular herança, bem como para nossa diversidade global e nosso potencial de criatividade e inovação. Por meio do Ano Internacional das Línguas Indígenas (IYIL2019), a UNESCO se esforça para concentrar a atenção nessas questões críticas e tomar medidas para uma ação coletiva global para enfrentá-las.

A UNESCO, como instituição em uma posição multilateral e internacional única, está mobilizando uma grande rede de parceiros individuais e institucionais, como os países da América Latina e do Caribe, para o Festival de Cinema Indígena Online, realizado em junho, para tomar medidas urgentes de apoio, promover e fornecer acesso a línguas indígenas, bem como compartilhar boas práticas.

Em março deste ano, a UNESCO trabalhou para aumentar a conscientização sobre as redes de rádio e mídia comunitárias indígenas recém-criadas em todo o mundo e para o desenvolvimento de aplicativos para idiomas indígenas, durante uma maratona para desenvolver soluções tecnológicas inovadoras na região da Ásia-Pacífico.

Finalmente, estamos muito animados em anunciar que, graças a uma vasta colaboração, a próxima edição do El Cuento de las 1000 Palabras, uma competição peruana de narração de histórias, não será apenas em espanhol, mas também em 48 línguas indígenas do país, e será aberta ao público.

Na UNESCO e nas Nações Unidas, estamos convencidos, agora mais do que nunca, que a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável exige que ninguém seja deixado para trás. Os povos indígenas, suas línguas, bem como seus valores, sistemas de conhecimento e “know-how” devem desempenhar um papel no esforço global de encontrar caminhos justos e sustentáveis para o mundo vivo e para a humanidade como um todo. 




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