28.11.2014 - UNESCO Office in Brasilia

Dia Mundial de Luta contra a AIDS, 1º de dezembro de 2014

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a AIDS, 1º de dezembro de 2014.

Restando um ano para o fim do prazo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, precisamos rever os significativos progressos alcançados em resposta ao HIV/AIDS e considerar os desafios pela frente para acabar com a epidemia de AIDS até 2030.

Como um dos seis co-patrocinadores fundadores da UNAIDS, a UNESCO vem trabalhando há mais de duas décadas para apoiar os países no fortalecimento da resposta do setor de educação ao HIV/AIDS, para fornecer aos jovens com sensitividade de gênero educação sobre saúde sexual e reprodutiva apropriada a idade deles.

Tanto a epidemia quanto a resposta a ela evoluíram consideravelmente ao longo desse tempo. Hoje, com a expansão do tratamento e a prevenção, as mortes relacionadas com a AIDS caíram em até 35 por cento desde 2005 e em até 19 por cento nos últimos três anos. Temos sido capazes de focar com maior precisão nossa ação – para fazer mais do que manter as crianças afetadas pelo HIV na escola, para compreender o seu direito à educação que necessitam para tomar decisões bem-informadas e precisas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva.

A resposta global à AIDS tem apresentado impacto significativo, porque é baseada em evidências e tem como alvo as necessidades daqueles com maiores riscos. Isso teve efeito transformador sobre a forma como os países têm respondido a questões como discriminação e violência, com base na orientação sexual e na identidade de gênero – comportamentos que resultam em maior risco e vulnerabilidade ao HIV são também discutidos atualmente de forma mais aberta e reconhecidos como barreiras tanto à saúde pública quanto aos direitos humanos.

Essa é uma lição essencial da resposta global à AIDS, bem como uma dos mais difíceis de implementar para o HIV e outros problemas de saúde. Como o Dr. David Nabarro, coordenador sênior do Sistema das Nações Unidas para a doença do vírus Ebola, afirmou perante o Conselho Executivo da UNESCO, em outubro de 2014, um dos principais desafios para conter o atual surto de Ebola tem sido "fazer chegar a mensagem correta" e "evitar que comunidades sejam estigmatizadas e excluídas". O surto de Ebola tem mostrado a importância de fornecer mensagens claras e cientificamente precisas para combater o estigma e a discriminação contra os mais afetados – esse deve ser um componente central de qualquer resposta a doenças infecciosas.

Apesar dos progressos e das lições aprendidas, o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio para combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças não foi totalmente atingido, e nossa capacidade de atingir o novo objetivo de acabar com a AIDS até 2030 será determinado, em parte, pela nossa capacidade de superar o estigma e a discriminação que nos impede de alcançar aqueles deixados para trás. Adolescentes (entre 10 e 19 anos de idade), especialmente aqueles mais vulneráveis à infecção pelo HIV, ainda enfrentam barreiras no acesso à educação e aos serviços de saúde sexual e reprodutiva. Globalmente, 15 por cento de todas as mulheres que vivem com HIV são jovens entre 15 e 24 anos – 80 por cento delas vivem na África subsaariana.

Podemos ter orgulho considerável no progresso alcançado em todo o mundo em resposta à AIDS, e isso nos dá incentivo para acabar com a epidemia de AIDS até 2030. No entanto, é preciso ter precaução, juntamente com confiança – se a epidemia de HIV pode terminar dentro de uma geração, ela também pode ressurgir dentro de uma geração, se não formos capazes de manter e expandir as ações comprovadamente eficazes de fazer frente a ela.




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