13.06.2014 - UNESCO Office in Brasilia

Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca - A terra pertence ao futuro, que o clima prove isso!

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, 17 de junho de 2014

 

A terra pertence ao futuro, que o clima prove isso!

Áreas secas e zonas áridas foram, por muito tempo, consideradas "estéreis", com pouca água, climas extremos e solo pobre. Geralmente distantes de órgãos governamentais, essas zonas têm sido negligenciadas pelos tomadores de decisão e formadores de políticas.

Elas são, no entanto, importantes ecossistemas que são lares de 100 a 200 milhões de pessoas. Elas são também lares de espécies raras que se adaptaram a meio ambientes extremos e atuam como barômetros da mudança de clima global. Como resultado da mudança de clima e das práticas agrícolas insustentáveis, a desertificação e a degradação dessas regiões, que são algumas das mais vulneráveis do planeta, estão colocando em risco vastos territórios e os meios de subsistência de milhões de pessoas.

Neste Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, reafirmamos a urgência da implementação de soluções para a gestão sustentável das zonas áridas. Essas soluções também são úteis para as pessoas que vivem fora dessas áreas, uma vez que a gestão sustentável da terra é um problema em todos os lugares. O programa zonas áridas da UNESCO é uma iniciativa exemplar que acelerou a pesquisa científica sobre esses ecossistemas e mostrou que a gestão sustentável de zonas áridas é a melhor maneira de se adaptar aos efeitos da mudança climática.

A mudança de clima não é um fenômeno geral ou abstrato; ela tem impacto real no cotidiano de milhões de pessoas que dependem diretamente desses frágeis recursos para sua sobrevivência e podem ver o seu ambiente se deteriorando gradualmente. Ao compartilhar as experiências daqueles que estão na linha de frente e ao compreender o verdadeiro impacto da mudança de clima em seus cotidianos, podemos ajudá-los a adaptar-se e aumentar a conscientização global. Esse é o objetivo estabelecido para o Projeto de Gestão Sustentável de Terras Secas Marginais (SUMAMAD) liderado pela UNESCO desde 2002, em parceria com o Instituto da Universidade das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde (UNU-INWEH). Com o apoio do Governo Flamengo da Bélgica, o projeto foi concebido para combater a desertificação em sítios do projeto em nove países, Bolívia, Burkina Faso, China, Egito, Índia, Irã, Jordânia, Paquistão e Tunísia, por meio da reabilitação de zonas áridas degradadas, melhorando rendimentos agrícolas por meio de melhor gestão da água, formulação de diretrizes políticas para os tomadores de decisão e compartilhamento de informações e dados obtidos em experiências entre cientistas. Graças ao projeto, as comunidades locais têm adotado práticas cotidianas mais sustentáveis (ecoturismo, produção de artesanato, apicultura e diversificação alimentar) para reduzir a sua dependência da agricultura tradicional em terras áridas em um ambiente degradado.

Isso prova que, ao pensar-se em soluções específicas para cada contexto, podemos combater a pobreza e melhorar a saúde da população. Para atingir esse objetivo, o fornecimento de cooperação científica global deve ser acelerado, e dados obtidos em experiências e abordagens mais integradas que levam em consideração fatores físicos, sociais e culturais necessários para a preservação sustentável dos ecossistemas das áreas secas devem ser compartilhados entre os países. Esse é o objetivo com o qual a UNESCO está comprometida no Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca 2014. 




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