24.09.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Dia Mundial dos Professores, 5 de outubro - um apelo ao respeito e à valorização da profissão docente

Mensagem conjunta de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, Guy Ryder, diretor-geral da OIT, Anthony Lake, diretor-executivo do UNICEF, Helen Clark, administradora do PNUD e Fred van Leeuwen, secretário-geral da Education International.

Os professores têm nas mãos as chaves para um futuro melhor para todos. Eles inspiram, desafiam e empoderam cidadãos do mundo inovadores e responsáveis. Eles fazem as crianças frequentarem a escola e as mantêm lá, além de ajudá-las a aprender. Todos os dias, eles ajudam a construir sociedades do conhecimento inclusivas, das quais precisamos para o amanhã e para o século à nossa frente. Neste Dia Mundial dos Professores, juntamos forças para agradecer aos professores e fazer um apelo para termos mais desses profissionais, bem como melhor treinamento e mais apoio a eles.

Nada pode substituir um bom professor. As evidências mostram que os professores, seus conhecimentos profissionais e suas habilidades são o fator mais importante para a educação de qualidade. Isso requer uma sólida formação inicial e o treinamento profissional contínuo para melhorar os resultados de seus desempenhos e aprendizagens. Nós sabemos disto e, ainda assim, muito frequentemente, os professores continuam subqualificados e mal remunerados, com baixo prestígio de seu status e excluídos das questões sobre políticas educacionais e das decisões que os interessam e os afetam.

Além disso, hoje eles são muito poucos. Em âmbito global, devem ser recrutados cerca de 5,24 milhões de professores para atingir o objetivo da educação fundamental universal até 2015 – 1,58 milhão de novas contratações e 3,66 milhões de substituições daqueles que abandonam a profissão. O desafio vai além dos números – mais professores deve significar melhor qualidade de aprendizagem, por meio de treinamento e apoio adequados.

Isso é essencial para garantir o direito de todos os aprendizes à educação de qualidade – especialmente para atingir os 57 milhões de crianças com idade para frequentar a escola primária que estão hoje fora da escola. Na velocidade atual, estimamos que 49% dessas crianças nunca entrarão na escola, enquanto que 28% começarão a frequentá-la tardiamente – 54% delas são meninas. Igualmente preocupante é o baixo nível de aprendizagem. Estima-se que 250 milhões de crianças não sabem ler nem escrever quando atingem a idade para frequentar a 4ª série.

Aproximadamente metade dessas crianças está na escola. A crise da aprendizagem e do acesso à educação deve ser tratada urgentemente.
Não é possível aprender sem professores valorizados, responsáveis, profissionais, bem treinados e bem apoiados. Os professores são a solução principal para a crise da aprendizagem e, ainda assim, muitos são mal treinados e mal apoiados – frequentemente alijados das decisões políticas que os afetam. Eles são o elemento principal de ambientes de aprendizagem seguros e solidários, mas muitos deles ainda ensinam em circunstâncias de extrema dificuldade, em emergências e até mesmo ataques.

No entanto, há também exemplos brilhantes para serem mostrados. Temos visto inúmeros esforços para melhorar o status dos professores – por meio de programas de profissionalização e certificação, incentivos para o trabalho em comunidades remotas e desfavorecidas, leis de salários-mínimos, modelos de desenvolvimento de carreira, desenvolvimento profissional continuado, apoio a professoras escaladas para trabalhar em localidades remotas, apoio entre os próprios professores e tutoria intergeracional, prêmios de reconhecimento e incentivo à progressão de profissional, aumento dos padrões de admissão nos programas de treinamento, campanhas de conscientização pública, cursos gratuitos e bônus de recrutamento. Todas essas práticas garantem igualdade e qualidade, e fazem uma diferença real nos resultados de aprendizagem; por isso, elas devem ser ampliadas e levadas adiante.

Nesse ponto, é essencial a ação internacional efetiva no apoio a esforços nacionais para dar suporte a professores e instituições educacionais, e para melhorar as oportunidades de educação para todas as crianças. Todo esse trabalho deve garantir que a remuneração e as condições de trabalho dos professores reflitam um comprometimento para fornecer educação de alta qualidade, por meio de uma força de trabalho qualificada e motivada. É por isso que os professores encontram-se no cerne da Iniciativa Mundial Educação em Primeiro Lugar (Global Education First Initiative), do secretário-geral das Nações Unidas, para garantir que toda criança vá à escola, receba educação de qualidade e desenvolva um novo senso de cidadania mundial.

Hoje, esse é o nosso apelo para os professores. Junte-se a nós para agradecer e apoiar os professores que temos e para recrutar novas mulheres e homens, com o objetivo de construir sistemas educacionais mais efetivos e preparar jovens e adultos para uma participação ativa e responsável na sociedade. Não há base mais sólida para a paz duradoura e para o desenvolvimento sustentável do que uma educação de qualidade fornecida por professores bem treinados, valorizados, apoiados e motivados. A educação das gerações futuras estará comprometida, a não ser que possamos superar o desafio de colocar o melhor professor possível em cada sala de aula.

Irina Bokova, diretora-geral, UNESCO
Guy Ryder, diretor-geral, OIT
Anthony Lake, diretor-executivo, UNICEF
Helen Clark, administrador, PNUD
Fred van Leeuwen, secretário-geral, Education International




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