07.10.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Jovens de Brasil e Cabo Verde acertam cooperação em educação para a sexualidade

Terminou quarta-feira (02/10), em Brasília, a Oficina Brasil-Cabo Verde: Educomunicação e Educação em Sexualidade. Durante seis dias, jovens e educadores dos dois países realizaram oficinas de educomunicação, visitaram escolas que desenvolvem ações de prevenção e participaram de debates com jovens brasileiros que vivem com AIDS. Realizado pela UNESCO no Brasil e pelo Programa Jovem de Expressão, o encontro reuniu caboverdianos que são protagonistas de boas práticas em educação sexual nas escolas e jovens brasileiros premiados por ações em comunicação comunitária, promoção da saúde e redução da violência juvenil.

A oficial de educação da UNESCO no Brasil, Mariana Braga, assegura a continuidade do intercâmbio por sua importância. Além de conferências virtuais realizadas mensalmente entre os jovens dos dois países, em fevereiro, será a vez de Cabo Verde receber os brasileiros. A comitiva será formada por integrantes do Programa Jovem de Expressão, uma iniciativa da Caixa Seguros e da Central Única das Favelas (Cufa-DF) que estimula o empreendedorismo e a promoção da saúde de jovens entre 18 e 29 anos. A iniciativa é apoiada pela UNESCO no Brasil desde 2011.
 
Intercâmbio

Os oito jovens de Cabo Verde que integraram a oficina são monitores dos chamados Espaços de Informação e Orientação (EIO), principal aposta do governo do país para promover ações de prevenção e educação sexual nas escolas. Seguindo a abordagem de educação pelos pares, o EIO é um espaço gerido pelos próprios alunos com apoio de pais, professores e psicólogos. Já estão instalados em 16 unidades de ensino e a meta é universalizá-los até 2016, abrangendo todas as 44 escolas de ensino secundário de Cabo Verde. “Muita gente tem vergonha de falar sobre isso com pessoas mais velhas e fica mais fácil quando a gente fala de colega para colega”, explica a estudante caboverdiana e monitora do EIO, Cíntia da Veiga, de 15 anos.
 
Pelo lado brasileiro, o jovem de expressão Davidson Pereira, de 28 anos, destacou a similaridade de abordagem realizada pelos jovens dos dois países. Apesar de priorizarem temas aparentemente distintos, – educação sexual nas escolas e educomunicação -, ele diz que a estratégia é parecida: a fala do jovem para o jovem. “Antes nossa comunicação era muito institucional. A gente viu que precisava usar a nossa própria linguagem e fazer essa comunicação direta”, conta. O aprendizado também é confirmado pela jovem de expressão Thais Moreira, de 22 anos, que levará novas metodologias para a comunidade do Sol Nascente, região mais pobre do Distrito Federal onde vivem cerca de 60 mil pessoas. ”Estou indo dar aulas de fotografia e as dinâmicas de grupo que aprendi aqui vão ajudar muito para fazer essa ligação com os jovens de lá”, diz.
 
Educação em sexualidade

É missão da UNESCO oferecer cooperação técnica aos Ministérios da Educação e da Saúde do Brasil nas temáticas relativas à educação preventiva para DSTs, à infecção pelo HIV, à gravidez juvenil e à promoção da saúde nas escolas. O objetivo é integrar os setores de educação e saúde com enfoque na promoção da saúde sexual e reprodutiva de jovens estudantes.
 
Segundo informações do IBGE, o acesso à escola no Brasil é de 97,4% para a população de 6 a 14 anos e de 87,7% na faixa etária de 15 e 19 anos de idade, independentemente da categoria de rendimento mensal. Além disso, 89,4% dos estudantes das escolas particulares e 87,5% dos alunos das escolas públicas dizem receber orientação sobre DSTs e AIDS, sendo que 71,4% dos alunos de escolas públicas e 65,8% de escolas privadas recebem orientação sobre como adquirir gratuitamente preservativos.
 
"A escola deve ser um espaço laico para a melhor formação do indivíduo e de sua saúde. Não adianta esconder, fugir e evitar o assunto. Melhor enfrentá-lo, ensinar meninos e meninas e instruir como se proteger de eventuais doenças. Isso é inteligente, saudável e proporciona conhecimento específico a quem dele necessita", destaca a oficial de Educação da UNESCO, Mariana Braga.
 
Segundo ela, a gravidez juvenil aumentou 15% entre 1980 e 2000 e já é a principal causa de evasão escolar de meninas no Brasil (10,8% do total). Os casos de AIDS também preocupam, já que os jovens de 13 a 29 anos constituem 27,6% do total de portadores de HIV do país. Em Cabo Verde, um dos principais desafios é a gravidez precoce. Ao contrário de muitos países africanos, entretanto, a prevalência de HIV/Aids é considerada baixa: 0,52%, contra até 20% em países que apresentam as maiores incidências da doença. “Mais da metade da população de Cabo Verde tem menos de 22 anos. Não há como não priorizar a juventude”, completa Suzana Delgado, chefe da comitiva caboverdiana e Técnica da Direção Geral de Ensino Básico e Secundário do Ministério da Educação de Cabo Verde.
 
A íntegra da cobertura colaborativa pode ser acessada na página da oficina no facebook.




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