Mensagem do Instituto Panos da África Ocidental (PIWA)

Mídia e Gênero: tempo para sinergia!

No Senegal, desde as últimas eleições, em 2012, as mulheres foram representadas com 41% dos deputados na Assembleia Nacional. Entretanto, em algumas manhãs, ao folhear os jornais da capital, tem-se a impressão de estar em um país sem mulheres, pois encontram-se apenas uma ou duas fotos de mulheres, normalmente em grupos mistos, ou às vezes foto alguma. Além disso, é muito difícil encontrar um artigo escrito por uma mulher.

No que toca a representação da realidade dos papeis das mulheres na sociedade, a mídia parece, de alguma forma... estar ausente. A realidade é que o tremendo dinamismo das mulheres – político, econômico e, sobretudo, social – está sendo cada vez mais bem organizado e influente, tanto local quanto nacionalmente (essa paridade de gênero tem sido obtida coletivamente pelas mulheres do Senegal). A mídia parece não somente viver em outro mundo como, às vezes (frequentemente), cria outro mundo, fazendo entender que o sexo masculino recusa a existência de mulheres ou distorce seus papeis ao sub-representá-las com suas imagens nos jornais. Como mostrado em diferentes estudos feitos na África Ocidental (PIWA) ou no sul da África (Femnet), essa situação não é exclusiva do Senegal.

As derrotas das mulheres são frequentemente mostradas com complacência, e mesmo como se fossem justificadas. Em uma época em que o estupro é reconhecido como uma arma de guerra utilizada deliberada e massivamente na esfera pública – na família, nas vilas ou no país como um todo – essa questão não tem sido sequer reportada, ou às vezes minimizada ou julgada com indulgência pela mídia, em delegacias ou em cortes judiciais. Da mesma forma, às vezes a mídia engaja-se a favor de uma maior limitação dos direitos reconhecidos por um código de família, o qual já é cauteloso.

As vitórias das mulheres, em contraste, são muitas vezes desconsideradas ou ridicularizadas (é o que continua a acontecer com relação à igualdade no Senegal).

Com relação à posição das mulheres em equipes editoriais, graças à proliferação da mídia que tem acompanhado essa questão, a liberalização do setor de mídia, sem dúvida, tem obtido sucesso ao garantir mais jornalistas mulheres, especialmente no setor de radiodifusão, em estações de rádio comunitária. Entretanto, raramente as mulheres ocupam posições de responsabilidade editorial ou gerencial.

Face a esse abuso da imagem da mulher, assim como de sua posição na mídia, a África Ocidental, bem como outras regiões do continente, está tomada por experimentos e iniciativas que visam à mudança de uma ordem midiática desigual em questão de gênero. Apoiadas pelo PIWA, várias partes interessadas têm se unido para enfrentar este abuso da imagem das mulheres e suas posições na mídia: associações de mulheres professionais de mídia (como a APAC) estão tomando medidas e até o poder em alguns setores no Mali, no Níger e em Burquina Faso. O PIWA, em parceria com a APAC, organiza prêmios nesses três países dedicados a editores de imprensa e redatores, que são condecorados em respeito à “diversidade de gênero em equipes editoriais”. Essa diversidade era buscada, até agora, apenas entre grupos religiosos ou étnicos, e não entre homens e mulheres. Os órgãos reguladores, como o novo CSC no Níger, permitem agora uma (pequena) cota de mulheres entre seus membros. Acima de tudo, as organizações de mulheres na sociedade civil que estão começando a ter interesse no jornalismo cidadão estão extinguindo a misoginia usual das equipes editoriais. Apesar desse sucesso, ainda existe muita discriminação em nível local! Assim, em várias regiões do Senegal, associações femininas de base, organizadas em “Clubes de Rádio Cidadão”, ao desafiarem e debaterem nas rádios com oficiais locais, têm sido bem-sucedidas em influenciar decisões políticas, garantido alguns de seus direitos (acesso a terras, funcionamento do serviço de saúde).

Agora, é necessário é uma maior sinergia entre essas diferentes iniciativas e diferentes partes interessadas, além de um pouco de ajuda externa, de que sempre precisam, seja técnica ou financeira.

Isto é o que a Aliança Global em Mídia e Gênero, proposta pela UNESCO, poderia fazer... Definitivamente, a hora é essa!

Diana SENGHOR
diretora
IPAO – Institut Panos Afrique de l’Ouest
PIWA – The Panos Institute West Africa
6, Rue Calmette, BP 21 132 Dakar-Ponty
Tel : + 221 33 849 16 66 – Fax : +221 33 822 17 61
www.panos-ao.org

“Conseguir um espaço democrático de comunicação na África pela mudança e pela justiça social”

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