Cultura e emergências

© CC-BY-SA 4.0 Tristan Weddigen - Museu Nacional, Rio de Janeiro, Brasil

Em uma situação de conflito armado ou de desastre, a cultura está particularmente em risco, devido à sua vulnerabilidade inerente e a seu grande valor simbólico. Ao mesmo tempo, a cultura é um motor de recuperação ao fortalecer a resiliência de uma comunidade. 

Conflitos:

Recentemente, o patrimônio cultural e as expressões culturais sofreram não apenas danos colaterais, saques em larga escala e tráfico ilícito, mas também se tornaram alvo de ataques sistemáticos e deliberados em inúmeros conflitos em todo o mundo, devido à sua alta significância nas comunidades a que pertencem.

A cultura é particularmente vulnerável a danos colaterais, a saques e a destruições intencionais, que ocorrem, muitas vezes, juntamente com a perseguição de indivíduos com base em sua afiliação cultural, étnica ou religiosa, a violação de seus direitos culturais e a negação de suas identidades.

Devido à forte conexão entre a cultura e as identidades das pessoas, a destruição intencional e a apropriação indevida do patrimônio cultural, bem como a violação dos direitos culturais são fatores agravantes nos conflitos armados e representam grandes obstáculos ao diálogo, à paz e à reconciliação.

Desastres:

Ao longo dos anos, as catástrofes causadas por desastres naturais e provocadas pelo homem, incluindo terremotos, incêndios, inundações, deslizamentos de terra e tufões, também têm causado grandes prejuízos, se não a perda total, de inúmeros sítios do patrimônio cultural e natural, museus, instituições culturais e de práticas culturais imateriais.

Um número crescente de desastres naturais tem causado sérios danos ao patrimônio e provocado preocupação ao setor cultural em geral, pois esses desastres têm minado a resiliência das comunidades afetadas, bem como suas perspectivas de um desenvolvimento sustentável com base em recursos e capacidades locais. Em algumas regiões, os desastres também são exacerbados pelo impacto da mudança climática, particularmente, no caso de eventos meteorológicos extremos.

Entretanto, a cultura não é apenas vítima nas situações emergenciais. Imediatamente após um desastre ou um conflito armado, as comunidades, com frequência, encontram nos patrimônios culturais um elemento essencial de apoio material e psicológico. Ter acesso a um patrimônio – seja um edifício religioso, uma cidade histórica, um sítio arqueológico ou uma paisagem cultural – ou participar de uma prática cultural específica, podem fornecer um senso de identidade, dignidade e autonomia muito necessários.

Além disso, logo após a situações de emergência, a cultura pode ser um veículo para construir economias e sociedades e promover a tolerância, e a reconciliação, mitigando as tensões e evitando o desencadear de novos conflitos. A música, a dança, o teatro e o cinema, por exemplo, têm sido usados para construir a compreensão mútua entre diversas comunidades de refugiados.

Para se alcançar um desenvolvimento sustentável e promover a segurança, é fundamental proteger a cultura em situações de emergência e aproveitar seu poder para promover a paz, a recuperação e a reconciliação, assim como seu potencial para reduzir as vulnerabilidades a desastres.

Por meio da implementação de suas Convenções da área de cultura, que se reforçam mutuamente, a UNESCO trabalha com a comunidade internacional para proteger a cultura e promover o pluralismo cultural em situações de emergência, implementando atividades em tempos de conflito e guerra civil, bem como na sequência de desastres naturais ou humanos.

Para apoiar ainda mais seus Estados-membros na preparação e atendimento de situações de emergência, a UNESCO criou:

É essencial fortalecer nossa capacidade coletiva para proteger a cultura e o pluralismo cultural como ferramentas para sociedades mais resilientes e mais pacíficas.

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