Ensino médio no Brasil

A pobreza mundial poderia ser reduzida pela metade em quase uma geração se todos os adultos completassem a educação secundária superior (ensino médio), segundo as recentes descobertas do UNESCO-UIS e dos relatórios de monitoramento global da educação.

A educação é a chave para o desenvolvimento de indivíduos, famílias, comunidades e sociedades. Ela fornece às pessoas os conhecimentos e as habilidades que aumentam sua produtividade e as torna menos vulneráveis a riscos. Estima-se que, em média, cada ano de escolarização poderia aumentar a remuneração salarial em 10%. Contudo, entre os jovens, a chance de ficar fora da escola aumenta em quatro vezes quando se trata de crianças, e em duas vezes quando adolescentes.  A base de dados do UNESCO-UIS mostra que, no ano 2000, havia 185,5 milhões de estudantes fora da escola com idade escolar no nível da educação secundária (entre 15 e 17 anos). Em 2015, este número diminuiu para 141 milhões.

Apesar disso, essas taxas de estudantes fora da escola ainda estão altas, e isso se deve a diversas razões como a pobreza, a falta de oportunidade de acesso à escola, a não obrigatoriedade da conclusão da educação secundária superior em muitos países, ou pelo fato de os jovens desistirem de frequentar a escola para trabalhar (UNESCO-UIS; Relatório GEM, 2016).

As taxas de conclusão são ainda mais baixas que as taxas de matrícula. Por exemplo, em países de renda baixa, 62% dos adolescentes foram matriculados em 2015, porém apenas 27% deles concluíram a educação secundária no período entre 2008 e 2014 (UNESCO, 2016). Com frequência, mesmo quando completam o ciclo educacional, crianças, adolescentes e jovens não obtêm as habilidades esperadas devido à baixa qualidade da educação. Vários estudos têm demonstrado que os baixos níveis da qualidade da educação e a fraca aquisição de habilidades dificultam o crescimento econômico, que, por sua vez, retarda a redução da pobreza.

De acordo com uma revisão de 64 estudos, em algumas condições, a expansão igualitária da educação ajuda a reduzir a desigualdade. Em particular, assegurar que a maioria das pessoas complete o nível secundário de ensino é uma condição essencial para reduzir a desigualdade nos países. No Brasil, a desigualdade de renda, conforme demonstrado pelo Coeficiente de Gini, reduziu em cerca de sete pontos percentuais em duas décadas, ao passo que a parcela da população com educação secundária cresceu (Abdullah et al., 2015).

Uma gama de caminhos para o desenvolvimento da educação pode ser efetiva para aumentar o crescimento econômico e reduzir a pobreza. Um desses caminhos é a integração da Educação secundário na Educação e a Formação Técnica e Profissional (EFTP) que pode ligar a educação e o mundo do trabalho.  A EFTP visa a tratar de demandas econômicas, sociais e ambientais ao ajudar os jovens e os adultos a desenvolver as habilidades que precisam para adquirirem emprego, trabalho decente e empreendedorismo. Assim, a EFTP promove o crescimento econômico igualitário, inclusivo e sustentável, além de dar assistência a transições para economias verdes e digitais.

Reformas sustentáveis na área da educação podem ser a resposta para os países que enfrentam desafios econômicos; a UNESCO oferece assistência técnica em análises de políticas de educação e na elaboração de planos nacionais de desenvolvimento do setor, bem como em mobilizações para o apoio de prioridades nacionais de educação, como reforma curricular, políticas para docentes e educação em TIC. Desde 1997, a UNESCO no Brasil tem acompanhado e prestado apoio às ações nacionais para implementar a reforma do ensino médio.

No processo para definir agendas de desenvolvimento regional e nacional ligadas ao diálogo mundial sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável após 2015, a visão de currículo como um instrumento para criar oportunidades de aprendizagem ao longo da vida o coloca no centro das discussões sobre coesão, inclusão, equidade e desenvolvimento. Nesse processo, a Organização no Brasil tem prestado assistência no desenvolvimento de políticas públicas que podem contribuir efetivamente com a melhoria do sistema educacional neste nível de ensino por meio de estudos, publicações, debates e acordos de cooperação técnica.

 

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