Ciência oceânica e zonas costeiras

© UNESCO\Dom João

A ciência oceânica inclui todas as disciplinas relacionadas ao estudo do oceano: ciências físicas, biológicas, químicas, geológicas, hidrográficas, da saúde e sociais, assim como a engenharia, as humanidades e as pesquisas multidisciplinares sobre a relação entre os seres humanos e o oceano. A ciência oceânica busca entender os complexos sistemas e serviços sociais e ecológicos multiescala, o que requer observações e pesquisa multidisciplinar e colaborativa” (Relatório Mundial de Ciência Oceânica, 2017).

O oceano é um meio ambiente habitável que cobre mais de dois terços de nosso planeta azul. Nele está a origem de toda a vida na Terra e afeta cada uma de nossas vidas; é a fonte de nossa água potável e de metade do oxigênio que respiramos; além disso, influencia nosso clima e tempo. Nosso oceano fornece alimentos, medicamentos e recursos minerais e energéticos; sustenta as múltiplas formas de vida e molda as características da Terra.

Antigamente, pensava-se que o oceano era uma parte vasta e indefinidamente resiliente do sistema terrestre, capaz de absorver praticamente todas as pressões da população humana, da exploração de recursos ao desenvolvimento da pesca, da aquicultura ao transporte marítimo. No entanto, nossa civilização está correndo contra o tempo para evitar o ciclo prejudicial de declínio da saúde do oceano, que terá repercussões dramáticas na capacidade que o oceano tem de continuar fornecendo o apoio de que precisamos.

Conservar a diversidade da vida na Terra e a saúde do oceano é fundamental para o bem-estar global da humanidade, mesmo assim, os recursos essenciais estão em risco devido a resultados diretos de práticas insustentáveis. O desenvolvimento sustentável não será possível de ser alcançado apenas por meio de soluções tecnológicas, regulamentações políticas ou instrumentos financeiros. Precisamos mudar nossa maneira de pensar e agir.

A mudança ambiental mundial tem dimensões sociais e humanas profundas. Atualmente, a superfície oceânica absorve quase um terço do CO2 que é emitido na atmosfera pelas atividades humanas, incluindo emissão de gases por combustíveis fósseis, desmatamento e produção de cimento. Mais de 30 programas da UNESCO nas áreas de ciências oceânicas, ciências naturais, educação, cultura e comunicação contribuem com a criação de conhecimento ao educar e comunicar sobre a mudança climática, e a compreensão das implicações éticas para as gerações atuais e futuras.

O desenvolvimento sustentável requer educação e aprendizagem de qualidade em todos os níveis educacionais e em todos os contextos sociais. A educação para o desenvolvimento sustentável (EDS) trata-se de capacitar-nos para lidar de forma construtiva e criativa com os desafios mundiais atuais e futuros, além de criar sociedades mais duráveis e resilientes. A UNESCO tem sido reconhecida mundialmente como a agência líder da EDS. A Organização coordena a implementação do Programa de Ação Mundial (Global Action Programme – GAP) em EDS, como o seguimento oficial da Década das Nações Unidas de EDS (2005-2014).

Com o apoio da Convenção do Patrimônio Mundial, os sítios naturais mais importantes recebem reconhecimento internacional, bem como assistência técnica e financeira para lidar com ameaças como invasões agrícolas, invasões de espécies exóticas e caça predatória.

Como parte de seus esforços em todo o mundo para salvaguardar nosso patrimônio cultural comum em suas diversas formas, em 2001, a UNESCO aprovou a Convention on the Protection of the Underwater Cultural Heritage. Esse tratado internacional estabelece princípios éticos para a proteção do patrimônio submerso, oferece um sistema detalhado de cooperação estatal, bem como regras científicas práticas para o tratamento e a pesquisa desse patrimônio. Esta Convenção sobre a proteção do patrimônio cultural subaquático ainda não foi ratificada pelo Brasil.

Monitoramento do oceano

Dependemos do oceano para nosso bem-estar, mesmo assim, sua importância não é correspondida pelo nosso conhecimento. A elaboração de políticas e medidas sustentáveis baseadas no ecossistema para os oceanos e as zonas costeiras necessita do apoio da ciência, incluindo pesquisa e observações. Os esforços de monitoramento são especialmente essenciais em um tempo em que os oceanos do mundo todo, suas costas e seus ecossistemas marinhos, estão passando por grandes mudanças causadas por interferências humanas cada vez maiores, como a emissão de gases com efeito estufa, poluição costeira, sobrepesca, pesca predatória, desenvolvimento costeiro ou crescimento da população.

Zonas costeiras e marinhas

O meio ambiente costeiro é particularmente importante tanto do ponto de vista socioeconômico quanto cultural, e existem níveis tipicamente altos de conflito nas demandas por espaços costeiros e seus respectivos recursos. Com frequência tal conflito é acentuado pelas altas e crescentes densidades populacionais nos litorais, e pelo desenvolvimento de setores econômicos, como o turismo.
 
Muitas zonas costeiras em países em desenvolvimento de várias partes do mundo aumentaram de forma extensiva suas atividades de pesca e de outros recursos marinhos disponíveis. Benefícios potenciais podem ser ótimos, mas são também problemas e desafios enfrentados por países engajados na busca por entender e otimizar esses benefícios potenciais.

Tanto nos ambientes terrestres quanto nos marinhos, as dificuldades no planejamento e na implementação de abordagens integradas efetivas à gestão de recursos refletem-se na superexploração de recursos específicos, poluição e degradação dos ecossistemas terrestres e aquáticos e nos graves conflitos decorrentes de usos competitivos de recursos.

Relação entre fontes de nutrientes e efeitos nos ecossistemas costeiros

O superenriquecimento de nutrientes dos ecossistemas costeiros é um grande problema ambiental em todo o mundo, ele contribui para outros problemas como, proliferação de algas nocivas, formação de zonas mortas e redução da pesca. Mesmo assim, as relações quantitativas entre a carga de nutrientes e os efeitos dos ecossistemas não estão bem definidos. O desenvolvimento dessas relações, concomitante com uma melhor compreensão da complexidade dessas relações, é fundamental para a gestão eficaz dos recursos costeiros; sem essa compreensão, a degradação dos sistemas aquáticos certamente continuará e resultará em maiores dificuldades sociais, econômicas e ambientais.

Perigos marinhos

A UNESCO está bastante comprometida em reduzir o risco imposto pelos tsunamis e outros eventos extremos que ocorrem no nível do mar, como alagamento costeiro e tempestades. Na medida em que o desenvolvimento costeiro continua em ritmo acelerado, aumenta a vulnerabilidade das populações nessas regiões. A UNESCO busca incentivar as comunidades a implementar medidas de mitigação e a conscientizar tanto sobre os perigos que correm quanto as maneiras mais efetivas para enfrentá-los.

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