Proteção In Situ

A proteção In situ significa a preservação do patrimônio cultural subaquático em sua localização original. A preferência dada pela convenção de 2001 à preservação in situ não significa que esta rejeite opções como a conservação em museus ou o acesso ao público. Ela apenas considera que a opção mais recomendada é a de infligir o menor dano possível aos vestígios arqueológicos.

As razões para optar pela proteção in situ são várias:

- O tratamento em laboratório de elementos embebidos de água pode ser dispendioso e tomar tempo, e não exclui totalmente o risco de deterioração.

- Frequentemente falta-se lugar nos museus para acolher objetos recuperados de naufrágios e geralmente permitem apenas acolher grandes objetos de madeira ou de metal.

- A autenticidade de um sítio, o seu contexto e a sua integridade não podem ser garantidos quando os objetos são recuperados. A melhor maneira de preservar a importância do patrimônio como testemunho de um acontecimento histórico bem como a atratividade do ambiente subaquático é optar pela conservação in situ.

Descobrir o património cultural subaquático in situ

Trilhas de mergulho

  • Caesarea (Israel)

O antigo porto de Cesaréia foi construído pelo rei Herodes para homenagear o seu patrono romano, César Augusto. Foi um dos maiores portos do Império Romano quando foi inaugurado, em 10 aC. Localizado na costa mediterrânica de Israel hoje se tornou um museu subaquático para mergulhadores. Eles podem nadar ao longo do "sign-posts" e admirar as relíquias do porto: ruínas de um farol, um quebra-mar antigo, fundações originais do porto, âncoras, pedestais e até mesmo de um naufrágio de época romana.

Florida Keys National Marine Sanctuary (USA)

Naufrágios históricos estão espalhados ao longo dos recifes e enterrados na areia a poucos quilômetros de Florida Keys, nos EUA. Os nove naufrágios estão associados à história americana colonial e têm a mesma importância que um museu em terra. Através de trilhas subaquáticas a Florida Keys National Marine Sanctuary faz este rico património marítimo mais visível. Um guia subaquático está disponível. Ele fornece informações sobre os  naufrágios, bóias de posições, a história, um mapa do sítio, e identifica a vida marinha do local.

Kronprins Gustav Adolf (Finland)

Declarado um parque marítimo histórico subaquático no ano de 2000, o local do naufrágio do Gustav Adolf Kronprins em Helsínquia, é o primeiro parque finlandês desse tipo. O navio sueco naufragou em 1788 e seus restos foram descobertos em 1995. Os mergulhadores podem visitar os destroços, seguindo uma linha com doze painéis informativos sobre vários detalhes dos naufrágios. Geralmente as correntes não são fortes, permitindo visibilidade entre um e dez metros.

Sítios de Naufrágios protegidos (Croácia)

Autoridades croatas instalaram gaiolas de metal sobre diversos naufrágios para protegê-los. Embora esta protecção não pode impedir totalmente os saqueadores potenciais, ela impede que a devastação de sítios ao mesmo tempo permitindo que mergulhadores possam desfrutar desse patrimônio. O sistema de cooperação com os clubes de mergulho locais tem tido de grande sucesso e contribuiu em grande parte para a preservação dos sítios.

Ustica (Italy)

A antiga cidade  submersa de Osteodes, naufrágios, e lava petrificada podem ser encontrados ao redor da ilha de Ustica no Mar Tirreno, 57 km a noroeste de Palermo, na Itália. Em 1990, uma trilha subaquática guiada foi criada em Punta Gavazzi, Ustica, permitindo aos mergulhadores a oportunidade de admirar os inúmeros sítios do patrimônio subaquático "in situ". A proteção dos sítios tornou possível também a preservação do coral preto e de tartarugas, e numerosos centros de mergulho foram ali estabelecidos.

Wellington (Nova Zelânida)

Uma embarcação naufragou em 13 de novembro de 2005 e se encontra entre 23 a 26 metros em "Island Bay" na costa sul de Wellington, Nova Zelândia. O naufrágio atraiu o interesse dos mergulhadores e de muitos turistas, incluindo muitos ex-militares da Marinha que haviam servido a bordo do navio. Seus restos também atraem milhares de peixes, incluindo kahawai, bacalhau e Tarakihi. Dada a atração deste e de outros sítios semelhantes, a Associação de Arqueologia Marítima da Nova Zelândia desenvolve um "trilha de naufrágios". Projetado para mergulhadores e não mergulhadores, que vai oferecer informações sobre a localização e a história dos naufrágios ao redor da cidade.

Uma alternativa para a visita "in situ": A visita virtual.

A cada dia mais sítios do Patrimônio Cultural Subaquático são acessíveis aos arqueólogos e mergulhadores. No entanto, alguns ainda estão inacessíveis, localizados em mar profundo, em uma área onde as correntes são muito fortes ou estão em uma área onde a escuridão é quase total. Estas condições favorecem frequentemente a conservação a longo prazo do patrimônio, mas impede o público e a comunidade científica da descoberta.

Consequentemente, vários projetos foram lançados a fim de permitir o acesso a esses sítios através de uma exploração tridimensional virtual. Os dados necessários para a realização dessas simulações são recolhidos por veículos não tripulados, autônomos, equipados com sonar e instrumentos adequados.

Entre esses projetos, podemos citar o projeto Vênus.

Voltar ao topo da página