Implementar ações urgentes para adaptar ou mitigar a acidificação dos oceanos

Justificativa

© Dmitry Klimenko
UNESCO and climate change: a long-term concern

Atualmente, os oceanos absorvem mais de 26% do dióxido de carbono emitido pela atividade humana na atmosfera, resultando em elevada acidez dos oceanos (pH reduzido). Essa acidez elevada tem diversos efeitos sobre organismos e ecossistemas, sendo o mais significante a diminuição na concentração/disponibilidade de íon carbonato para o plâncton e espécies de conchas que fixam carbonato de cálcio. Uma vez que o pH “limite” é atingido por um dado organismo, ele não pode mais fixar carbonato de cálcio nas suas conchas e é ameaçado de extinção local. Esses organismos de carbonato de cálcio, principalmente fitoplâncton e zooplâncton, e também alguns moluscos, servem como base de muitas das cadeias alimentares marinhas em vários tipos de ecossistema, realçando o impacto potencial da acidificação em ecossistemas inteiros. A cultura marinha de moluscos também pode ser afetada.

O outro problema do CO2 surgiu apenas na última década, e são necessárias mais pesquisas para desenvolver projeções significativas dos seus impactos nos ecossistemas marinhos e na pesca, bem como para identificar limites que, se forem ultrapassados, podem tornar esses ecossistemas incapazes de se recuperar.

Além de mais pesquisas, são necessárias ações para reduzir e reverter os impactos da acidificação. São necessárias ações imediatas e coordenadas pela comunidade científica internacional e pelos formadores de políticas para mitigar com urgência esse tema emergente – a questão foi abarcada pela Declaração de Mônaco, em 2008, mas ainda não foi implementada. Enquanto essa proposta trata somente da acidificação dos oceanos, o tema sobre o armazenamento de carbono em formações geológicas submarinas também precisa ser discutido.

Principais objetivos da proposta

1. Lançar um programa global interdisciplinar sobre avaliação de risco da acidificação dos oceanos para fornecer previsões globais, regionais e nacionais, incluindo impactos socioeconômicos para uso dos tomadores de decisão. Incluir o desenvolvimento de parcerias entre economistas e cientistas, para avaliar os impactos socioeconômicos. Identificar pontos críticos de limite, nos quais a acidificação pode levar ao colapso do ecossistema marinho em regiões específicas mais propensas à acidificação.

2. As negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC) devem levar em conta não apenas os efeitos dos níveis elevados de dióxido de carbono na atmosfera, que afeta o equilíbrio da radiação da Terra, mas também o impacto negativo sobre a química dos oceanos e sobre seus ecossistemas. Resultados acima da análise dos “pontos críticos” deverão informar a configuração de metas agressivas e do calendário para redução do GEE, por meio de mudanças para a produção de energia de baixo carbono.

3. Promover pesquisa e capacitação para melhor compreender os impactos da acidificação dos oceanos nos ecossistemas marinhos.

Resultados esperados

Entendimento entre cientistas, formadores de políticas e indústria aumentarão a probabilidade da implementação da Declaração de Mônaco sobre Acidificação dos Oceanos e da reversão dos impactos da acidificação. Compromisso de alto nível para ações urgentes na mitigação da mudança climática, para evitar a aproximação ou o alcance dos “pontos críticos” da acidificação dos oceanos.

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