18.06.2012 - UNESCO Office in Brasilia

Tornar cidadãos que protegem o oceano

Joe Bunni+- 5 mètres

A construção de uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza está no centro das discussões na Rio + 20 conferência. No entanto, o desenvolvimento desta economia “verde” vai depender em parte da gestão sustentável e do uso do mar e de seus recursos.

O oceano, nosso patrimônio comum, cobre mais de 70% da superfície do globo. O oceano molda o clima da terra e influencia a distribuição de ecossistemas, de biodiversidade e da disponibilidade de alimentos em todo o mundo. Este corpo único e contíguo de água é fundamental para a vida humana. No entanto, apesar de pesquisas científicas promovidas por cooperação internacional nos últimos 50 anos, o oceano permanece relativamente inexplorado.

Para atenuar a degradação contínua do mar e de seus tesouros marinhos, para restaurar e sustentar seu mercado crítico e serviços de ecossistema, é necessário ser feita uma transição da economia verde para verde e azul. Azular a economia verde – que está desenvolvendo atividades econômicas sustentáveis que geram trabalho e prestam assistência ao alívio da pobreza, enquanto envolvem a gestão ambiental integrada e adaptam-se e mitigam mudanças climáticas e outros desafios existentes e emergentes – é um dos maiores desafios de nossa época, e o único caminho viável para atingir um futuro sustentável.

A transição para uma economia verde e azul implicar em nos comprometer em desenvolver uma nova relação com nosso oceano onde nós nos esforçamos para viver com e para o oceano de forma sustentável. Para fazer esta transição é necessário maior investigação científica e cooperação, bem como observação e monitoramento de sistemas, incluindo sistemas de alerta precoce para obter uma melhor compreensão deste complexo sistema.

Dados e informações científicas confiáveis devem informar os processos de decisão a fim de desenvolver políticas para a gestão sustentável do nosso oceano. Conhecimento indígena sobre o oceano e seus recursos também devem contribuir para esse processo. Mecanismo e ferramentas adequados devem ser desenvolvidos para proteger recursos do oceano e da biodiversidade, manutenção de meios de subsistência que são compatíveis com os ecossistemas saudáveis. A transição para uma abordagem verde e azul vai exigir uma mudança no comportamento humano que só pode ser instrumentado por meio da educação e conhecimento sobre o oceano, levando ao surgimento de uma verdadeira "cidadania oceânica". 

Essas três dimensões interligadas – conhecer nosso oceano, proteger nossos tesouros marinhos, empoderar cidadãos com vontade de proteger o oceano – estruturarão o evento paralelo organizado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (UNESCO-IOC), que acontece em 20 de junho de 2012, onde um prestigiado painel irá discutir e apresentar uma série de iniciativas que oferecem suporte à Rio+20, com metas para a proteção marinha, levando ao uso sustentável do oceano.

Conhecer nosso oceano: como a ciência e a tecnologia podem ser úteis às nações costeiros no gerenciamento sustentável de recursos marinhos e costeiros, de proteção de suas populações costeiras e para manter serviços de ecossistema?

Proteger nossos  tesouros marinhos: como podemos preservar melhor nosso patrimônio natural e cultural dos oceanos e das costas, bem como os serviços essenciais que o oceanos fornece à sociedade?

Empoderar cidadãos que protegem o oceano: a administração eficaz do oceano requer a participação de todas as partes da sociedade na definição de um futuro comum para o oceano e na promoção de mudanças de comportamento em relação ao oceano. Como capacitar cidadãos e a sociedade? 

Um documento recentemente publicado fornece informações, "Healthy Ocean, Healthy People” (PDF), entra em mais detalhes e apresenta iniciativas, programas e propostas. 

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, também irá apresentar na Rio+ 20 o compromisso assumido pela UNESCO-IOC em resposta à necessidade amplamente reconhecida de reforçar as capacidades de ciências marinhas dos países em desenvolvimento para avançar na gestão sustentável de oceanos em todos os níveis. A UNESCO-IOC compromete-se a coordenar uma avaliação global e regional das necessidades de desenvolvimento de capacidades no domínio da observação científica de investigação marinha no desenvolvimento das nações e nos países em pequenas ilhas insulares, levando a formulação e a implementação de uma estratégia de desenvolvimento de capacidade global para preencher as lacunas identificadas.

Esse compromisso é baseado em uma proposta de um modelo das Nações Unidas para a sustentabilidade oceânica e costeira (UN Blueprint on Ocean and Coastal Sustainability). Esta proposta será implementada em estreita cooperação com o Fórum Global dos Oceanos liderado pelo Compromisso Voluntário na construção global de capacidade para governança integrada dos oceanos, em parceria com países, agências da ONU, instituições financeiras globais e setor privado.

O evento paralelo é organizado pela World Meteorological Organisation (WMO), Fond Tara, o governo da Dinamarca, a Fundação Sandwatch e o Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO (UNESCO World Heritage Centre).

Links relacionados (em inglês):




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