21.06.2012 - UNESCO Office in Brasilia

Conheça nossos oceanos, proteja nossos tesouros marinhos, empodere nossos cidadãos

Construir uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza está no centro das discussões da Conferência Rio+20. No entanto, o desenvolvimento desta “economia verde” dependerá em parte do gerenciamento e do uso sustentável e do oceano e de seus recursos.

Em 20 de junho de 2012, um evento paralelo da Rio+20, moderado por Wendy Watson-Wright (secretária executiva da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (Intergovernmental Oceanographic Commission UNESCO-IOC), destacou como o oceano indivisível precisa de ações interrelacionadas em ciência, proteção e educação para uma abordagem sustentável de seu uso e recursos.

Irina Bokova (diretora-geral da UNESCO) lamentou que somente 1% das áreas oceânicas do mundo esteja protegida e clamou pelo aumento da educação ambiental para que cidadãos não  ignorem a questão sobre a sustentabilidade do oceano. Como o aumento da base de conhecimento, ela declarou sobre a importância do Sistema Global de Observação Oceânica da UNESCO-IOC. Ela apontou o papel de liderança de sua organização na proteção dos ecossistemas oceânicos por meio do estabelecimento de sítios do patrimônio marinho, os quais representam um terço das áreas protegidas do mundo marinho. Ela também reconheceu o papel da UNESCO na formação e capacitação de competências de seus Estados-membros sobre gerenciamento do oceano e saudou o comprometimento voluntário da Rio+20 submetido pela UNESCO-IOC no apoio ao desenvolvimento de capacidades em ciência e observação marinhas.

Patricia Miloslavich (Census of Marine Life) disse que somente 10% do total da diversidade marinha é conhecida, e que 90% da biomassa do oceano é composta por micróbios. Ela destacou que a população de peixes diminui 90% devido a medidas básicas, e disse que os desafios científicos incluem a aquisição de uma visão global integrada, a cobertura der falhas no conhecimento, bem como a conscientização de como os humanos podem usar e proteger os oceanos. 

Michel Jarraud (secretário-geral da World Meteorological Organization) apresentou sistemas de alerta para a proteção de comunidades costeiras. Citando o exemplo do  furacão Katrina, o qual atingiu Nova Orleans em 2005, ele grifou que mesmo os países mais desenvolvidos são vulneráveis aos desastres naturais exacerbados pela mudança climática. Enfatizou que os oceanos contêm a memória do sistema climático, e explicou como o sistema de oscilação climática do Sul - El Niño/La Niña – pode impactar no outro lado do planeta como recentemente aconteceu com a seca na Etiópia.
Clayton Lino (Reserva da Biosfera Costeira e Marinha da Mata Atlântica) apresentou a contribuição da UNESCO e a estrutura institucional do sistema da Biosfera da Mata Atlântica, onde as reminiscências da Mata Atlântica estão associadas às florestas secundárias relevantes, formando um ecossistema único e especial que se estende ao longo de mais de 3,000 km pela costa. Ele disse que as principais ameaças das áreas costeiras de Mata Atlântica incluem poluição química, urbanização, pesca e poços de óleo e gás recentemente perfurados a poucas distâncias das praias.

Usando o atol de Aldabra como exemplo, Frauke Fleischer-Dogley (CEO, Fundação das Ilhas Seicheles) declarou que nenhum outro sistema internacional de áreas protegidas mantém seus sítios responsáveis pelos esforços de sua conservação assim como fazem os sítios do Patrimônio Mundial Marinho da UNESCO (UNESCO World Heritage Marine Sites). Ela pediu que estes sítios, que representam 0,3% dos oceanos do mundo, sejam expandidos para os 99% dos oceanos que são estão protegidos.
Gillian Cambers (co-diretor da Fundação Sandwatch) descreveu o programa mundial da Sandwatch que mede, avalia, compartilha informação e age nas praias. Ela disse que o programa depende do apoio de voluntários, da UNESCO e do governo da Dinamarca e pediu que os cidadãos mantenham-se à frente da conservação marinha.

Romain Troublé (Tara Expeditions) deu um exemplo de expedição costeira que conduz a investigações científicas e promove a conservação marinha em comunidades costeiras em todo o mundo. Ele disse que os oceanos devem ser protegidos para o bem da humanidade mais do que pelo bem das baleias.

Jean-Michel Cousteau (presidente da Ocean Futures Society) afirmou que os negociadores da Rio+20 têm a oportunidade de proteger 20% dos oceanos do mundo. Cousteau declarou que os tomadores de decisão frequentemente não têm acesso à informação necessária para tomar decisões proativas sobre os oceanos. Apontando os exemplos do presidente W. Bush e do presidente Zedillo ao decidirem sobre agir sobre a conservação marinha do Hawaii e da Baja California, respectivamente. Cousteau disse que o segredo para convencer políticos a agir em prol dos oceanos é tocando seus corações, que leva a aliviarem seus sistemas de defesa.

Informações relacionadas:




<- Back to:
Voltar ao topo da página