03.05.2012 - UNESCO Brasilia Office

Reconhecer a importância de sistemas costeiros de carbono azul para a mitigação da mudança climática

© UNESCO-TVEMalindi-Watamu Biosphere Reserve (Kenya)

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável 2012 (Rio+20) é uma oportunidade para estabelecer uma nova agenda para um futuro sustentável. Enquanto os delegados se reuniam em Nova Iorque para a segunda rodada de negociações informais sobre o documento preliminar dos resultados da Rio+20, um evento paralelo foi organizado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (UNESCO-IOC), pela União Internacional para a Conservação da Natureza e seus Recursos (UICN) e pela Conservação Internacional (CI), para debater o Marco de Ação de Políticas sobre Carbono Azul, discutindo inúmeras ferramentas inovadoras para proteger e enfatizar a importância da proteção de ecossistemas marinhos e costeiros.

Alguns ecossistemas marinhos, como os manguezais, os pântanos salgados e os prados marinhos, além de apresentarem grande valor de biodiversidade e fornecerem criadouros e viveiros para peixes, também podem desempenhar um papel-chave na mitigação da mudança climática global, por sua capacidade de armazenar carbono. Esses ecossistemas de carbono azul estão sendo degradados e destruídos rapidamente ao longo das faixas litorâneas do mundo, o que resulta em emissões globais significativas de dióxido de carbono na atmosfera e nos oceanos e contribui para a mudança climática.
Há crescentes evidências e consenso de que o gerenciamento dos ecossistemas costeiros de carbono azul, por meio da conservação, da restauração,  o controle das emissões e o uso sustentável, tem grande potencial como ferramenta transformadora para um gerenciamento global eficaz do carbono natural. O entendimento científico sobre o sequestro de carbono e as emissões potenciais dos ecossistemas costeiros atualmente já é suficiente para que se desenvolvam o gerenciamento e políticas efetivas, bem como incentivos à conservação do carbono azul costeiro.
O embaixador Eduardo Ulibarri, representante permanente da Costa Rica na ONU, moderou o evento paralelo e destacou a conscientização sobre o poder de mitigação do carbono azul e enfatizou a urgência de se incluir o carbono azul nas negociações sobre mudança climática.
Julia Marton-Lefèvre, diretora-geral da UICN, pediu ações para conservar os ecossistemas costeiros, lamentando sua rápida destruição, decorrente da falta de entendimento sobre os impactos humanos. Ela salientou o papel dos pântanos salgados, dos manguezais e dos pântanos de maré no sequestro de carbono, mencionando que sua capacidade de carbono excede a de vários outros habitats terrestres.
Emily Pidgeon, da CI, explicou a importância dos ecossistemas marinhos e costeiros, como sequestradores e fontes de carbono. Ele apresentou a Iniciativa Carbono Azul, que visa a aumentar a conservação, a restauração e o gerenciamento sustentável de ecossistemas costeiros de carbono azul.
Falando sobre a ciência do carbono azul, Miguel Cifuentes, do Centro Agronômico Tropical de Investigação e Ensino (CATIE), na Costa Rica, alertou sobre as quantidades significativas de emissões de carbono que decorrem da destruição de habitats costeiros, da sua conversão em áreas terrestres e das interrupções das subidas da maré, afirmando que os ecossistemas costeiros mantêm 75% de todas as espécies tropicais de peixes comercializáveis, por seu papel como criadouros.
David Gordon, da Duke University, falou sobre o aspecto econômico do carbono azul, alertando que não é fácil quantificar monetariamente os seus benefícios. Ele disse que, para assegurar o futuro das economias baseadas no carbono azul, elas devem ser incorporadas nos mercados voluntários existentes e incluídas em atividades futuras de mitigação.
Julian Barbiere, da UNESCO-IOC, delineou os aspectos referentes às políticas de carbono azul e destacou as atividades que estão sendo desenvolvidas com base na Iniciativa Carbono Azul, incluindo: conscientização, consultas às partes interessadas e aos formadores de políticas, e elaboração de um Marco de Ação de Políticas sobre Carbono Azul.
Durante as discussões, os participantes deliberaram sobre, entre outros temas: os benefícios da redução dos riscos de desastres relacionados à proteção dos ecossistemas costeiros, o valor do carbono para os ecossistemas costeiros e a dificuldade de se estabelecer inventários de carbono para ecossistemas costeiros.
Com ações adequadas e oportunas, por meio do processo de negociações da Rio+20, o crescente reconhecimento da importância dos sistemas costeiros de carbono azul influenciará positivamente o gerenciamento e a regulação de áreas costeiras e fornecerá uma base para incentivos, incluindo mecanismos financeiros, com o objetivo de conservar ou restaurar esses sistemas, e de evitar e gerenciar emissões e impactos, ou seja, apoiar a mitigação e a adaptação à mudança climática.

Links relacionados:




<- Back to:
Voltar ao topo da página