23.04.2012 - UNESCO Brasilia Office

Carbono azul: uma ferramenta para mitigar a mudança climática e preservar importantes ecossistemas marinhos e costeiros

© Conservation International/photo by Giuseppe Di CarloRestored mangroves around a shrimp farm in Batangas, Verde Island Passage, Philippines.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) é uma oportunidade para estabelecer uma nova agenda para um futuro sustentável. Enquanto os delegados se reúnem em Nova Iorque, para uma segunda rodada de negociações informais sobre o documento preliminar dos resultados da Rio+20, um evento paralelo foi organizado para informá-los sobre o valor potencial da conservação do ambiente costeiro por meio de iniciativas do carbono azul, como meio de assegurar a sustentabilidade das áreas costeiras em longo prazo, o desenvolvimento da economia verde e, simultaneamente, a efetiva mitigação da mudança climática.

Os serviços de preservação de ecossistemas dos habitats marinhos e costeiros são de importância crucial para a segurança alimentar e a erradicação da pobreza, assim como para muitos setores que atualmente são forças motrizes das economias de nações costeiras.

Alguns desses ecossistemas, tais como os manguezais, os pântanos salgados e os prados marinhos, possuem altos valores de biodiversidade proporcionam áreas de reprodução e de berçário para a pesca; além disso, também podem desempenhar um importante papel na mitigação da mudança climática global, por sua capacidade de armazenamento de carbono. As emissões de carbono antropogênico na atmosfera e nos oceanos são a causa mais significante da mudança climática global. Refrear a mudança climática significa remover o carbono da atmosfera e dos oceanos e evitar novas emissões desse gás.

O total de depósitos de carbono por quilômetro quadrado nesses sistemas costeiros pode ser até cinco vezes maior do que o carbono armazenado em florestas tropicais. Sua capacidade de absorver (ou sequestrar) o carbono pode chegar a uma proporção até 50 vezes maior do que na mesma área de floresta tropical.

Esses ecossistemas de carbono azul estão sendo degradados e destruídos em ritmo acelerado ao longo das linhas costeiras do mundo, o que resulta em significantes emissões de dióxido de carbono na atmosfera e nos oceanos e contribui para a mudança climática. A drenagem de uma zona úmida costeira típica, tal como um manguezal ou um pântano, libera 250 mil toneladas de dióxido de carbono por quilômetro quadrado por cada metro de solo perdido. Dados globais mostram degradação e destruição aceleradas nos prados marinhos, nos manguezais e nos pântanos de maré. De fato, entre 1980 e 2005, 35.000 quilômetros quadrados de manguezais foram eliminados em todo o mundo – uma área equivalente ao tamanho da Bélgica.

Há crescente evidência e consenso de que o gerenciamento dos sistemas costeiros de carbono azul, mediante a conservação, a restauração, o controle das emissões e o uso sustentável, tem um grande potencial de transformação, servindo de ferramenta para o efetivo gerenciamento global do carbono natural. O entendimento científico do sequestro de carbono e das emissões potenciais dos ecossistemas costeiros já é suficiente para se desenvolver o gerenciamento e políticas efetivas, bem como incentivos à conservação do carbono azul costeiro.

Com ações apropriadas e oportunas, por meio do processo de negociação da Rio+20, o crescente reconhecimento da importância do carbono azul costeiro ocasionará melhores gerenciamento e regulação das áreas costeiras e proporcionará uma base para incentivos, incluindo mecanismos financeiros de conservação ou restauração desses sistemas, de forma a evitar e a gerenciar as emissões, assim como seus impactos, como por exemplo, apoiar a mitigação e a adaptação à mudança climática.

Esse evento paralelo foi organizado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (UNESCO-COI), pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e pela Conservação Internacional (CI), para proporcionar informações  úteis aos delegados durante o processo. Esse evento será a ocasião para discutir e apresentar diversas ferramentas inovadoras, construídas nos trabalhos do Marco de Políticas do Carbono Azul. Importantes questões a serem tratadas na Rio+20 também serão discutidas nesse evento, tais como:

  • A Rio+20 deve estabelecer um processo para promover metas de proteção e de restauração dos habitats costeiros para os Estados com calendário e compromissos claros?
  • A abordagem da economia verde deve incluir a criação de mecanismos de sustentabilidade financeira, de valorização econômica (valores de mercado e não mercantis) de importantes habitats costeiros, bem como de incentivos para promover mudanças para usos mais sustentáveis, tais como o ecoturismo e a pesca em pequena escala? 
  • Como pode ser melhorada a capacidade institucional nos âmbitos internacional e nacional, a fim de implementar ferramentas por meio de subsídios à mudança do uso das terras e dos oceanos para métodos mais sustentáveis, monitorar e produzir relatórios, além de capacitar  por meio de treinamento?

Na preparação para a Rio+20, a UNESCO-COI, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização Marítima Internacional (OMI) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), prepararam um “Modelo para a sustentabilidade dos oceanos e áreas costeiras”. Esse documento fornece um contexto para as discussões da Rio+20, por meio da análise dos desafios atuais do gerenciamento oceânico e costeiro em todo o mundo. Mais importante ainda, ele propõe um conjunto concreto de propostas e objetivos para a transição para uma economia azul e verde. Uma dessas propostas é o desenvolvimento de um programa global que tenha como objetivo uma maior proteção e restauração dos habitats oceânicos e costeiros vitais, e de um mercado global de carbono azul como meio de criar ganhos econômicos diretos por meio da proteção dos habitats.

Links relacionados (em inglês):


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The International Union for Conservation of Nature (IUCN) [União Internacional para a Conservação da Natureza] - auxilia o mundo a encontrar soluções pragmáticas para os nossos desafios mais prementes quanto ao desenvolvimento e ao meio ambiente. A IUCN trabalha com biodiversidade, mudança climática, energia, subsistência humana e transformação da economia mundial em uma economia verde, apoiando pesquisas científicas, gerenciando projetos de campo em todo o mundo e articulando governos, ONGs, a ONU e as empresas para desenvolver políticas, leis e boas práticas.




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