27.06.2012 - UNESCO Office in Brasilia

Preparando o caminho para o desenvolvimento sustentável após a Rio+20: Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável

Com a maioria dos indicadores ambientais em nosso planeta dando alerta vermelho de uma transição crítica em escala planetária por consequência da influência humana, cientistas internacionais de ponta e gestores públicos reuniram-se durante 5 dias num fórum antes da Conferência Rio+20 para ajudar a estabelecer as agendas de pesquisa, tecnologia e políticas necessárias para reverter essa tendência.

O Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável forneceu uma plataforma de fortalecimento do diálogo entre pesquisadores, governos, gestores públicos e a sociedade civil para produzir o conhecimento e a tecnologia necessários à construção de sociedades verdes, sustentáveis. Compartilharam os mais atuais conhecimentos científicos em questões de desenvolvimento sustentável e esboçaram um conjunto de recomendações temáticas em preparação à implementação da nova agenda global após a Rio+20.
Todos concordaram que, assim como se deve integrar aspectos ambientais à economia, também é preciso ter dados científicos sólidos como base para as novas políticas. Isso demanda mais pesquisa e observação contínua, mas também o alinhamento entre pesquisas e os objetivos das políticas.

Há necessidade de uma nova abordagem em pesquisa que seja interdisciplinar, orientada para soluções e que gere políticas relevantes, com forte componente social. O mundo agora entrou numa nova era geológica, o Antropoceno; muitos processos do sistema terrestre, assim como o tecido vivo dos ecossistemas, são agora dominados por atividades humanas. Isso reflete a realidade segundo a qual pessoas são parte dos ecossistemas que constroem, e em que os sistemas ecológicos e societários são mutuamente dependentes. As ciências sociais têm um papel vital no entendimento das pressões planetárias e no estabelecimento da fundação para o desenvolvimento sustentável, assim como as ciências básicas e ambientais. Juntas, combinam-se para formar o DNA da ciência guiada pela sustentabilidade, que é tão necessária hoje.

A iniciativa O Futuro da Terra visa a estender esse objetivo. Essa nova e corajosa iniciativa, com duração de 10 anos, de pesquisas sobre mudanças ambientais para a sustentabilidade, foi lançada durante o Fórum por uma aliança de parceiros internacionais da ciência mundial, agências da ONU e financiadores de pesquisa. A iniciativa irá coordenar pesquisas científicas criadas e produzidas em parceria com governos, empresas e, de maneira mais abrangente, com a sociedade.

 “A UNESCO orgulha-se de fazer parte desse importante esforço de mobilização da ciência para o desenvolvimento sustentável”, disse Gretchen Kalonji, diretora-geral assistente em ciências naturais da UNESCO, apontando que os desafios propostos pelo desenvolvimento sustentável são multifacetados, o que demanda uma ciência interdisciplinar. A UNESCO tem muito a contribuir a esse respeito por seu mandato multidisciplinar em educação, cultura e ciências naturais e humanas, que é totalmente único no cenário internacional.

A necessidade de mobilizar conhecimento de disciplinas diversas é particularmente evidente no campo de redução de risco de desastres. Na implantação de sistemas de alerta de tsunami, por exemplo, o aspecto científico é primordial, porém educação, cultura, organização social e comunicação são tão importantes quanto para salvar vidas. As recomendações desse painel também incluem a introdução da educação sobre riscos em vários currículos e a tomada de consciência por meio de iniciativas de divulgação sobre risco de desastres com base em evidências.

O Painel para a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas enfatizou a necessidade de melhor integrar os componentes sociais e naturais da ciência da biodiversidade para prever os impactos das mudanças societárias e, em resposta, contribuir com boas políticas e educação. (Recomendações completas)
O Painel para Sabedoria Indígena apontou ao crescente reconhecimento da sabedoria indígena e tradicional como componente essencial da sustentabilidade global em domínios diversos como conservação e manejo de biodiversidade, segurança alimentar, preparação para desastres naturais, avaliação e adaptação a mudanças climáticas, entre outros. As Recomendações incluem ir além de integrar e validar a sabedoria indígena, abraçando a co-criação e co-produção de conhecimento por cientistas e detentores de sabedoria indígena de maneira igualitária e mutuamente respeitosa.

O Painel para Discussão do Plano de Segurança da Água destacou o papel chave da água para os objetivos de desenvolvimento sustentável e mudanças em direção a uma economia verde. Suas recomendações incluem a integração do manejo de recursos hídricos em todos os setores (economia, uso da terra, agricultura, energia, transporte) e a adoção de planejamento e manejo participatórios.

Um evento paralelo foi palco para mulheres cientistas de ponta que enfatizaram o papel crucial que mulheres cientistas podem ter no desenvolvimento sustentável durante as negociações da Rio+20. O evento paralelo estimulou discussões sobre o papel de mulheres na ciência de contribuir com soluções viáveis para o bem-estar humano, a inclusão social e a sustentabilidade ambiental.

O evento paralelo Oceanos em Foco: Ciência e Governança para a Sustentabilidade Global forneceu a primeira porta à discussão e apresentação de um número de iniciativas sobre o uso sustentável dos oceanos em apoio à iniciativa O Futuro da Terra e aos resultados da Rio+20. Os participantes reconheceram que a governança dos oceanos é fragmentada tanto em linhas setoriais quanto geográficas que ignoram a interconexão e escala dos problemas oceânicos.
 
Concordaram que há necessidade urgente de um contexto internacional de cooperação para pesquisa e governança de oceanos que irão definir as condições para que o cientista elabore predições precisas sobre o futuro.

O Documento Final da Rio+20 reconhece, na busca do desenvolvimento sustentável, a importante contribuição da comunidade científica e tecnológica, a importância da transferência de tecnologia no preenchimento do vão tecnológico entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, a necessidade de fortalecer a interface das políticas científicas, a necessidade de fortalecer a capacidade científica e tecnológica nacional e a necessidade de fomentar a colaboração internacional em pesquisas sobre desenvolvimento sustentável.

Esse Fórum lançou um conjunto de recomendações para responder a esse desafio com a definição de uma nova abordagem de pesquisa que é integrada, internacional, orientada para soluções e politicamente relevante em todos os domínios de pesquisa, assim como sistemas de conhecimento, de norte a sul, e deve ser co-criada e implementada com contribuições dos governos, da sociedade civil, de financiadores de pesquisas e do setor privado.


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