10.04.2012 - UNESCO Brasilia Office

Fornecer liderança científica rumo à Rio+20

A UNESCO forneceu liderança científica rumo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), por meio de seu trabalho como co-presidente do Comitê Científico Internacional para organizar a Conferência Planeta sob Pressão, ocorrida em Londres, de 26 a 29 de março de 2012.

A conferência reuniu mais de três mil cientistas, líderes políticos, acadêmicos, especialistas em saúde, representantes de outras organizações intergovernamentais e não governamentais, setor privado e mídia do mundo inteiro para discutir desafios globais sobre mudança climática, acidificação dos oceanos, degradação ecológica, bem-estar da humanidade, limiares planetários, segurança alimentar, energia e governança e ofertar novas soluções sustáveis para a Rio+20.

Os participantes da conferência emitiram a primeira Declaração sobre o Estado do Planeta, que incluiu as seguintes mensagens principais.

  • 1.  Impacto da humanidade sobre o sistema da Terra tem conduzido o planeta a uma nova era – o Antropoceno – que é comparável a processos geológicos de escala planetária ocasionados pela atividade humana que causam grandes mudanças na paisagem da Terra e extinções de espécies em massa. Pesquisadores devem identificar os limiares e as fronteiras planetárias e regionais que, se ultrapassadas, podem resultar em graves crises sociais, econômicas e ambientais.
  • 2. Uma abordagem policêntrica para uma gestão planetária é necessária, o que cria diversas parcerias entre governos, setor empresarial e sociedade civil. Isso inclui uma reorientação fundamental e uma reestruturação de instituições nacionais e internacionais, em direção a uma governança efetiva do sistema global. Os governos devem tomar ações para melhorar a coerência e promover políticas e ações integradas que perpassem os pilares sociais, econômicos e ambientais em âmbito nacional. É necessário que haja um Conselho de Desenvolvimento Sustentável no âmbito do Sistema ONU para integrar políticas sociais, econômicas e ambientais em âmbito global.
  • 3. A ecologia deve ser integrada à economia. Os valores monetários e não monetários de bens públicos globais, como nossos oceanos e nossa atmosfera, devem ser decompostos em padrões de tomadas de decisão.
  • 4. Novos objetivos globais de desenvolvimento sustentável com novos indicadores e metas são necessários para promover a gestão planetária e devem ser aplicados a todos os níveis de governança. A comunidade de pesquisa deve estar envolvida no desenvolvimento desses objetivos, metas e indicadores, reconhecendo questões conexas e construindo conforme o grau de bem-estar existente.
  • 5. O PIB não pode ser a única medida de bem-estar, outros indicadores, inclusive qualitativos, devem ser desenvolvidos para que possam medir melhorias reais de bem-estar em todos os níveis.
  • 6. É necessário um novo padrão para a análise regular da sustentabilidade global que seja vinculado a avaliações existentes e construa com base no trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e dos serviços de ecossistema e outros esforços pertinentes em curso. Isso pode ajudar a promover a interface ciência-política.
  • 7. É necessária uma nova abordagem para pesquisa que seja mais integrada, internacional e orientada para soluções e que informe novas políticas interdisciplinares de sustentabilidade global. Essa pesquisa deve integrar, abrangendo programas e disciplinas de pesquisa existentes, todos os domínios de pesquisa, de norte a sul, incluir sistemas de conhecimento locais e ser planejada e implementada com esforços de governos, sociedade civil, fundações para pesquisa e setor privado. Uma nova iniciativa relevo para pesquisa, A Terra do Futuro – pesquisas para a sustentabilidade, foi lançada com o apoio de vários programas globais de mudança climática, incluindo a UNESCO, que visa a atingir esses objetivos.
    Em sua mensagem em vídeo durante o segmento de alto nível, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon instou a comunidade científica para que ajudasse a fazer sentido os complexos e interligados desafios – incluindo mudança climática, crise financeira e alimentícia, insegurança energética e relativa à água – que ameaçam o bem-estar da humanidade e a civilização como os conhecemos. O secretário-geral informou à reunião a sua intenção de engajar a comunidade científica em levar adiante a recomendação científica de seu Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global, com o apoio da diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. Finalmente, o secretário-geral saudou a Declaração sobre o Estado do Planeta emitida pela conferência e o momento em que foi feita, assinalando que “a Rio+20 é uma grande oportunidade para avançar a interface política-ciência”.

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, também participou do segmento de alto nível e enfatizou seu comprometimento em colocar a ciência no centro de todos os esforços para o desenvolvimento sustentável e salientou o papel da Organização no auxílio a Estados a responderem questões-chave sobre crescimento equitativo e inclusivo, juntamente com o auxílio da ciência.
A diretora-geral assistente da Comissão Intergovernamental de Oceanos da UNESCO, Wendy Watson-Wright, encerrou a conferência em nome da diretora-geral da UNESCO e falou sobre “O Caminho a Frente”.

Durante a Conferência Preparatória para a Rio+20, várias sessões paralelas foram organizadas com parceiros da UNESCO sobre os seguintes tópicos:

  • Acidificação dos oceanos: impactos ecológicos e implicações sociais (UNESCO-COI). Esta sessão teve como foco os múltiplos estressores que estão afetando a saúde dos oceanos quanto ao aquecimento, à acidificação e à desoxigenação, que estão ocorrendo como resultado da mudança climática.
    Foi observado que nós devemos reduzir substancialmente nossas emissões de CO2, uma vez que a acidificação dos oceanos é causada principalmente pelo CO2 e que outros gases de efeito estufa também devem ter sua emissão reduzida, já que contribuem para o aquecimento dos oceanos e, consequentemente, para a desoxigenação. Uma governança internacional para os oceanos, um planejamento e um financiamento para adaptação de estratégias também se fazem necessários para proteger nossos oceanos.
    Nos âmbitos regional e local, é importante que sejam reduzidos outros estressores ambientais, como fontes locais de poluição que afetam os oceanos. Pesquisas também são necessárias para aprimorar o conhecimento e o entendimento desses inúmeros estressores. Isso requer uma abordagem multidisciplinar para pesquisas que englobem as ciências físicas, da vida, químicas, da Terra, econômicas e sociais.
  • Montanhas como arenas para adaptação a mudança global (UNESCO-MAB). A sessão considerou as montanhas como arenas para adaptação a mudança global.
    Regiões montanhosas, particularmente em regiões tropicais onde elas são consideradas habitat humano primordial, estão sob crescente ameaça pela mudança climática, pela pressão demográfica e pelo desenvolvimento econômico, que, em muitos casos, levam à escassez de recursos e à degradação, dificultando a provisão de bens e serviços essenciais tanto para os habitantes das montanhas quanto para as comunidades das áreas mais baixas.
    As montanhas são, ao mesmo tempo, arenas sociais e políticas com grande abrangência de estruturas de gestão, incluindo propriedade privada, regiões de propriedades tradicionais comunitárias, parques e reservas nacionais e tratados internacionais, todos inseridos em um contexto econômico global de mudanças exponenciais que pode criar tensões entre residentes locais de áreas montanhosas e usuários distantes dos recursos provenientes das montanhas.
    As três mensagens-chave seguintes foram identificadas para ação futura:
    • necessidade de continuar o inventário de diversidade de arranjos institucionais em regiões montanhosas em diferentes escalas, regional e local;
    • necessidade de uma avaliação mais rigorosa da performance e da efetividade desses arranjos institucionais;
    • transdisciplinariedade científica deve ter papel nesses arranjos, e lições aprendidas com base nas reservas de biosfera devem ser utilizadas para fomentar desenvolvimento sustentável por meio de ciência aplicada.
  • Conhecimento autóctone e futuros sustentáveis: avaliações sobre vulnerabilidade da mudança climática, adaptação e inovação baseadas na comunidade (UNESCO-LINKS). Esta sessão teve como foco o reconhecimento de que a adaptação à mudança climática deve ser centrada nas prioridades locais. Dentro do padrão do projeto conjunto da UNESCO com o Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica sobre Fronteiras Climáticas, o painel reuniu especialistas e pesquisadores autóctones para discutir as contribuições do conhecimento das comunidades locais em avaliar a mudança climática, adaptando modos de vida e estabelecendo objetivos nacionais e prioridades globais, com estudos de casos do Sahel, do Pacífico Sul, da América do Norte e do Himalaia.
    A sessão de moderação das discussões avançou em termos de sustentabilidade global, ao construir sinergias entre sistemas de conhecimento, a fim de aprimorar a equidade e a efetividade da governança ambiental. Mais informações sobre esse evento estão disponíveis no site Climate Frontlines (em inglês).

Houve participação significativa em todas as sessões. Elas auxiliaram a conscientizar os participantes da conferência sobre o trabalho da UNESCO nesses campos e a identificar áreas para futuras colaborações e ações conjuntas em preparação para a Rio+20. 

Informações sobre o trabalho da UNESCO para promover o desenvolvimento sustentável também foram amplamente difundidas entre os participantes da conferência, por meio do estande da UNESCO. Essas incluíram as publicações da UNESCO sobre o escopo da Organização para a Rio+20 “De economias verdes a sociedades verdes”, “Projeto para oceanos e sustentabilidade costeira”, informações sobre Sistemas de Conhecimento Local e Indígena (LINKS), assim como a quarta edição do “Relatório Global sobre Desenvolvimento da Água” e publicações relativas à água. 




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