03.05.2012 - UNESCO Brasilia Office

Situação do planeta em discussão

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável 2012 (Rio+20) é uma oportunidade de estabelecer uma nova agenda para um futuro sustentável. Enquanto delegados se reuniam em Nova York para a segunda rodada de negociações informais sobre o rascunho zero para o documento final da Rio+20, um evento paralelo era organizado, em 27 de abril de 2012, para discutir a Declaração da Situação do Planeta, que reflete as mensagens-chave que foram produzidas na Conferência Planeta sob Pressão, ocorrida entre 26 e 29 de março de 2012, em Londres, Inglaterra.

Esse evento foi organizado pela UNESCO, pelo Conselho Internacional para a Ciência (ICSU) e pelo Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (IGBP), e foi moderado por Bedrich Moldan, membro do Secretariado da Rio+20 para o Grupo dos Estados da Europa Oriental.

Sybil Seitzinger, diretora executiva do IGBP, abriu os debates, expondo que a primeira Declaração sobre a Situação do Planeta apresentou descobertas importantes. Ela salientou que, em razão da urbanização crescente, escolhas e políticas futuras serão centrais para o sucesso do desenvolvimento sustentável. Ela destacou ainda que a humanidade está vivendo a era do Antropoceno e enfatizou a urgência por colaboração e por soluções sinergísticas, assim como por uma interface ciência-política fortalecida para solucionar a crise de sustentabilidade que se está presenciando.

Elizabeth Thompson, coordenadora executiva da Rio+20, mencionou que muitos temas discutidos na Conferência Planeta sob Pressão eram similares àqueles sugeridos em relação a objetivos possíveis de desenvolvimento sustentável. Ela afirmou que é crítica a necessidade de diálogo entre as dimensões sociais e políticas. Ela instou ainda por soluções críveis na Rio+20, as quais sejam baseadas em dados científicos.

Gretchen Kalonji, diretora-geral assistente do Setor de Ciências Naturais da UNESCO, salientou que soluções para a sustentabilidade devem envolver a comunidade da engenharia. Ela espera que os resultados finais da Rio+20 incluam menções à necessidade de observações. Ela também pediu mais apoio para capacitação, educação e ciência, e afirmou que se, por um lado, o rascunho zero para o documento final da Rio+20 tem ênfase crescente em abordagens cientificamente embasadas, por outro lado, isso precisa ser ainda mais enfatizado.

Gisbert Glaser, membro do ICSU e coordenador do Grupo Principal (Major Group) de Ciência e Tecnologia, observou que os problemas enfrentados pelo meio ambiente, pela economia, pela equidade e pela justiça social estão intrinsicamente relacionados. Ele defendeu maior entendimento sobre a interconectividade dos sistemas natural e socioeconômico, a integração de políticas e a coerência nos resultados da Rio+20.

O embaixador Jean-Francis Zinsou, representante permanente do Benim na ONU, destacou a necessidade de pesquisas globalizadas que sejam direcionadas para resultados e que tenham foco nos problemas urgentes que a humanidade enfrenta atualmente. Ele reiterou o pedido de colaboração crescente e sugeriu que o uso do conhecimento autóctone seja “revitalizado”, encorajando seu uso em âmbito internacional. Ele salientou ainda que a situação atual requer que toda a humanidade “se ajuste e se adapte”.

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