Artigo

Entrevista com Cesário Nguia Kassandeca (Evandro Kassandeca), Jovem artista angolano participante no intercâmbio do ResiliArt/Dia do Jazz em Newark

Natural de Benguela, Angola, onde nasceu em 1996, Cesário Nguia Kassandeca vive e trabalha em Luanda. É licenciado em artes visuais e plásticas no Instituto Superior de Artes (ISART) da Universidade de Luanda.
Cesário Nguia Kassandeca

1. Como artista plástico, de onde vem a sua inspiração?

As minhas inspirações sempre estiveram vinculadas aos acontecimentos e causas socias. Desde criança, sempre fui uma pessoa muito observadora, quanto aos detalhes dos acontecimentos socias, e tendências inovadoras. Vejo a arte como uma forma de se fazer presente à vida e ao mundo, ela vem da alma e é trabalhada pelo corpo, que sente, que experimenta, que racionaliza, que relaciona... e que muitas vezes não segue fielmente as exigências do espírito.
A arte para mim é aquele lugar onde a perfeição do ser é um discurso recorrente. Como a fluente de um rio e a força das ondas do mar, apesar das diferenças sempre se encontram!

2. De que forma pensa que a arte contribui para a paz e diálogo? Será que a arte é mais impactante do que as palavras quando se trata de transmitir uma mensagem?

Na minha perceção a arte vai ganhando mais destaque desde que se tornou extremamente contemporânea, onde tudo que faz parte da existencialidade é como arte. Aqui, vou percebendo que mesmo as coisas do subconsciente são trabalhadas no campo artístico, que cada elemento da composição artística tem uma razão de lá estar, com um argumento próprio. Palavras como poética, sensibilidade, linguagem, leitura, espiritualidade, processo de criação, abstração, valor simbólico, utilitarismo, originalidade, impacto, mensagem, sentimentalismo, ambiguidade, etc., vão fazer parte do meu vocabulário e linguagem.

3. O que é que a incentivou a participar no ResiliArt Angola? Como é que a sua adesão a este projecto o tem beneficiado como artista?

Tudo começou com um telefonema de um ex-professor a convidar-me para participar no projeto ResiliArt Angola, e eu todo entusiasmado aceitei logo de primeira! O projeto ResiliArt Angola na minha visão surge para engrandecer a visibilidade dos artistas em Luanda.

As limitações da faze da pandemia acabaram por deteriorar uma boa parte da produção artística e como tal, houve muitas quebras económicas na camada artística. Diante dessa empreitada escolhemos como tema principal para o processo de criação: a paz para a sustentabilidade e o desenvolvimento da cultura. A minha adesão ao projeto está a ajudar me muito na questão da visibilidade não só́ minha como também aos de mais artistas, desde as divulgações das obras, as intervenções, trocas de experiências, e uma larga aceitação nas comunidades artísticas.

4. Qual acha que é o valor acrescentado do intercâmbio cultural com a cidade de Newark? O que espera conseguir durante a sua estadia?

Na verdade, é de agradecer a UNESCO, American Schools of Angola e sobretudo Deus todo-poderoso por me conceder essa graça. E aproveitar dizer também que levarei comigo muitas surpresas para uma breve apresentação.
Durante a minha estadia em Newark eu espero ter uma boa interação com a comunidade artística, saber mais sobre os hábitos e costumes da mesma comunidade. Diante da experiência que terei com o pessoal, vão se incorporar metodologias de investigações locais e experimentações de matérias recicláveis e convencionais.

Também pretendo levar projectos já produzidos e prontos a serem divulgados, partilhar workshoping e muito mais... Até porque a viagem promete muitas surpresas.

5. Que mensagem de paz gostaria de partilhar com os leitores?

Muito obrigado pelo carinho. Viva na alegria, no amor, mesmo entre os que odeiam. Viva na paz, na alegria, na saúde, mesmo entre os angustiados. Para dentro de você, fique calmo. Livre-se do medo, do pego, conheça a doce alegria do caminho.