22.11.2018 - UNESCO Office in Brasilia

Seminário Internacional Cais do Valongo Patrimônio Mundial marca a semana da Consciência Negra

Durante evento, documento oficial do título de Patrimônio Mundial será entregue pela UNESCO.

Lugar de memória de uma história que a humanidade não pode esquecer, o Cais do Valongo, principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017. Nesta sexta-feira, 23/11/2018, na semana em que se celebra o Dia da Consciência Negra, acontece, no Museu de Arte do Rio (MAR), o Seminário Internacional Cais do Valongo Patrimônio Mundial. O evento irá marcar a cerimônia de entrega do título de Patrimônio Mundial e debater os desafios da gestão e interpretação do sítio.

O título será entregue pela diretora e representante da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, para as instituições federais, municipais, estaduais e a sociedade civil, durante a mesa de abertura do Seminário, às 10h. 

Desde que o Cais do Valongo foi revelado em 2011, durante escavações nas obras da zona portuária do Rio de Janeiro, o sítio arqueológico trouxe grandes descobertas. Os únicos vestígios materiais da chegada dos africanos no país estavam aterrados na região portuária, e foram expostos ao mundo. Estima-se que, por ali, passaram cerca de um milhão de africanos escravizados, somente no século XIX. “O reconhecimento de sítios sensíveis como esse, coloca em evidência a necessidade de compartilharmos nossa experiência em prol de uma visão mais humanista da sociedade global”, reflete a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa.

O Cais do Valongo entrou para a Lista do Patrimônio Mundial no período, designado pela ONU, como Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024). A Diretora e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, reforça que “a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO foi grandemente enriquecida com a inclusão do Cais do Valongo como um de seus sítios. Ao mesmo tempo, o reconhecimento nos relembra que ainda há um longo caminho para superar a discriminação e as desigualdades raciais do presente. O título também reforça o desafio e a responsabilidade do poder público e da sociedade na preservação das características únicas que levaram o Cais a ter sua importância mundial reconhecida”.

Com a participação de especialistas internacionais em sítios de memória sensível, o seminário fará uma reflexão sobre a necessidade de se avançar no processo de gestão compartilhada desse Patrimônio Mundial. Uma realização da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, em parceria com o Iphan e a Representação da UNESCO no Brasil, o evento também irá discutir a construção do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, na zona portuária, dedicado à escravidão e à herança afro.

Casos de diversos sítios de memória sensível serão apresentados no Seminário

Durante o Seminário Internacional, o diretor do Memorial AcTe, Thiérry L’Etang irá debater sobre o caso do Centro de Expressões e Memória do Tráfico de Escravos e Escravidão, em Guadalupe, França. Os especialistas Deirdre Prins-Solani e Vuyo Mfanekiso apresentarão o museu Robben Island, complexo prisional na Cidade do Cabo, África do Sul, onde estiveram presos líderes do movimento anti-Apartheid, inclusive Nelson Mandela, por 27 anos. A mesa será mediada por Cristina Lodi, coordenadora de criação do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

A programação também conta com uma apresentação do caso do monumento African Burial Ground, construído sobre um imenso cemitério de escravos em Nova Iorque, EUA. Com a mediação do diretor de Cooperação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito, a mesa terá o especialista em interpretação de sítios Marcelo Martín, professor da Universidad Pablo de Olavid, em Sevilha, Espanha. 

O caso do circuito na zona portuária do território conhecido como Pequena África, no Rio de Janeiro, será apresentado por representantes das instituições afro-brasileiras Instituto Pretos Novos, Quilombo da Pedra do Sal, Centro Cultural Pequena África, Remanescentes de Tia Ciata e Afoxé Filhos de Gandhi. O público poderá conhecer os resultados e desafios do plano de gestão do sítio arqueológico Cais do Valongo, a partir da experiência da secretária de Cultura do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira; a historiadora Martha Abreu; e a presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Claudia Escarlate. 

O novo projeto de conservação do sítio arqueológico do Valongo, que contará com investimento de US$ 500 mil, em parceria com o consulado dos EUA, será apresentado por Ricardo Piquet, diretor do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). No encerramento, haverá ainda a posse do Conselho Consultivo do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira. (Com informações do Iphan)

Cooperação da UNESCO

Algumas ações do Seminário acontecem no âmbito de um projeto de cooperação técnica, assinado entre a UNESCO no Brasil e a Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, em novembro de 2017. O projeto visa a promover o fortalecimento institucional, a capacitação para a conservação e a gestão compartilhada do Sítio Arqueológico Cais do Valongo, apoiando a criação de um Museu de Território na sua área de amortecimento. Considera também a transversalidade entre as instituições municipais e a dimensão estratégica para o desenvolvimento turístico-cultural integrado e sustentável da região portuária da cidade do Rio de Janeiro, com base nos princípios de valorização da diversidade cultural, acesso amplo aos bens e serviços culturais, preservação do patrimônio histórico e cultural, de forma a posicionar nacional e internacionalmente o Patrimônio Mundial, fortalecendo o conceito de território cultural, onde convivem a diversidade, a tradição e a inovação.

 

 




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