12.06.2013 - UNESCO Office in Brasilia

Novos dados da UNESCO: números de crianças fora da escola se mantêm estáveis, enquanto ajuda à educação básica cai 6% em um ano

Novas estatísticas publicadas pela UNESCO mostram que 57 milhões de crianças estavam fora da escola em 2011, uma queda de apenas 2 milhões em relação ao ano anterior.* Para agravar esse problema das crianças de todo o mundo, uma nova análise de dados mostra que a ajuda à educação básica foi reduzida pela primeira vez desde 2002.

Esses novos números foram publicados antes de uma discussão de alto nível que ocorrerá em 11 de junho em Nova York, em apoio à Iniciativa Mundial “A Educação Antes de Tudo”, do secretário-geral das Nações Unidas. Eles chamam a atenção para a necessidade de se enfrentar uma crise dupla na área da educação: quanto ao fato de as crianças estarem ou não indo à escola, e quanto ao fato de, uma vez na escola, elas estarem ou não aprendendo.

“Nós estamos em uma conjuntura crítica”, disse a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. “O mundo deve ir além da ajuda para as crianças irem à escola; deve também garantir que elas realmente aprendam o básico quando estiverem lá. Nosso desafio duplo consiste em colocar todas as crianças na escola, por meio do entendimento e da ação sobre as causas da exclusão, bem como assegurar que elas aprendam com professores qualificados e em ambientes saudáveis e seguros. Agora não é o momento para os que oferecem ajuda desistirem. Muito pelo contrário: para alcançar essas crianças e realizar o nosso objetivo de solucionar a crise na aprendizagem, os doadores devem renovar seus compromissos para que nenhuma criança fique fora da escola devido à falta de recursos, como foi prometido na virada deste século".

Os novos números de crianças fora da escola foram publicados pelo Instituto de Estatísticas da UNESCO (IEU). Concluiu-se que os países da África Subsaariana respondem por mais da metade dessa cifra e têm a mais elevada taxa de crianças fora da escola. Mais de 20% das crianças africanas nunca frequentaram a escola primária, ou abandonaram a escola sem completar a educação primária. Por outro lado, países do Sul e do Oeste da Ásia obtiveram ganhos consideráveis nas duas últimas duas décadas, com a redução de dois terços na quantidade de crianças fora da escola, de 38 milhões em 1999 para 12 milhões em 2011.

De forma característica, são as crianças em áreas pobres e remotas, as que são afetadas por conflitos, e as que pertencem a minorias étnicas, raciais e linguísticas que têm negadas as oportunidades de escolarização. Crianças de famílias pobres têm três vezes mais chances de estarem fora da escolar do que crianças de famílias ricas. As meninas de famílias pobres que vivem em áreas rurais são as que enfrentam os maiores obstáculos quanto à educação.

Embora atualmente mais crianças estejam indo para a escola, tem havido pouco progresso quanto à redução da taxa de evasão escolar. Aproximadamente 137 milhões de crianças iniciaram a educação primária em 2011, mas existe a possibilidade de pelo menos 34 milhões delas abandonarem os estudos antes da última série. Isso se traduz em uma taxa de evasão escolar precoce de 25%, o mesmo nível de 2000.

Os países da África Subsaariana, e os do Sul e do Oeste da Ásia apresentam as maiores taxas de evasão escolar precoce. Nessas regiões, mais de um em cada três estudantes que iniciaram a educação primária em 2010 não vão continuar nos estudos até a última série. Com isso, são necessárias novas intervenções para reduzir esses índices, com o objetivo de obter a educação primária universal e garantir que todas as crianças obtenham as habilidades básicas de alfabetização e de conhecimentos matemáticos.
Enquanto os números de crianças fora da escola se mantêm estáveis, uma nova análise do Relatório de Monitoramento da Educação para Todos (EPT) no Mundo descobriu que a ajuda à educação básica foi reduzida em 6% entre 2010 e 2011. Durante esse período, 6 dos 10 maiores doadores da educação reduziram suas contribuições. Após essas mudanças, o panorama dos doadores mostra que o Reino Unido é agora o maior doador bilateral para a educação básica.

Além disso, os recursos financeiros não são direcionados às regiões e países que mais necessitam. Em 2011, apenas US$ 1,9 bilhão foi distribuído para países de baixa renda, uma redução de 9%, e uma quantia muito distante dos US$ 26 bilhões necessários para suprir a lacuna de financiamento para a educação básica.

O Relatório faz um apelo para que os doadores deem prioridade aos países e regiões mais necessitadas: a África Subsaariana responde por mais da metade das crianças fora da escola, mas, ainda assim, recebeu 7% a menos de ajuda em 2011, em relação a 2010. O auxílio à Nigéria, o país que apresenta, no mundo, a maior quantidade de crianças fora da escola, foi reduzido em mais de 25% de 2010 para 2011. As maiores reduções na educação básica foram realizadas pelo Canadá, pelos Países Baixos e pela Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) do Banco Mundial, que cortaram suas contribuições para a região em mais de um terço.

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Notas aos editores:

* Em 2012, o IEU estimou que 61 milhões de crianças na idade da educação primária estavam fora da escolar em 2010. Em 2013, o IEU revisou essa estimativa de 2010 para 59 milhões de crianças fora da escola. A diferença entre as estimativas publicadas em 2012 em 2013 deve-se à disponibilização de novos dados nacionais.

Os dados de crianças fora da escolar foram produzidos pelo Instituto de Estatística da UNESCO (IEU).




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