14.06.2017 - UNESCO Office in Brasilia

Nossa terra. Nosso lar. Nosso futuro - Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca, 17 de junho de 2017

Nossa terra. Nosso lar. Nosso futuro. 

Este deve ser o nosso lema hoje – especialmente na luta contra a desertificação. 

Cada vez é mais claro o papel da mudança climática na migração e no deslocamento de populações em todo o mundo. Na atualidade, quantidades enormes de “refugiados ambientais” são normalmente apresentadas como uma das mais dramáticas consequências possíveis da mudança climática e da desertificação. E isso só deve aumentar. O Secretariado da Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação adverte que, até 2030, 135 milhões de pessoas estarão em risco de deslocamento por causa da desertificação, com a perspectiva de que 60 milhões migrem da África Subsaariana para o Norte da África e para a Europa. 

Essas previsões mostram que as regiões áridas e semiáridas seriam as mais afetadas pela desertificação e pelos movimentos populacionais. Populações rurais, que dependem de meios de subsistência pastoris, da agricultura e de recursos naturais, serão altamente expostas devido às vulnerabilidades existentes, incluindo pobreza, baixos níveis de educação, falta de investimentos, longas distâncias e isolamento. 

Nós devemos enfrentar essas tendências, o que significa atuar em dois âmbitos. 

Em primeiro lugar, devemos administrar a terra corretamente, porque isso é essencial para prevenir sua desertificação e para manter sua produtividade. A Reserva da Biosfera da UNESCO de Las Bardenas Reales, na Espanha, mostra que uma gestão consciente de terras áridas, com base na alternância de seu uso entre pastagens, lavouras e períodos de pousio, permite não apenas a interrupção da desertificação, mas também a possibilidade de se reverter o processo e restaurar terras anteriormente degradadas. É por isso que o Programa Hidrológico Internacional (PHI) da UNESCO é tão comprometido com o desenvolvimento de habilidades e com o oferecimento de orientação e ferramentas políticas para combater desafios relacionados às secas e à desertificação, em particular os relativos à gestão dos recursos hídricos, por meio da Rede Mundial de Informação sobre os Recursos Hídricos e o Desenvolvimento nas Zonas Áridas (G-WADI). 

Em segundo lugar, devemos reforçar a resiliência das populações vulneráveis, apoiando meios de subsistência alternativos, para quebrar o círculo vicioso da desertificação e suas consequências socioeconômicas, as quais frequentemente ocasionam a migração. Ao procurar fomentar a educação e o desenvolvimento de habilidades nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia, tanto para meninas como para meninos que vivem em países vulneráveis, o Programa Internacional de Ciências Fundamentais (PICF) da UNESCO trabalha para criar novas oportunidades de emprego para os jovens, para reduzir a dependência em fontes de renda condicionadas pelo clima e para oferecer às pessoas um futuro resiliente em seus próprios lares. 

Neste dia, nós devemos reconhecer que a desertificação é um fenômeno mundial e uma ameaça para todas as pessoas. Da mesma forma, devemos começar a agir globalmente para construir um futuro sustentável e estável para todos.   

 

 




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